Como alugar uma casa em Londres

Alugar casa em Londres é uma missão. Não impossível, mas que exige muita procura, paciência e, às vezes, sorte. Depois de alguns anos de experiência, decidi fazer este post em formato de guia e compartilhar algumas dicas com quem está na procura. Começando pelo básico (custos, tipos de casas e áreas) até como negociar o valor do aluguel e aumentar as chances de ter sua oferta aprovada. Vamos lá?

1) Defina o orçamento
Parece óbvio, mas por ser Londres, uma cidade em que o aluguel é tão caro, esse é o primeiro passo. Seja realista e pense não só no que você quer, mas no quanto pode pagar. Existem vários sites de busca de imóveis (no final do texto vou deixar alguns links) que são um bom ponto de partida para você ter uma ideia de preços. De maneira geral, um apartamento de um quarto, na zona 2, não sai por menos de 1,200 libras o aluguel, mais as contas. Lembre-se que no primeiro mês você tem que pagar o aluguel adiantado e depósito (geralmente seis semanas).

Está fora do seu alcance? Você não está sozinho. Há muitas pessoas, muitas mesmo, que começam a vida na cidade morando em casas compartilhadas – você tem seu próprio quarto, mas divide a cozinha e a sala, às vezes, até o banheiro. Não é o ideal, mas é mais barato, especialmente porque quase sempre as contas já estão inclusas no valor do aluguel do quarto. Um quarto duplo, na zona 2 custa em média 900 libras por mês.

2) Qual a melhor área?
De uma maneira beeem generalizada, a zona oeste de Londres é mais residencial, no norte estão as áreas mais caras, enquanto o sul e o leste tendem a ser mais em conta e mais agitados, o leste principalmente é ótimo para um público mais jovem.

Mas a área em que você vai morar depende do seu orçamento e necessidade. Quanto mais perto da zona 1 você estiver, mais caro vai pagar. E menores os imóveis tendem a ser. Minha dica é colocar na balança os custos e os benefícios. Lembre-se que não só o aluguel será mais caro nas zonas centrais, mas o imposto (council tax) também. Por outro lado, se você trabalha no centro, vai gastar menos com o metrô já que Londres é dividida em zonas (1 a 6) e quantos mais zonas você atravessa para chegar ao centro, mais caro é. É tudo questão de colocar os gastos na ponta do lápis.

3) Explore novos bairros 
Não tenha medo de sair explorando por aí. Em sites como Rightmove, você pode colocar o valor que pode pagar, a área que deseja e terá todos os imóveis listados. Mas não se limite a isso. Você também pode pesquisar pela distância que a casa deve ser do seu trabalho, em tempo de viagem no metrô, por exemplo. Expandir suas possibilidades aumenta as chances de encontrar algo bacana.

4) Não se assuste com o que encontrar
O mercado imobiliário de Londres é uma loucura. Tem muita opção. Muita coisa boa, muita coisa que nem de graça você aceitaria. Sem exageros! Já fui visitar um “apartamento” que o aluguel era 1,000 libras por mês. Parecia um achado! Chegando lá, era uma garagem, literalmente, transformada em um quarto com uma cozinha minúscula. Foi a primeira e a última vez que marquei uma visita sem ver fotos antes. Tem também aqueles imóveis que na foto parecem lindos, você chega lá e está caindo aos pedaços, além de ser bem sujo. Prepare-se para encontrar muita coisa ruim até achar seu lar doce lar. Pode ser (e eu espero!) que você dê sorte, mas é cada coisa que a gente vê por aí…

5) Marcando sua primeira visita
Depois de algumas horas de busca online, você achou algo bacana e liga para uma imobiliária para marcar de ir ver. É aí que começa a segunda parte da aventura. Corretor aqui tem fama de ser o tipo de pessoa em que você não confia. Que me desculpem os certinhos, mas a fama muita vezes é justa. Principalmente com a dificuldade de marcar um horário para ver imóveis. Se eles tem um cliente em potencial, não vão te dar muita bola. Dizem que vão retornar a ligação para marcar um horário, mas nem sempre ligam. Não espere pela boa vontade alheia. Fique no pé se realmente tiver gostado do imóvel e não quiser perder para outra pessoa. Quanto antes você visitar o lugar, mais chances tem de fazer uma oferta na frente e alugar antes de outra pessoa. Já aconteceu de eu marcar uma visita e ter mais casais visitando a casa na mesma hora. Não achei muito legal, mas aparentemente aqui é até que comum.

6) Vi um imóvel, gostei e fiz a oferta. Já é meu?
Nem sempre. Depois da visita, é normal te falarem que tem mais gente interessada na mesma casa. Muitas vezes é verdade, aliás, tem muita gente procurando casa por aqui. Mas também pode ser papo furado só para te fazer oferecer um valor maior no aluguel. É comum haver uma negociação. Dica de quem já passou por isso: estabeleça um limite máximo que você pode pagar, mas nunca fale para o corretor o real valor. Sempre fale um pouco menos. Assim você tem como negociar. Ah, e desconfie se a negociação virar um “leilão”, em que sempre tem alguém oferecendo mais do que você. Lembre-se que o corretor está ali para fazer você pagar o máximo pelo imóvel. Se for pagar um depósito para segurar o imóvel até que sua oferta seja aceita, certifique-se que poderá ter o valor de volta caso a proposta não seja aprovada. Se isso acontecer, é hora de começar a busca tudo de novo…Caso a oferta seja aprovada, pule para o próximo tópico!

7) Quase lá…
Oferta aprovada, é hora de checar suas referências e seu crédito (o famoso credit check). Basicamente, a imobiliária quer saber se você pode pagar o aluguel, se está em situação legal no país, entre outras coisas. Mande todos os documentos para aumentar as chances de ter a oferta aprovada. Você paga uma taxa para eles verificarem suas referências e, se der tudo, certo, é só assinar o contrato e preparar a mudança.

Sites de busca:

  • Zoopla e Rightmove – Os mais tradicionais. Tem muitos imóveis, você pode salvar suas buscas e ter o aplicativo no celular também.
  • Find Properly – É mais focado para quem é novo em Londres ou não sabe a área que quer morar. Mostra os mercados que tem no bairro, por exemplo.
  • Open Rent  – Esse é bem legal porque você não paga as taxas da imobiliária, já que faz tudo direto com o landlord, ou seja, o dono do imóvel. Porém, não tem tantas opções como os outros acima.
  • Spare Room – O mais tradicional para achar quartos em casas compartilhadas

Espero ter ajudado com alguma informação e qualquer dúvida é só deixar nos comentários. E se eu puder te dar um último conselho: não desanime por conta dos preços ou do mercado competitivo. Londres vale a pena!

Post publicado originalmente no site Brasileiras pelo Mundo, para o qual colaboro mensalmente.