Como alugar uma casa em Londres

Alugar casa em Londres é uma missão. Não impossível, mas que exige muita procura, paciência e, às vezes, sorte. Depois de alguns anos de experiência, decidi fazer este post em formato de guia e compartilhar algumas dicas com quem está na procura. Começando pelo básico (custos, tipos de casas e áreas) até como negociar o valor do aluguel e aumentar as chances de ter sua oferta aprovada. Vamos lá?

1) Defina o orçamento
Parece óbvio, mas por ser Londres, uma cidade em que o aluguel é tão caro, esse é o primeiro passo. Seja realista e pense não só no que você quer, mas no quanto pode pagar. Existem vários sites de busca de imóveis (no final do texto vou deixar alguns links) que são um bom ponto de partida para você ter uma ideia de preços. De maneira geral, um apartamento de um quarto, na zona 2, não sai por menos de 1,200 libras o aluguel, mais as contas. Lembre-se que no primeiro mês você tem que pagar o aluguel adiantado e depósito (geralmente seis semanas).

Está fora do seu alcance? Você não está sozinho. Há muitas pessoas, muitas mesmo, que começam a vida na cidade morando em casas compartilhadas – você tem seu próprio quarto, mas divide a cozinha e a sala, às vezes, até o banheiro. Não é o ideal, mas é mais barato, especialmente porque quase sempre as contas já estão inclusas no valor do aluguel do quarto. Um quarto duplo, na zona 2 custa em média 900 libras por mês.

2) Qual a melhor área?
De uma maneira beeem generalizada, a zona oeste de Londres é mais residencial, no norte estão as áreas mais caras, enquanto o sul e o leste tendem a ser mais em conta e mais agitados, o leste principalmente é ótimo para um público mais jovem.

Mas a área em que você vai morar depende do seu orçamento e necessidade. Quanto mais perto da zona 1 você estiver, mais caro vai pagar. E menores os imóveis tendem a ser. Minha dica é colocar na balança os custos e os benefícios. Lembre-se que não só o aluguel será mais caro nas zonas centrais, mas o imposto (council tax) também. Por outro lado, se você trabalha no centro, vai gastar menos com o metrô já que Londres é dividida em zonas (1 a 6) e quantos mais zonas você atravessa para chegar ao centro, mais caro é. É tudo questão de colocar os gastos na ponta do lápis.

3) Explore novos bairros 
Não tenha medo de sair explorando por aí. Em sites como Rightmove, você pode colocar o valor que pode pagar, a área que deseja e terá todos os imóveis listados. Mas não se limite a isso. Você também pode pesquisar pela distância que a casa deve ser do seu trabalho, em tempo de viagem no metrô, por exemplo. Expandir suas possibilidades aumenta as chances de encontrar algo bacana.

4) Não se assuste com o que encontrar
O mercado imobiliário de Londres é uma loucura. Tem muita opção. Muita coisa boa, muita coisa que nem de graça você aceitaria. Sem exageros! Já fui visitar um “apartamento” que o aluguel era 1,000 libras por mês. Parecia um achado! Chegando lá, era uma garagem, literalmente, transformada em um quarto com uma cozinha minúscula. Foi a primeira e a última vez que marquei uma visita sem ver fotos antes. Tem também aqueles imóveis que na foto parecem lindos, você chega lá e está caindo aos pedaços, além de ser bem sujo. Prepare-se para encontrar muita coisa ruim até achar seu lar doce lar. Pode ser (e eu espero!) que você dê sorte, mas é cada coisa que a gente vê por aí…

5) Marcando sua primeira visita
Depois de algumas horas de busca online, você achou algo bacana e liga para uma imobiliária para marcar de ir ver. É aí que começa a segunda parte da aventura. Corretor aqui tem fama de ser o tipo de pessoa em que você não confia. Que me desculpem os certinhos, mas a fama muita vezes é justa. Principalmente com a dificuldade de marcar um horário para ver imóveis. Se eles tem um cliente em potencial, não vão te dar muita bola. Dizem que vão retornar a ligação para marcar um horário, mas nem sempre ligam. Não espere pela boa vontade alheia. Fique no pé se realmente tiver gostado do imóvel e não quiser perder para outra pessoa. Quanto antes você visitar o lugar, mais chances tem de fazer uma oferta na frente e alugar antes de outra pessoa. Já aconteceu de eu marcar uma visita e ter mais casais visitando a casa na mesma hora. Não achei muito legal, mas aparentemente aqui é até que comum.

6) Vi um imóvel, gostei e fiz a oferta. Já é meu?
Nem sempre. Depois da visita, é normal te falarem que tem mais gente interessada na mesma casa. Muitas vezes é verdade, aliás, tem muita gente procurando casa por aqui. Mas também pode ser papo furado só para te fazer oferecer um valor maior no aluguel. É comum haver uma negociação. Dica de quem já passou por isso: estabeleça um limite máximo que você pode pagar, mas nunca fale para o corretor o real valor. Sempre fale um pouco menos. Assim você tem como negociar. Ah, e desconfie se a negociação virar um “leilão”, em que sempre tem alguém oferecendo mais do que você. Lembre-se que o corretor está ali para fazer você pagar o máximo pelo imóvel. Se for pagar um depósito para segurar o imóvel até que sua oferta seja aceita, certifique-se que poderá ter o valor de volta caso a proposta não seja aprovada. Se isso acontecer, é hora de começar a busca tudo de novo…Caso a oferta seja aprovada, pule para o próximo tópico!

7) Quase lá…
Oferta aprovada, é hora de checar suas referências e seu crédito (o famoso credit check). Basicamente, a imobiliária quer saber se você pode pagar o aluguel, se está em situação legal no país, entre outras coisas. Mande todos os documentos para aumentar as chances de ter a oferta aprovada. Você paga uma taxa para eles verificarem suas referências e, se der tudo, certo, é só assinar o contrato e preparar a mudança.

Sites de busca:

  • Zoopla e Rightmove – Os mais tradicionais. Tem muitos imóveis, você pode salvar suas buscas e ter o aplicativo no celular também.
  • Find Properly – É mais focado para quem é novo em Londres ou não sabe a área que quer morar. Mostra os mercados que tem no bairro, por exemplo.
  • Open Rent  – Esse é bem legal porque você não paga as taxas da imobiliária, já que faz tudo direto com o landlord, ou seja, o dono do imóvel. Porém, não tem tantas opções como os outros acima.
  • Spare Room – O mais tradicional para achar quartos em casas compartilhadas

Espero ter ajudado com alguma informação e qualquer dúvida é só deixar nos comentários. E se eu puder te dar um último conselho: não desanime por conta dos preços ou do mercado competitivo. Londres vale a pena!

Post publicado originalmente no site Brasileiras pelo Mundo, para o qual colaboro mensalmente.

Pela desvirtualização das amizades

Mudei para Londres tem mais de quatro anos. E já tive a oportunidade de conhecer várias pessoas por aqui, algumas marcam mais o nosso caminho, outras menos. Mas até o ano passado nunca tinha conhecido ao vivo pessoas com quem tinha contato apenas nas mídias sociais.

Sim, não sei se aí no Brasil rola muito disso,  mas aqui em Londres parece que tem uma comunidade que se fala/comenta nas fotos/curte as fotos uns dos outros pelo Instagram (e agora o contato começou a ficar mais “real” com o Snapchat também).

Muitas vezes a gente não se conhece, mas rola aquela afinidade mesmo que sendo apenas por meio de fotos e vídeos. Estranho? Talvez, mas quem não tem os amigos de infância/ faculdade e etc por perto sempre dá um jeito de conhecer pessoas novas. Afinal, morar fora é sair da sua zona de conforto. Até nos pequenos detalhes.

Quem tem blog, até mesmo um blog que luta para sobreviver em meio a milhões de compromissos, como o meu, ainda recebe os comentários dos leitores e está sempre acompanhando os outros blogueiros também. Então o relacionamento online nesse sentido sempre existe. E é muito bacana ter contato com pessoas assim.

Depois de ontem, diria que mais bacana ainda é conhecê-las pessoalmente! Eu que sempre tive vergonha de ir a encontros e eventos do tipo, fui a um encontro de brasileiros em novembro do ano passado e acabei conhecendo pessoas tão, mas tão queridas, que pena mesmo foi não ter ido aos encontros antes! Ontem foi a despedida de solteira de uma delas – e eu não teria feito parte desse momento tão importante na vida de uma pessoa tão bacana se não tivesse saído do mundo virtual para o mundo real.

Então, sim, por relacionamentos com mais encontros face to face e menos mensagens no direct do Instagram!  E que venha o casório! #BrasileirosemLondres

Despedida de solteira

 

 

Dia histórico (e triste) na Inglaterra

O Reino Unido está fora da União Europeia, e o que isso muda na minha vida? Em um primeiro momento, nada. Ao mesmo tempo, muita coisa. Nada porque como não tenho passaporte europeu, já enfrento as rígidas regras de imigração para morar aqui. Para mim, não vai ser novidade o UK tentar fechar as portas na minha cara. Já lido com isso desde 2014, quando apliquei para o meu visto de esposa.

Mas, como eu disse, ao mesmo tempo, muda muita coisa. Esse talvez seja o post mais pessoal que eu já escrevi aqui, mas sinto que se eu não falar nada, vou explodir! De choque, de indignação, de tristeza mesmo. Desde que eu mudei para o UK eu sempre brinco com a minha família que “a rainha não me quer aqui, mas vai ter de me engolir”, em tom de brincadeira mesmo. Claro que estou me referindo ao Home Office e às centenas de páginas de documentos (e de libras) que preciso juntar para ter o direito de morar aqui. Mas digamos que esse é um jeito engraçadinho que encontrei de dizer para os meus avós, por exemplo, que sim, existem dificuldades ao morar longe do Brasil.

Até então, era o governo me dizendo que eu não era bem-vinda. E fazendo as regras de imigração cada vez mais difíceis de se cumprir. Para vocês terem uma ideia, estou prestes a renovar o meu visto de esposa por mais dois anos e meio e isso me custará:

£ 811 – taxa da aplicação para eles analisarem meus documentos e renovarem o visto.

£ 500 de taxa do NHS – o Sistema de saúde público daqui, que agora pede que imigrantes paguem uma taxa para usarem o serviço que é PÚBLICO. Sim, eu tenho de pagar essa taxa mesmo já pagando imposto normalmente como qualquer inglês. Pago duas vezes.

£400 – se eu quiser fazer a aplicação pessoalmente ao invés de pelo correio (o que talvez vou precisar, porque preciso do meu passaporte para ir para o Brasil no Natal).

£ 150 – para fazer uma prova oral de inglês e “provar” (a prova só dura 10 minutos) que eu consigo me comunicar com o meu marido. Mesmo eu trabalhando em uma empresa internacional e eles sabendo disso. Mesmo eu tendo feito uma prova de inglês avançado da Universidade de Cambridge e ter passado, apenas três anos atrás. Acho que eles acreditam que é possível desaprender uma língua em três anos mesmo morando e trabalhando no país!

£19 – tirar impressões digitais no correio

£ indefinido – uma porcentagem do valor aplicação paga ao correio para eles mandarem uma ordem de pagamento para o Home Office. O formulário dá a opção de pagar por cartão de crédito e você preenche os dados do cartão e eles lá fazem o pagamento. MAS a pessoa que está me ajudando com o visto disse que já viu vários casos em que os dados do cartão não eram aceitos e eles devolviam a aplicação para a pessoa fazer de novo. E se o visto já tivesse expirado, a pessoa tinha que voltar para o país de origem e aplicar de lá. Claro que não quero correr o risco e vamos pagar para o correio mandar a tal ordem de pagamento.

Enfim, o objetivo do post não é falar das regras do meu visto, que ainda incluem documentos para provar que nosso casamento não é uma fraude, que o Ben ganha o suficiente para me sustentar e abrir mão dos direitos dele como cidadão inglês por ser casado com uma brasileira, entre outras coisas. Como dá pra ver, para eu conseguir ter o direito de morar aqui já é um sufoco para nós. E por isso eu dou risada quando amigos comentam: nossa, eu achava que por vocês serem casados você não precisava de nada disso!

Então por que o Brexit me deixou tão triste? Em poucas palavras, porque antes era o governo me falando que eu não era bem-vinda. Agora são as pessoas. 52% da população do Reino Unido votou para que o país deixasse a Uniao Europeia e apesar das questões econômicas envolvidas, o foco da campanha era a imigração. Existem muitos europeus morando aqui e os ingleses reclamam que eles roubam as vagas de emprego e usam os hospitais e as escolas e etc.

Então, meu amigo, se ontem pessoas por Londres tinham adesivinhos colados na roupa dizendo “I’m in!” e o clima era de que poderíamos vencer essa, hoje o clima é de ressaca. Muita gente me disse “o problema não é você, você é bem vinda aqui”, mas ao mesmo tempo reclamam do tanto de europeu que mora aqui. Uma coisa que eles não entendem é: estamos todos no mesmo barco. O Brexit me afetando ou não, sou imigrante e sinto que o país escolheu virar as costas para mim. E para todos os meus amigos europeus e brasileiros com passaporte europeu. Vamos todos nos dar um abraço? 🙁

Sem contar os problemas econômicos que isso pode trazer – não sou especialista, mas de tudo o que li, as previsões não são boas. Tenho medo ainda de o país ficar mais vulnerável ao terrorismo. Posso estar exagerando aqui,  mas li uma matéria na BBC semanas atrás que questionava a mesma coisa. E para quem convive com a ideia de que o alerta de terrorismo no país está em um nível super alto, escolher ficar sozinho não me parece uma boa ideia. Ainda que seja uma questão econômica. Ainda que existam organizações para ajudar o país caso algo aconteça, ainda que isso ou aquilo. Ainda que não tenha nada a ver, ainda acredito que juntos somos mais fortes, que pena que mais da metade da população não pensa assim.

Também é triste pensar na separação do Reino Unido como um todo. Inglaterra e País de Gales queriam sair, Escócia (que já pediu para sair do Reino Unido) e Irlanda do Norte queriam ficar. Começam a surgir comentários de que quem tem universidade votou para ficar, quem não tem tantos privilégios votou para sair. Ouvi no metrô alguém dizendo que “basicamente, todo mundo que lê o The Sun votou para sair”. Começam os julgamentos, os comentários, as análises…e até isso é triste.

E agora, como fica o futuro do país que se mostra tão dividido? Por enquanto não há respostas, só perguntas e um futuro incerto. No fim das contas, o sentimento é o mesmo de quando Temer assumiu o poder no Brasil: não podia ser verdade, não podia ser possível, até que uma hora foi. Não podia ser verdade que a Inglaterra iria dar esse passo para trás. Não podia ser possível que um país que tem Londres como sua capital, a cidade mais cosmopolita do mundo, iria passar uma mensagem de intolerência. Não podia, mas foi. Que dia triste para se morar na Inglaterra.

brexit

 

Combo perfeito: Kingston Upon Thames e Hampton Court

 

Uma das coisas que eu talvez mais goste em Londres é o fato de que sempre tem alguma coisa nova para fazer. Mesmo depois de quatro anos morando na cidade, ainda tem dias que saio por aí explorando uma região diferente da onde eu moro e sempre volto para casa como se tivesse feito uma viagem naquele dia, de tanto lugar novo que conheci. Minha última aventura foi em Kingston Upon Thames, no sudoeste de Londres. A town é a principal do Royal Borough de Kingston Upon Thames, um dos quatro royal boroughs da capital britânica.

Estar em uma região tão tranquila, com muito verde e repleta de casinhas às margens do rio Tâmisa é uma verdadeira terapia – bem diferente do ritmo frenético do centro de Londres.  Chegar até lá é fácil: 30 minutos de trem partindo de Waterloo Station. Os trens da South West são talvez os mais confortáveis da cidade, e durante o caminho você pode ouvir conversas no próprio estilo posh, em um sotaque mais britânico impossível.

Desça na estação de Kingston e vá em direção a Old London Road para conhecer um dos cartões postais do local:  a instalação de arte Out of Order, popularmente conhecida como as cabines de telefone vermelhas tombando umas sobre as outras. A instalação é do artista David Mach e as doze cabines foram colocadas ali ainda no ano de 1989. Em 2001, passou por uma renovação e segue intacta, sem grafites e com muitos turistas em volta tirando fotos.

Kingston phone boxes

Depois de ver as cabines, é hora de explorar o lado oposto do centrinho da região. Ande em direção ao Tâmisa para passar pelo Ancient Market Place, que acontece em uma praça bem charmosa todos os dias da semana, das 10h às 17h. Passeie por ali observando as barraquinhas e a sua diversidade na culinária internacional. Que tal uma famosa torta inglesa? Ou ainda um delicioso wrap marroquino? Prefere um sushi ou comida francesa? Sem problemas. Tem comida para tudo quanto é gosto. Além de barracas com frutas, vegetais, peixes e pães.

Kingston (2)

Mas se você quiser um almoço com uma vista incrível, resista às tentações do mercado e ande mais um pouco até chegar à High Street. Ali você irá encontrar vários restaurantes, alguns com uma fachada bem estreitinha e tímida, mas não se engane: a maioria deles tem uma área externa à beira do rio Tâmisa. O Stein’s Kingston chamou a atenção pela pequena fila na porta e a pequena espera valeu a pena, comida e cerveja alemã deliciosas.

Enquanto olha para o rio e admira a beleza do lugar, você provavelmente se dará conta que está no meio do seu passeio, que pode continuar pela região de Kingston Upon Thames ou pode se estender um pouquinho até o Hampton Court Palace. Se optar pela segunda opção, com certeza não irá se arrepender.

Hampton Court Palace e seus jardins

Pegar um ônibus ou fazer uma caminhada de cerca de 40 minutos são algumas das formas de se chegar ao palácio. Mas o mais gostoso mesmo é o passeio de barco, que dura cerca de 20 minutos e por onde você pode ver casas e pescadores à beira rio. Se tiver um tempo bom, o passeio é um ponto alto do dia. O ticket custa £8 ida e volta ou £6,50 só ida. Os barcos funcionam até determinado horário, geralmente param à tardezinha. Se quiser ficar até mais tarde, compre o bilhete só de ida. E não se preocupe em como voltar para casa, pois a estação de trem de Hampton Court fica a poucos minutos do palácio e de lá saem trens de volta para Waterloo Station.

Kingston (1)

Passeio de barco (1)Passeio de barco (2)

Porém, acredite em mim quando digo que a última coisa que você vai pensar quando chegar ali é em voltar para casa! A visita ao Hampton Court Palace vale cada centavo dos £21 que se paga para entrar (£19, se for sem a taxa de doação).  O gramado da área externa já impressiona, mas há muito mais para ser visto.

Explore o interior do palácio, que serviu de residência para o rei Henrique VIII, mas reserve bastante tempo para visitar os jardins, além de um tempinho para tentar encontrar a saída do famoso labirinto do palácio. Pegue um mapa e não deixe de visitar o The Great Fountain Garden, que parece ter sido tirado de um filme de contos de fadas.

Hampton Court Palace (13)Hampton Court Palace (2)Hampton Court Palace (1)Hampton Court Palace (4)Hampton Court Palace (9)

Na época da primavera, as flores deixam o jardim todo colorido, um colírio para os olhos. Caminhe pelos jardins até chegar a videira, que foi plantada em 1768 especialmente para o rei Henrique VII e já entrou para o Guiness Book of World Records como a maior videira do mundo.

Depois da visita, a sensação é de não querer ir embora. Caminhe pela beira do rio, sente no gramado na área externa ou vá a um pub local para terminar o passeio nesse lugar tão tranquilo, que nem parece estar tão perto do centro de Londres.

Brasil Observer

Motivo de alegria: voltei a escrever para o jornal Brasil Observer, que eu conheço desde que mudei para cá em 2012. Parei por um tempo, mas nunca deixei de ter o jornal como um parceiro querido e o melhor de tudo foi que no meio disso tudo ainda fiz amigos. 

Esse texto que você acabou de ler está na página 28 desta edição, então passa lá para ver mais fotos e aproveita para ler o jornal que está lindão e com um conteúdo super bacana! Leitura obrigatória se você quer saber mais do que rola por aqui e saber mais das notícias do Brasil que estão rolando pelo mundo. O jornal é distrubuído em vários pontos em Londres, mas você também pode ficar por dentro das notícias seguindo o perfil do BO no  Facebook e Instagram

 

Como Londres irá comemorar o aniversário da rainha

A rainha Elizabeth completou 90 anos no dia 21 de abril. E as comemorações prometem ser dignas de realeza por aqui. Aquela história de ‘só um bolinho’ para os mais chegados não combina com a rainha com o reinado mais longo da história do país. A rainha vai ter toda a pompa, cavalos, carruagens, tudo conforme manda o figurino. E nós vamos estar lá para cantar parabéns para ela! Ok, quase isso… Se você também não faz parte da família real mas quer festejar, confira direitinho o que vai rolar para não ficar de fora:

12 a 15 de maio, em Windsor

Festa de 90 anos da rainha

É a primeira celebração oficial do aniversário da rainha Elizabeth. O evento vai acontecer entre os dias 12 e 15 de maio, em Windsor, mas a rainha só vai estar lá mesmo para a última noite. Durante uma hora e meia, 900 cavalos e mais de 1.500 pessoas irão fazer parte da cerimônia que irá contar a história da rainha, desde seu nascimento, passando pela Segunda Guerra Mundial, seu casamento, coroação e outros momentos importantes. Os ingressos se esgotaram rapidamente e os organizadores também fizeram um sorteio para quem quisesse acompanhar a chegada dos convidados no tapete vermelho. Eu me inscrevi, mas não ganhei, então vou acompanhar a festa pela ITV, que vai mostrar o espetáculo do dia 15 de maio ao vivo.

Junho, em Londres

Dia 10 de junho, St Paul’s Cathedral e pubs

Haverá uma missa de ação de graças que é apenas para convidados, na St Paul’s Cathedral. Na sexta à noite, os ingleses vão poder comemorar a ocasião com os pubs abertos por duas horas a mais. Geralmente, os pubs fecham à uma da manhã. A mesma regra vale para o sábado, quando os pubs também fecharão mais tarde.

Dia 11 de junho, House Guards Parade

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Dia de ver a Trooping the Colour, na House Guards Parade. A rainha e outros membros da família Real desfilam em carruagens pelo The Mall e depois aparecem na varanda do Palácio de Buckingham. Eu nunca assisti, mas esse ano quero muito ir. Imagino que o The Mall vai estar mega lotado e preciso chegar bem cedo se quiser ter chances de ver a rainha! Se você não quiser encarar, a BBC vai mostrar o evento ao vivo a partir das 10h da manhã.

Quem quiser ver o ensaio do desfile, tem um no dia 28 de maio (gratauito) e outro no dia 4 de junho (£10). Claro, rainha é diva e não precisa de ensaio, portanto, não espere vê-la por lá.

A Trooping the Colour acontece todo ano para celebrar o aniversário da rainha e a tradição vem de reinados passados, começou lá no ano de 1748. É sempre no verão pois é quando as chances de ter um dia de sol e agradável são maiores.

Dia 12 de junho, The Patron’s Lunch

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Uma série de festas de rua devem acontecer por todo o país. As pessoas são incentivadas a fecharem a rua onde moram (com autorização prévia), chamar os vizinhos e os amigos e almoçarem juntas. A maior festa, The Patron´s Lunch, acontecerá no The Mall. Todos os 10 mil ingressos já foram vendidos, mas dá para assistir tudo ao vivo pelos telões no Green Park e St Jame’s Park. Os parques devem lotar de pessoas espalhadas pelo gramado fazendo piquenique. Uma ótima pedida para o verão. E então, bora festejar?

Curiosidades:

  • Para quem quiser saber mais sobre a vida da rainha Elizabeth, este ano os autores Mark Greene e Catherine Butcher lançaram um livro em homenagem aos 90 anos de vida da monarca. “The Servant Queen e the King she serves” (A Rainha Serva e o Rei que ela serve, em português) fala sobre sua história e sua fé cristã.
  • A BBC produziu o documentário “Elizabeth at 90 — A Family Tribute”, que também narra sua história e ainda traz entrevistas de outros membros da família real.

Curiosidade 2 (e novidade também!): Esse texto foi originalmente publicado no portal Brasileiras Pelo Mundo, do qual a partir desse mês sou colunista 🙂 O link para quem quiser conferir é esse aqui: http://www.brasileiraspelomundo.com/inglaterra-como-londres-ira-celebrar-o-aniversario-da-rainha-061433979

 

Passeio pelo Maltby Street Market

Uma das coisas que eu mais gosto em Londres é que tudo que pareceria estranho em qualquer outro lugar, aqui vira cool. Uma amiga empreendedora diz que aqui em Londres, mais do que em qualquer outra cidade, você pode criar qualquer negócio e sempre vai ter público. E, olha, às vezes eu acho que ela está certa. O que parece estranho aqui é normal. Um dos exemplos é o Maltby Street Market.

Domingo, estávamos procurando um lugar para comer que fosse aberto, pois a temperatura estava acima dos 15 graus, um luxo para abril. Sugeri a ideia de um street market mas com a condição de não ser o Borough Market, afinal, já fomos lá muitas vezes e queria algo diferente.

E lá fomos nós atrás do nosso street market e suas comidas deliciosas. Chegando perto do local, pensei: só em Londres! Vi um monte de gente sentada na calçada, perto de uma ponte por onde passam trilhos de trem. Já comecei a duvidar que aquela tinha sido uma boa escolha. Chegando mais perto, vi que tinha um túnel bem sinistro, pelo qual não queria passar,  mas para a minha sorte gastronômica o tal do street market (que, em tempo, é uma feirinha com barraquinhas de comida) era em uma ruazinha bem estreita antes do túnel.

Foi só entrar por essa ruazinha para esquecer dos arredores: dezenas de barracas de comida, de todos os lugares que se possa imaginar. França, México, Vietnã, Alemanha, Inglaterra, Jamaica e também Brasil (acabamos comendo um wrap de picanha delicioso!)

E como não poderia faltar, muitas opções de bebidas – degustação de vinho, cerveja de mel entre outras opções. Um dos lugares mais movimentados era um bar com drinks à base de gin em copos no estilo retrô.

Foi um passeio super agradável, com direito à sobremesas variadas – um brownie de salted caramel que foi eleito o melhor brownie de Londres e um doce típico do Taiwan – uma massa que parecia de panqueca em formato de ovinho, com nutella e amendoim por cima. Detalhe para o amendoim que é raspado de uma peça gigante do doce, ali na hora.

Comemos e bebemos felizes – por pouco mais de 20 libras – e voltamos para a casa com a certeza que ainda voltaremos lá outras vezes. Tem muita coisa ainda para ser experimentada naquele lugar….

Separei algumas fotos que não me deixam mentir…

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Maltby Street Market
Ropewalk, London SE1 3PA
www.maltby.st

All you need is love: por dentro dos casamentos ingleses

Levando em conta os recentes acontecimentos da minha vida, decidi que o blog precisava de um post sobre….casamento! E parei para pensar no quanto as tradições daqui são parecidas e ao mesmo tempo diferentes com as do Brasil.

Aqui na Inglaterra a maioria dos casórios acontecem no verão – esse anos temos cinco para ir, entre junho e agosto.  Geralmente, o evento dura o fim de semana inteiro, os convidados chegam na sexta à noite, o casamento é no sábado e no domingo sempre tem alguma atividade com os noivos – pode ser um churrasco, um picnic ou apenas um dia com todos na praia. Todo mundo hospedado pela região, vira uma mini férias! 

Parece que é uma mega festa, né? Sim! Festa em castelo (de verdade) não é algo incomum. Mas tem o outro lado. Falando por experiência própria, o evento como um todo é mais relax, tudo com mais naturalidade, mais íntimo e em menor escala do que no Brasil – principalmente na parte da decoração e no look da noiva. A regra do menos é mais predomina. Até na lista de convidados. Uma festa dentro dos padrões comuns aqui não passa de 100 pessoas, considerado mini-wedding no Brasil!

Outra diferença é que o “faça você mesmo” é muito forte. As pessoas gostam de colocar a mão na massa, não porque elas não podem pagar para alguém fazer, mas porque elas querem ter algo feito por elas no dia. Aliás, essa coisa de pagar pra alguém fazer é coisa de brasileiro – empregada, manicure, etc…aqui é você mesmo que se vira – falo mais sobre isso em um futuro post!

Aqui já vi padrinho ajudando a recepcionar os convidados, dando uma de DJ na cerimônia, tudo na maior naturalidade. Natural também é você não ser chamado para a cerimônia e para o jantar e só para a festa. É super normal.O evento é dividido em duas partes e a lista de convidados também.

Casamentos são longos, duram por volta de doze horas – geralmente do meio dia à meia noite. Apenas as pessoas mais próximas são convidadas para o dia todo, que começa com a cerimônia.

Nas próximas duas ou três horas acontecem as fotos, os convidados se servem de champanhe e canapés até que chega a hora do jantar, que é seguido pelo discurso, momento mais importante depois da cerimônia. Pai da noiva, noivo e padrinhos tem a responsabilidade de não entendiar divertir os convidados e homenagear os noivos. Durante cerca de uma hora, todos ficam sentados prestando atenção. Quem está discursando só é interrompido por risadas e brindes de viva aos noivos! Quando anoitece, chegam os convidados da “reception”, da recepção, que é a parte da festa.

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Foto do nosso casamento no Brasil (não resisti!)

Abre parênteses para um mico dos meus primeiros meses de vida londrina: no primeiro casamento que fui, fomos convidados só para a recepção. Só que até então eu não sabia dessa divisão. Chegando ao lugar, não tinha muita comida, só uns salgadinhos típicos ingleses e as pessoas estavam comentando como o casamento tinha sido lindo. Lembro que só conseguia pensar: 1. como assim uma festa em um lugar chique desse só tem isso pra comer? 2. nunca me atrasei tanto para uma festa na vida! Fecha parênteses. 

Hoje que já sei do esquema acho bem a cara dos ingleses: prático e do tipo “o que vale é a consideração”. O que vale é o casal ter a consideração de te chamar para dividir esse momento com eles. Seja o dia inteiro ou a recepção. Sem contar que a parte da festa é muito divertida. Tem a dança dos noivos, o corte do bolo (sempre de verdade, nunca cenográfico) e a pista de dança – que sempre fica vazia no começo.  É que quase sempre inglês para dançar já tem que ter tomado umas pints. Repare em uma pista de dança no começo de uma festa de casamento e no final: TOTALMENTE diferente. 

Por falar em bar, se um dia for a um casamento na Inglaterra é provável que você tenha que pagar por sua bebida. Pois é, por aqui seria o cúmulo da falta de educação “passar a gravata”, mas é totalmente aceitável que o convidado pague pelas  bebidas no bar do casamento. Não é regra, mas pode acontecer. Afinal, bancar a conta de um bar para tantas pessoas (melhor, tantos ingleses!) exige muita grana.

O que você investe no bar economiza em presente – isso porque, na maioria das vezes, o casal já mora junto há anos, às vezes até já compraram sua própria casa. Não precisam de geladeira e fogão e nem presente caro. Por isso, um cartão com dinheiro em espécie é a forma mais comum de se presentear. E não é todo mundo que dá presente, mas é todo mundo que dá um cartão desejando felicidades aos noivos. Por que  o que vale é a consideração, lembra? 

Eu, Londres e quatro anos depois…

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Scawen Road e meu primeiro dia fora do Brasil 

Não faz muito tempo, alguns amigos postaram no Facebook fotos de despedidas no aeroporto. Eram fotos de pessoas que eles conheciam e que estavam deixando o Brasil para irem passar um tempo no exterior. Estados Unidos, Irlanda, Austrália…Ver aquelas fotos, de alguma forma, mexeu comigo. Me vi ali, naquele saguão de aeroporto, quatro anos atrás. E parei para pensar no quanto aquele passo foi importante. E no quanto eu nem imaginava que seria. A verdade é que ninguém sabe o que te espera do outro ladro do portão de embarque. Cruzar aquela linha é dar um passo para novas experiências, coisas que a gente vive e que podem nos mudar para sempre.

E não, você não precisa casar com um gringo para dizer que sua vida mudou. Mas inevitavelmente alguma coisa vai mudar. Na hora você não sabe, mas depois de quatro anos (comemorados hoje) já dá para fazer um bom balanço…

Acredito que a definição de “casa” vai ser a primeira mudança. Lembro que dias antes de viajar postei uma foto da rua onde eu iria morar e disse que estava empolgada para conhecer minha nova casa em Londres. Levou um tempo para eu perceber que Londres era tudo, menos minha casa.

Sim, aquele era meu endereço, mas fora daquelas paredes da casa 53 na Scawen Road, tudo era diferente. A cultura, a comida, as pessoas, o clima. Londres não era minha casa, mas era onde eu iria viver por um tempo e por isso queria aproveitar o máximo possível de tudo. A ficha uma hora caiu. E foi o empurrão que eu precisei para experimentar mais as coisas, e não estou falando só de chá com leite ou feijão no café da manhã.

Ter a consciência de que ali não é sua casa, é o primeiro passo para levar a vida de expatriado com mais leveza – tudo bem comparar o seu jeito de agir com o dos locais, só não vale se cobrar por não ser como eles ou eles como você. Você não vai se enturmar logo de primeira, vai boiar em muitas das piadas internas e ao falar da sua infância vai ter que achar assuntos de conversa que não envolvam Chaves – porque eles simplesmente nunca ouviram falar do programa.

A segunda fase é quando você vai aprendendo a conviver cada vez mais com as diferenças. Aprende a julgar menos (os outros e a si próprio). Aprende a, vejam só, defender o Brasil, e se livra de uma vez por todas daquele famoso complexo de vira-lata de que na gringa tudo é melhor. Não. As pessoas não são superiores porque nasceram em um país de primeiro mundo. No fim das contas, todo mundo tem seu lado bom e ruim. E estar longe faz você enxergar seu país como nunca antes. Dizem que na saudade tudo é mais bonito, e é verdade. Mas mesmo tirando a saudade você tem motivos para se orgulhar de onde você veio, o que é muito importante, afinal, faz parte de quem você é.

Depois de um tempo, se você ficar fora por tempo suficiente, você não só tem consciência de que não está em sua casa, mas aprende a lidar com as diferenças e cria vínculos com tudo que um dia pareceu ser de outro mundo. A comida, a cidade, a rotina…e, claro, as pessoas. É nessa hora que você percebe que, agora sim, aquele lugar também é sua casa e, mais do que isso, seu lar. A ficha cai de novo. Ao sair do Brasil você não mudou de casa, só ganhou mais uma.

Sobre morar em Londres

A grama do vizinho sempre é mais verde, né?  Quando eu falo para algum  brasileiro que um dia quero voltar a morar no Brasil, recebo olhares de surpresa e comentários de indignação do tipo: “vai vir fazer o que aqui?”, “Tá louca?”, “Coitado do Ben!”, “Queria eu ter a oportunidade que você tem”…e por aí vai.

Vira meio que uma conversa sem sentido, um lado tentando convencer o outro de que um ou outro lugar é melhor. Mas com o tempo a gente aprende que não tem melhor e nem pior, tudo depende do ponto de vista. Conheço muita gente que  mora aqui e quer voltar, assim como pessoas que não trocam Londres nem pela facilidade de se comer pão na chapa todo dia no Brasil.

Claro, hipocrisia seria falar que eu não valorizo todas as vantagens que tenho aqui em relação ao Brasil. Me sentir segura é a principal delas. Passar na frente do Big Ben + London Eye no ônibus indo para o trabalho é outra. É, quando lembro dos meus dias em ônibus lotados de Guarulhos até o metrô Tucuruvi, não tenho saudades de casa.

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Por outro lado, só quem mora há três anos longe da família sabe o valor que seu país tem. A  vida no Brasil pode ser diferente e mais difícil em alguns aspectos. Mas aqui não é tudo fácil,  não.

Por estar em um país estrangeiro, você tem que ralar muito mais para ter um bom emprego, por exemplo. Além de se esforçar mais para fazer novos amigos, lidar com preconceito (sim, faz parte às vezes) e lutar contra seu instinto tropical para não entrar em depressão no inverno e escuridão que tomam o país por seis meses no ano. Brinco que aqui não tem quatro estações, mas, sim, duas: inverno e primavera.

Claro que não é só dificuldade,  e muita coisa é compensada pelo tanto de lugares legais que Londres oferece, sem contar que sempre que dá a gente pode escolher passar um final de semana prolongado em outro país, o que é quase surreal para alguém que nunca tinha viajado para o exterior até março de 2012.

Portanto, sem essa de certo e errado, se cada um está feliz onde está, tudo certo.  Vida que segue e vamos ver o rumo que ela leva no futuro. Espero que o meu, daqui a alguns anos, seja acordar, colocar uma Havaianas, ir à padaria e pedir aquele pão na chapa que só as chapas gordurentas de padoca fazem igual.

5 ideias (erradas) que eu tinha sobre a Inglaterra

Hoje faz dois anos que desembarquei no Aeroporto de Heatrow pela primeira vez. E desde então minha vida (deu uma reviravolta) mudou mais do que eu poderia imaginar. Mudaram também alguns conceitos que eu tinha sobre a Inglaterra (e os ingleses). São eles:

1. É mais frio do que parece, mas as pessoas são menos frias do que se imagina. 

Os dias em Londres podem ser bem gelados – não tinha ideia do que era acordar e estar ZERO graus na rua – sim, porque dentro de casa tem aquecedor…ufa!. Mas Londres  não é tão cinzenta como dizem. Mesmo no inverno, o sol dá o ar da graça e traz dias lindos. Frios, mas lindos. Os ingleses também são menos frios do que se pensa. Acho que no Brasil a gente tem a ideia que eles são frios no sentido de cavalos grossos e sem paciência com turista. Mas não é bem assim. Sou suspeita para avaliar, mas tenho amigos que já vieram para cá e se disseram surpresos com a cordialidade e a simpatia britânica.

2. A culinária inglesa não se resume a “fish and chips”.

Sim. O peixe com batata frita (acompanhado de ervilhas e molho tártaro) é encontrado em qualquer pub na Inglaterra. Mas ele não é o único prato típico. Aliás, ouso dizer que mais típico entre os ingleses é o Sunday Roast Dinner, o jantar de domingo, preparado com carne/frango/carneiro assado, acompanhado de cenoura, brócolis, batatas ao forno, yorkshire pudding (algo no formato pastelzinho de belém mas com massa de batata), ervilha e muito graving, que é um molho delicioso.

3. Falar inglês britânico é mais difícil do que inglês americano.

Taí um dos pensamentos mais errados que eu tinha. Os britânicos falam mais certinho, as palavras são pronunciadas mais por completo e tem menos gírias do que o americano. Sim, o som é mais nasal e mais fechado…mas uma vez que você desacostuma o ouvido do sotaque americano escutado nos seriados da vida, é muito mais fácil de entender. Fora que depois você vai amar o sotaque para sempre!

4. Londres é muito cara.

Realmente. Morar aqui é muito caro em termos de locação de imóveis e transporte. Mas a cidade pode se dar ao luxo de cobrar caro pelo aluguel e o transporte funciona SEMPRE, então vale a pena. Fora isso, tudo (ou quase tudo) é mais barato que São Paulo – mesmo se você multiplicar por R$ 3, que era o valor da libra na época que vim. Aqui tem testaurantes superlegais por £50 (libras) a conta por casal, lojas, passeios, musicais, enfim, tudo o que você pode imaginar. E mais barato do que Sampa.

5. Morar em Londres é viver a cultura inglesa. 

Sim e não. Muitos ingleses trabalham em Londres, a cidade é cercada por pubs (um em cada esquina, no mínimo haha) e dá sim para respirar o estilo de vida britânico na capital. Mas Londres também é muito cosmopolita, tem gente do mundo todo MESMO. E estes imigrantes se misturam com os ingleses, deixando a cidade bem diversificada de pessoas. Sem contar os turistas por toda a parte. Por isso, visitar cidades pequenas da Inglaterra, ou bairros mais distantes do centro da capital é uma ótima forma de ter uma verdadeira imersão no estilo de vida inglês.

6. Conceito errado extra

O mais errado de TODOS: achei que vinha para ficar por dois meses. Já se vão dois anos!

E vocês, o que pensavam da Inglaterra e que depois de visitar o país mudaram de ideia?