Por que janeiro tem fama de ser depressivo na Inglaterra? 

Quando decidi escrever sobre o que acontece no mês de janeiro aqui na Inglaterra, meu primeiro desafio foi: como fazer isso sem parecer muito negativa? Afinal, o mês já tem a fama de ser depressivo por si só.

Talvez o termo “depressivo” seja um pouco forte, mas é mesmo um mês mais chatinho por diversos motivos. Em poucas palavras, se dezembro é a sexta-feira dos meses, janeiro é a segunda. Não dá para falar sobre janeiro e não mencionar esse clima de fim de festa generalizado.

Não é só ponto de vista de expatriada, não. Pergunte a qualquer inglês e provavelmente terá a mesma resposta. Mas por que essa má fama? Vou falar aqui sobre minhas opiniões e talvez muita gente vai concordar comigo, talvez muita gente vai achar que sou exagerada. Em todo caso, parto do princípio que estamos todas no mesmo barco!

Manhãs de inverno: 7h30 da manhã e céu ainda escuro

Para início de conversa, o inverno ainda está longe de acabar. E vamos combinar que, se nem quem é inglês acha o inverno uma maravilha, eu, vindo de um país tropical, não sou obrigada a gostar, não é mesmo?

Além disso, muita gente gastou bastante dinheiro no mês anterior e está tendo que controlar mais os gastos, além do fato de todo aquele clima de festas, Natal e Ano Novo, ter chegado ao fim. O que sobra é o frio e um mês parado, sem muitos compromissos na agenda. Os dias são mais curtos e escuros por mais tempo – três da tarde parecem nove da noite – e não temos mais as luzes de Natal para nos animar.

O assunto é tão sério que, não só aqui, mas também em outros países, geralmente a terceira segunda-feira de janeiro é conhecida como Blue Monday, o dia mais depressivo do ano. É um dia que trata exatamente desse desânimo generalizado, por onde você anda e com quem você conversa, parece todo mundo estar no mesmo barco, meio pra baixo.

A ideia começou a circular em 2005, quando uma empresa de turismo afirmou ter identificado a data usando uma equação. Não se tem provas de que isso realmente seja verdade, mas sabe aquela coisa que, mesmo a gente não acreditando muito, nos afeta? Oras, se ao meu redor, entre um grupo de amigos ou colegas de trabalho, tá todo mundo falando que aquele é um dia ruim, aquela energia acaba pegando. Eu, hein!

Mas então, o que fazer para que janeiro não seja um mês down? Sou da opinião que o tipo de pensamento determina como vai ser seu dia, acho que o mesmo vale para o mês. Aqui entra aquela dose de positividade que a gente tenta mentalizar bem forte. Reclamar não adianta nada, então, vamos à luta!

Por exemplo, janeiro é o início do ano, uma ótima oportunidade para tirar do papel a famosa lista das resoluções de Ano Novo. E se você reclama que está sem dinheiro, que tal aproveitar para passar mais tempo em casa, preparando uma receita diferente ou lendo aquele livro que nunca teve tempo para ler? Dizem que as melhores coisas da vida são de graça. Pode parecer papo furado, mas depois da correria das festas de fim de ano, fins de semana no aconchego do lar não parecem uma ideia tão ruim assim.

Ainda não se convenceu de que janeiro pode ser um mês empolgante? Que tal fazer como muitos ingleses e se juntar ao movimento do Dry January?

Um mês sem beber: o Dry January

Ou janeiro seco, traduzindo literalmente para o português. É um projeto que envolve saúde e caridade ao mesmo tempo. Muitos ingleses dão uma pausa nos pints (veja abaixo) e pedem doações em apoio a uma causa – o dinheiro é doado para caridade, claro. A ação é bem forte na Inglaterra, começou em 2012 com uma inglesa que decidiu parar de beber por um mês depois das festas de fim de ano e viu muitos benefícios. Algum tempo depois, ela levou a ideia para a Alcohol Concern, uma instituição que alerta sobre os riscos do álcool (lembrando que aqui as pessoas bebem muito, um copo de cerveja, o “pint”, tem 568ml).

O projeto cresceu tanto que, hoje em dia, tem até um aplicativo para você medir os efeitos de ficar sem álcool por um mês e milhões de pessoas já participaram, de acordo com o site oficial. Ainda de acordo com o site, 79% das pessoas afirmam terem economizado dinheiro e 49%, terem perdido peso.

Há quem diga que ficar um mês sem beber é o pior pesadelo, há quem diga que é a melhor coisa da vida. Os curiosos só vão saber se um dia tentarem, não é mesmo? Mas não há dúvidas que a ideia pode trazer um desafio a este mês que tem a fama de ser tão chato.

Seja como for, sem dúvida, é um desafio e talvez uma forma de começar o ano de maneira mais positiva, ajudando os outros e cuidando mais da saúde.

E então, qual é a sua ideia para tornar janeiro mais atraente? Ou, se você gosta do mês, escreva nos comentários.

 

Inverno em Londres: a realidade nua e crua

Semana passada estava procurando uma foto boa minha e do Ben em que não estivéssemos com roupas de frio. Não achei.

Morar em Londres tem lá suas (muitas) vantagens. Confesso que mesmo depois de quase três anos aqui ainda me pego na rua observando a cidade funcionar em sincronia e fico admirada.Não sei o que é pegar trânsito, não sei mais o que é pular no ônibus porque o motorista passou com tudo num buraco e, vou te falar, quando eu voltar para São Paulo talvez demore alguns dias para eu ter a mesma agilidade e conseguir um lugar para sentar no metrô no meio do empurra-empurra. Aqui a vida flui tranquilamente. E a tranquilidade de ir e vir é apenas um dos pontos positivos de morar em Londres.

Mas morar no UK também tem seus contras. O primeiro é a saudade da família, obviamente. O segundo é o clima. Gente! É MUITO FRIO- CINZA-E-CHUVOSO ao mesmo tempo.  Taí. Se Londres tinha tudo para ser perfeita, ela falha no tempo. O inverno aqui não é daqueles rigoroso, de nevar horrores. Nem sempre neva, na verdade, mas o frio e a garoinha são constantes. Ok, tem dias ensolarados e lindos também, em que a gente nem se importa com o frio, mas ultimamente não tá rolando. Esse final de semana que passou eu nem me dei ao trabalho de sair de casa . Você olha pela janela e tá aquele céu cinza, as árvores quase sendo arrancadas do chão de tanto vento, e simplesmente não dá vontade de sair de perto do aquecedor nosso de cada dia. Junta-se a isso um milhão de tarefas para fazer em casa + um monte de seriados para assistir, pronto, a receita para hibernar.

Eu, confesso, adoro ficar em casa. O Ben já não gosta tanto e me fez prometer que no próximo final de semana faremos alguma coisa outside. Eu topei, desde que seja antes das 16h (já contei que aqui escurece as 16h no inverno?). Pois é.  Tem sol das 8h às 16h, se quiser.

Londres é ótima em muitos sentidos, mas quem está pensando em vir morar aqui ou passar uma temporada deve considerar o clima, porque é algo que realmente influencia no seu dia-a-dia. Não é à toa que é o tópico favorito dos ingleses. Duvido você ficar um dia em Londres sem ouvir alguém comentando do tempo. Se tá bom é porque temos que aproveitar. Se tá ruim é porque é Londres e, well, aqui o tempo é assim mesmo.

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Brrrrrr....
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