Bate e volta na Itália: fim de semana em Cinque Terre

Quando uma amiga que mora no Brasil disse que iria passar um mês na Itália, eu sabia que tinha que dar um jeito de ir encontrá-la. Uma porque era mais uma desculpa para viajar, outra porque ter alguém do Brasil visitando é como ter perto de você um pedacinho de tudo aquilo que faz falta no dia-a-dia.

O desafio: não tínhamos mais dias de férias para tirar esse ano (passamos cinco semanas no Brasil em janeiro…oh delícia). O jeito foi ir e voltar em um final de semana. Pegar um vôo no sábado de manhã e voltar na segunda de manhã, vindo direto do aeroporto para o escritório. Parecia loucura? Um pouco. Estaríamos super cansados com duas noites madrugando para ir para o aeroporto? Sim. Valeria a pena? Com certeza!

A aventura

O encontro que inicialmente aconteceria em Milão aconteceu em Cinque Terre. E a escolha não poderia ter sido melhor! Para ser sincera, até a minha amiga me mostrar o roteiro dela com o nome ‘Cinque Terre’, eu nunca tinha ouvido falar do lugar. Aparentemente, não era tão popular até poucos anos atrás e depois li algumas matérias que se referiam às terres como o “paraíso escondido da Itália”. E que paraíso!

As Cinque Terre são cinco vilas (terres) à beira-mar, patrimônios históricos da Unesco, com trilhas que ligam as vilas umas às outras – carros são proibidos por lá, mas tem trem. Andar por essas vilas faz você se sentir perdido lá atrás no meio da história. A vila mais antiga, Monterosso, foi fundada no ano de 643, para se ter uma ideia.  Os outros quatro vilarejos são Riomaggiore, Vernazza, Corniglia e Manarola.  Como só tínhamos um dia por lá, pesquisei bastante e decidi que três delas não poderiam ficar de fora do dia: Monterosso, Vernazza e Manarola.

Mesmo com o tempo curto, conseguimos aproveitar bem. Nosso passeio aconteceu em um domingo de sol (23 graus, um luxo para primavera!). Tínhamos chegado em Pisa no dia anterior, depois de uma viagem super cansativa em que ficamos das 5h30 da manhã até às 12h esperando para embarcar em um vôo mega atrasado (Ryanair fail!).

Decidimos ir para Pisa porque é um dos destinos com aeroporto mais perto de Cinque Terre. Da estação central de trem de Pisa você pode fazer o trajeto de trem para Cinque Terre. Depois de pouco mais de uma hora de viagem, você estará em  La Spezia, cidadezinha de onde sai o trem que passa por todos os cinco vilarejos.  Passamos o sábado em Pisa, o que foi legal pois assim visitamos a famosa Torre de Pisa, e tivemos tempo de andar pela cidade. O tempo que passamos lá foi na medida certa.

No domingo pegamos o trem para La Spezia. De lá, compramos o ticket que dá direito a pegar os trens que circulam entre as terres (custa 12 euros por pessoa e  tem que validar em uma máquina que fica na estação, ou então pode ter de pagar uma multa de 50 euros por pessoa). Claro que como bons turistas, não validamos o nosso e por sorte o fiscal que checou nossos tickets era gente boa e não nos multou. Embarcamos no trem com destino à primeira terre: Monterosso. Chegamos lá e demos de cara com essa vista:

Depois de validar o bendito ticket, encontramos nossa amiga e fomos explorar o vilarejo. Andamos uma hora por lá, e estávamos os três sem palavras para descrever o lugar. Nessas horas o que você faz? Compra um gelato, óbvio!

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O primeiro gelato em Cinque Terre a gente nunca esquece
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Vista surreal, mas existe tá?

Algumas fotos tiradas depois, embarcamos no trem novamente com direção à quinta terre, a de Manarola. Diferente da primeira, Manarola tinha uma área de praia mais extensa, aliás, bem extensa. Várias pessoas sentadas nas pedrinhas fazendo piquenique, restaurantes e bares à beira-mar…o povo ali sabe aproveitar a vida! Andamos também pela cidadezinha de Manarola, com suas casinhas antigas e lojinhas vendendo limão siciliano por toda a parte.

Estávamos no começo de uma trilha que nos levaria à Vernazza quando ouvimos por acaso um grupo de brasileiras falando que “ah não, duas horas de trilha não dá”. Oi? Duas horas?. Checamos um mapinha no local e realmente era uma caminhada. Já era quase fim da tarde e não quisemos gastar todo esse tempo caminhando para chegar a outra terre, sendo que em 15 minutos de trem estaríamos lá. Acabamos deixando a trilha pra lá e pegamos o trem para Vernazza – um pouco contrariados, pois queríamos aquela vista do alto que a gente vê quando busca por Cinque Terra noGoogle. E sabíamos que tínhamos de estar no alto para ter aquela vista.

Vernazza logo nos impressionou (como se ainda fosse possível) pela sua beleza. Com certeza a mais bonita das terres que visitamos e acho que a mais bonitas de todas as terres. Ainda mais colorida, com um píer com bares e restaurantes, além de barcos que enfeitavam a paisagem. Do lado de fora das janelas das casas cheias de cor, varais com roupas penduradas, um contraste incrível.

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Vernazza e suas roupas brancas penduradas no varal 
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Píer em Vernazza com barquinhos e restaurantes

Mas a melhor surpresa, foi ver, entre as estreitas ruas próximas ao pier, uma escadinha de pedras que dava acesso à uma trilha. Dez minutos depois, lá estávamos nós, no topo de Vernazza (e com a vista que tinha nos levado a visitar as Cinque Terre).

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Vista do alto de Vernazza tão esperada!
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Dia delícia com a amiga e o marido que topa todas minhas aventuras! 

Depois disso, eu não precisava de mais nada! Sei que há a opção de visitar uma sexta terre em um passeio de barco que depois passa pelas outras terres. Sei também que as trilhas entre as terres devem render vistas incríveis, mas para quem passou pouco mais de oito horas no lugar, eu estava completamente satisfeita. Até hoje lembro da sensação de estar, em um domingo à noitinha, naquele pír em Vernazza, de frente para o mar, comendo uma lasanha deliciosa e apreciando um vinho local. Um cenário completamente diferente…Em poucas horas eu teria de estar em Londres trabalhando, mas naquele momento a realidade era um mero detalhe….

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Melhor lasanha da vida!
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Até agora não acredito que não trouxe um vinho desse pra casa!

Você já faz uma viagem curta mas que valeu a pena? Tem alguma história pra contar? Ficou com vontade de conhecer o lugar? Veja mais  informações no site oficial da Cinque Terre ou escreva para mim nos comentários. Ciao Bella!

Nota: texto originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo.

 

 

 

 

 

Diferentes perspectivas

Quando a gente está se preparando para voltar a morar fora, é comum nos dias que antecedem o embarque as pessoas te desejarem boa sorte e aquela coisa toda. E durante essas conversas com amigos e familiares, algumas frases chamam a atenção. Elas são ditas por pessoas que não fazem ideia do que é viver no exterior, nunca passaram por isso. E não é nem questão de o que elas disseram estar errado ou de as pessoas estarem erradas. Aliás, já houve momentos (e sei que haverão outros, é normal) em que pensei que essas pessoas, em sua “ignorância” de não saber o que é morar fora, é que estão certas. Certas por viverem em seu país, perto da família, com uma vida estabilizada, no cotidiano nosso de cada dia. Mas isso é assunto para outro post…

Por enquanto, bora comentar algumas coisas que ouvi por aí – sem maldade ou deboche, é bom que se diga. A ideia aqui é mostrar as diferentes perspectivas.

1.”Aproveita sua viagem”. Não parece que você foi lá comprou um pacote na CVC e está indo em um tour por alguma cidade? Sim, não deixa de ser uma viagem (bem longa, por sinal). Mas, não, não estou em férias. Nem é uma viagem com data de volta marcada, passeios turísticos e etc. É uma vida começando, no caso, recomeçando….portanto, achei engraçadinho os votos que ouvi (mais de uma vez) e entendi como um “tudo de bom nessa nova fase”.

2. “Você vai ficar lá para sempre?” Olha, da primeira vez que eu fui o planejado era ficar dois meses. Voltei depois de nove, namorando, e já com passagem marcada para Londres novamente. Ou seja, como li em algum lugar (e eu acredito) a vida é a arte de fazer planos para Deus refazê-los. Não dá para saber o que vai acontecer, onde o Ben e eu vamos nos estabilizar. Quem dera fosse fácil assim! Mas eu sei que a pergunta é só sinal de saudade, também vou sentir muita! Snif…

3. “Você já tem emprego lá?” Qualquer pessoa que fica um tempo longo fora de uma cidade vai ter que reconstruir sua vida do zero. Mandar currículo, ir em entrevistas, pedir indicações e tal… Tudo bonitinho como manda o figurino. A não ser que você seja O TOP na sua profissão a ponto de poder ligar na BBC e dizer que começa na segunda, rs. Mas eu com cinco anos de carreira nem tive tempo para chegar lá (e nem quero trabalhar na BBC anyway…). A pergunta nada mais é do que um sinal de preocupação, o que é fofo vai? 😉

Acho que estas três são as que mais me chamaram atenção e elas demonstram, na verdade, a curiosidade que algumas pessoas tem sobre a vida fora do Brasil. Mais um motivo para eu criar este blog. Só tenho a agradecer pela insipiração!