Um mês em casa

É a primeira vez que posto de um lugar que não seja de casa, do meu computador. Aliás, essa palavra “casa” passa a ter mais de um significado a  cada dia.

Estou no aeroporto, indo para o Brasil visitar a família, ver os amigos e aquela coisa toda que a gente adora e faz uma vez por ano (no meu caso).

E disse que o significado de casa está vez mais relativo porque, vejam vocês, sinto como se estivesse deixando a minha casa pela primeira vez desde que vim para o UK.

Mas também, né? Dá para entender. Faz pouco mais de um mês que o Ben e eu alugamos um apartamento bem piquititico – mas que é nosso canto. E isso não tem preço (ou tem um bem carinho mas que vale a pena).

Pois então é assim, saindo de casa, que em precisos 32 minutos estarei voando rumo à casa-mor, digamos assim.

É bom desse jeito, partir com a sensação de que tenho meu cantinho para voltar. Sim. Porque um dia iremos para o Brasil de vez, mas até lá, meu lugar é mesmo aqui.

Brasil, aí vou eu!

 

News!

London By Nath_BO

Para quem leu minha bio aqui no blog, peço desculpas, pois faltou incluir uma coisa: sou uma pessoa muito enrolada. Tanto que fiquei MESES sem postar nada aqui esperando o meu novo blog entrar no ar. Aí ele entrou e mesmo assim demorei uns dias para avisar vocês. É a correria diária, porque se Londres não para, olha, eu também não!

Mas sim. O blog também estará hospedado no site do jornal para o qual eu escrevo aqui em Londres, o Brasil Observer.
O endereço é: www.http://brasilobserver.co.uk/londonbynath
Adorei receber o convite deles por dois motivos:
1. Me obriga a ser mais frequente nos posts
2. Me deixa mais próxima da comunidade brasileira daqui que já conhece o jornal.

E se você ainda não conhece, dá uma passadinha lá 😉

Continuarei com esse blog que é meu primeiro filho, e vou atualizando aqui e lá. See you soon então, combinado?

 

5 ideias (erradas) que eu tinha sobre a Inglaterra

Hoje faz dois anos que desembarquei no Aeroporto de Heatrow pela primeira vez. E desde então minha vida (deu uma reviravolta) mudou mais do que eu poderia imaginar. Mudaram também alguns conceitos que eu tinha sobre a Inglaterra (e os ingleses). São eles:

1. É mais frio do que parece, mas as pessoas são menos frias do que se imagina. 

Os dias em Londres podem ser bem gelados – não tinha ideia do que era acordar e estar ZERO graus na rua – sim, porque dentro de casa tem aquecedor…ufa!. Mas Londres  não é tão cinzenta como dizem. Mesmo no inverno, o sol dá o ar da graça e traz dias lindos. Frios, mas lindos. Os ingleses também são menos frios do que se pensa. Acho que no Brasil a gente tem a ideia que eles são frios no sentido de cavalos grossos e sem paciência com turista. Mas não é bem assim. Sou suspeita para avaliar, mas tenho amigos que já vieram para cá e se disseram surpresos com a cordialidade e a simpatia britânica.

2. A culinária inglesa não se resume a “fish and chips”.

Sim. O peixe com batata frita (acompanhado de ervilhas e molho tártaro) é encontrado em qualquer pub na Inglaterra. Mas ele não é o único prato típico. Aliás, ouso dizer que mais típico entre os ingleses é o Sunday Roast Dinner, o jantar de domingo, preparado com carne/frango/carneiro assado, acompanhado de cenoura, brócolis, batatas ao forno, yorkshire pudding (algo no formato pastelzinho de belém mas com massa de batata), ervilha e muito graving, que é um molho delicioso.

3. Falar inglês britânico é mais difícil do que inglês americano.

Taí um dos pensamentos mais errados que eu tinha. Os britânicos falam mais certinho, as palavras são pronunciadas mais por completo e tem menos gírias do que o americano. Sim, o som é mais nasal e mais fechado…mas uma vez que você desacostuma o ouvido do sotaque americano escutado nos seriados da vida, é muito mais fácil de entender. Fora que depois você vai amar o sotaque para sempre!

4. Londres é muito cara.

Realmente. Morar aqui é muito caro em termos de locação de imóveis e transporte. Mas a cidade pode se dar ao luxo de cobrar caro pelo aluguel e o transporte funciona SEMPRE, então vale a pena. Fora isso, tudo (ou quase tudo) é mais barato que São Paulo – mesmo se você multiplicar por R$ 3, que era o valor da libra na época que vim. Aqui tem testaurantes superlegais por £50 (libras) a conta por casal, lojas, passeios, musicais, enfim, tudo o que você pode imaginar. E mais barato do que Sampa.

5. Morar em Londres é viver a cultura inglesa. 

Sim e não. Muitos ingleses trabalham em Londres, a cidade é cercada por pubs (um em cada esquina, no mínimo haha) e dá sim para respirar o estilo de vida britânico na capital. Mas Londres também é muito cosmopolita, tem gente do mundo todo MESMO. E estes imigrantes se misturam com os ingleses, deixando a cidade bem diversificada de pessoas. Sem contar os turistas por toda a parte. Por isso, visitar cidades pequenas da Inglaterra, ou bairros mais distantes do centro da capital é uma ótima forma de ter uma verdadeira imersão no estilo de vida inglês.

6. Conceito errado extra

O mais errado de TODOS: achei que vinha para ficar por dois meses. Já se vão dois anos!

E vocês, o que pensavam da Inglaterra e que depois de visitar o país mudaram de ideia?

 

Hoje é Dia da Panqueca!

Uhu!! É hoje! Talvez a data comemorativa que eu mais gosto no UK ! Hoje é o Dia da Panqueca e por aqui supermercados colocam ingredientes para panqueca em promoção, com cartazes relembrando que nesta terça-feira é dia de se matar de comer se deliciar com muito doce.

Essa tradição é quase (só quase) igual ao Carnaval no Brasil. Ela marca o início de um período de abstinência, e enquanto alguns aí festejam ~loucamente~ pelas Avenidas e correndo atrás de trios elétricos da vida, alguns aqui aproveitam para comer panquecas.

O Pancake Day é o último dia antes da Quaresma, religiosamente no Reino Unido considerado um período de abstinência de açúcar, gordura e ovos. Por isso que um dia antes (hoje) muita gente se esbalda porque doce agora só na Páscoa.

É óbvio que esse não é o meu caso (risos) mas nem por isso eu vou deixar de comer panqueca, né?

Ah, vale esclarecer que panqueca aqui não é salgada igual no Brasil. É doce. Lembra um crepe e pode ser recheada com infinitas opções, como Nutella e morango, banana e sorvete, um creme de limão com açúcar (minha preferida) e por aí vai.

Em Londres, o dia de hoje é levado a sério. A cidade tem vários eventos, entre eles “corrida de panquecas” onde as pessoas saem correndo pelas ruas virando panquecas em frigideiras e até um desafio de quem consegue comer 12 panquecas em 15 minutos. Tudo para marcar a data e também arrecadar dinheiro para instituições de caridade.

Já eu vou saboreá-las só mais tarde, em um jantar na casa da minha sogra. Ano passado passamos este dia juntos e agora que estou aqui acho que vamos transformar em uma tradição! hehe

Então depois eu posto as fotos do meu Pancake Day (ou Pancakes Day – minha versão de nome para a data, já que é dia de comer muita panqueca e não uma só haha). O Ben até deixou um bilhetinho me lembrando (como se precisasse) da data!

Happy Pancake Day / Carnaval to you all!

Bilhetinho de Pancake Day

A temida imigração da Inglaterra

Hoje faz uma semana que embarquei com destino ao Reino Unido e tem tanta coisa para falar que fiquei pensando sobre o que escrever. Aí me dei conta de que a primeira coisa que me perguntam é se foi tudo bem na imigração. E também me dei conta de que foi por conta da bendita que eu vim para em Londres (sim, acreditem!). Ok, imigração it is then.


Posso dizer que a da Inglaterra é bem chata. Mas pode ser bem legal também. Aliás, como eu disse, eu vim para Inglaterra por causa da imigração. O meu plano A era ir para os Estados Unidos mas perderia muito tempo até que eu conseguisse juntar toda a documentação necessária para aplicar para o visto. Mesma coisa com o Canadá (que era uma opção mais barata e, na época, cogitável, digamos assim). Aí eu fui na agência de intercâmbio de uma conhecida e ela me perguntou: “por que você não vai para Londres? Lá não precisa de visto”. Foi com exatamente estas palavras que ela fez a sugestão que iria mudar minha vida.

Para vir para Londres, realmente, você pode não precisar de um visto. Tudo depende do tempo de permanência no país. Turistas e estudantes visitantes podem ficar no Reino Unido por até 6 meses e recebem o visto quando chegam no aeroporto. Isso é bom e ruim. Bom porque não tem a burocracia toda do visto e ruim porque nada garante que o oficial da imigração vai deixar você entrar no país.

Fato é que em comparação com outros países da Europa que visitei, os ingleses são bem chatos. Eles pedem documentos, querem ver se você tem a passagem de volta para casa, dinheiro, onde ficar, etc, etc…Na França eles só estamparam meu passaporte sem o oficial nem olhar para minha cara direito.

No Reino Unido eu entrei como estudante visitante por duas vezes – a primeira vez foi ok, a segunda nem tanto (eles implicaram comigo na entrevista e me deram um tempo menor de permanência). E agora que vim pela terceira vez tenho o visto de esposa, então foi bem mais tranquilo.

Em meio a todas estas experiências imigratórias, ouvi casos de familiares de brasileiros que moram aqui e foram barrados, pessoas que vieram para cá demonstrando que não tinha nada que as prendesse no Brasil, ou que não tinham dinheiro suficiente para se manterem como turista em uma cidade tão cara.

Assim como presenciei um caso no aeroporto de Heatrow de uma mulher cuja os oficiais não foram muito com a cara. Eu inclusive estava ajudando-a na tradução da conversa com um jovem oficial que estava sendo treinado por sua supervisora. O cara era simpático e estava tentando ser gentil, já a mulher ficou irritada porque a brasileira não tinha os documentos em mãos, só entregou o passaporte para o oficial da imigração e disse algumas coisas em português esperando que isso bastasse.

Então, depois de sentir na pele o que é a imigração inglesa e de ouvir tantas histórias, só posso dizer que tentar manter a calma e estar preparado e ter os documentos organizados é o ideal, além de ser muito, mas muito educado. Não tente fazer piadinha com o oficial nem banque o esperto. Entregue tudo o que tiver para provar que tem como se manter enquanto estiver em Londres (comprovante de dinheiro e hospedagem) e também que vai voltar para o Brasil (passagem de volta, comprovante de emprego, etc). Responda apenas o que lhe for perguntado e não tente falar em português com o oficial da imigração esperando que ele entenda. Faça algum sinal de que não entende inglês e eles irão arranjar algum funcionário ou alguém que está na fila para te ajudar.

Do mais, keep calm e aproveite a viagem!

I’m going on an adventure!

Uma aventura. Another one. Em Londres.  Pois é, minha gente, chegou a hora de retomar a vida na cidade que eu fui para visitar por dois meses e agora estou indo de mala e cuia – levando até o box do Friends na mala, porque vai que…né? Algumas coisas são essenciais.

Levo também na mala a ansiedade de chegar e encontrar o Ben no aeroporto me esperando, de calçar a minha bota de inverno e seguir back home para lá encontrar tudo do jeitinho que deixei. Ou quase. Não é possível que um lugar tenha permanecido inalterado durante estes cinco meses em que estive fora. Por”fora” leia-se no Brasil.

Foram cinco meses de vida na pátria amada, totalmente diferentes de quaisquer outros, sei lá, cinco minutos que eu já tenha passado aqui antes de ter embarcado nessa aventura que é a vida no exterior pela primeira vez. Coisa que eu preciso parar, aliás, é de contar vezes. Como se tivesse uma vida por vez em cada lugar. Uma vez a gente vive aqui e da próxima a gente vive lá. Não dá.

A vida agora é uma só, igual a de todo mundo, a diferença é que ela não se estabiliza tão já. Se divide entre Brasil e Inglaterra, assim como minhas relações com as pessoas, com a cultura, a comida e as memórias de cada país…tudo se divide e nada pode ser substituído em nenhum dos dois lugares, é bom que se diga.

E cá estou eu embarcando em mais uma aventura. E por mais que eu tenha gravado na cabeça a visão que vou ter da cidade na janelinha do avião, dizendo mentalmente para mim mesma “olha, ali é tal coisa” ou até mesmo que saiba de cor as ruas que passarei no caminho de volta para casa, não me vem à cabeça a mais vaga ideia de como será esta nova fase em Londres.

As pessoas me perguntam: mas você já tem trabalho? o que vai fazer lá? vão vir morar no Brasil quando? e quando forem comprar uma casa, onde vai ser? a vida de vocês vai ser sempre assim?

Povo questionador esse que eu conheço (risos). Pois, olha, a maior verdade DA VIDA é: não sei. Se tem uma pergunta que eu posso responder é que eu espero que a nossa vida seja sempre (e para sempre) assim, entre aqui e lá. Afinal, eu vou sempre ser brasileira e o Ben sempre inglês e isso sim não dá para mudar! Então pronto! Tenho uma pergunta respondida. As respostas das outras virão com o tempo. Tudo o que for interessante e acontecer até lá, vocês acompanham nesse blog.

É por isso que decidi levá-lo na mala” junto comigo: um caderno de anotações, com páginas e mais páginas em branco para gravarem momentos de uma história que está só começando. Pela terceira vez.

Diferentes perspectivas

Quando a gente está se preparando para voltar a morar fora, é comum nos dias que antecedem o embarque as pessoas te desejarem boa sorte e aquela coisa toda. E durante essas conversas com amigos e familiares, algumas frases chamam a atenção. Elas são ditas por pessoas que não fazem ideia do que é viver no exterior, nunca passaram por isso. E não é nem questão de o que elas disseram estar errado ou de as pessoas estarem erradas. Aliás, já houve momentos (e sei que haverão outros, é normal) em que pensei que essas pessoas, em sua “ignorância” de não saber o que é morar fora, é que estão certas. Certas por viverem em seu país, perto da família, com uma vida estabilizada, no cotidiano nosso de cada dia. Mas isso é assunto para outro post…

Por enquanto, bora comentar algumas coisas que ouvi por aí – sem maldade ou deboche, é bom que se diga. A ideia aqui é mostrar as diferentes perspectivas.

1.”Aproveita sua viagem”. Não parece que você foi lá comprou um pacote na CVC e está indo em um tour por alguma cidade? Sim, não deixa de ser uma viagem (bem longa, por sinal). Mas, não, não estou em férias. Nem é uma viagem com data de volta marcada, passeios turísticos e etc. É uma vida começando, no caso, recomeçando….portanto, achei engraçadinho os votos que ouvi (mais de uma vez) e entendi como um “tudo de bom nessa nova fase”.

2. “Você vai ficar lá para sempre?” Olha, da primeira vez que eu fui o planejado era ficar dois meses. Voltei depois de nove, namorando, e já com passagem marcada para Londres novamente. Ou seja, como li em algum lugar (e eu acredito) a vida é a arte de fazer planos para Deus refazê-los. Não dá para saber o que vai acontecer, onde o Ben e eu vamos nos estabilizar. Quem dera fosse fácil assim! Mas eu sei que a pergunta é só sinal de saudade, também vou sentir muita! Snif…

3. “Você já tem emprego lá?” Qualquer pessoa que fica um tempo longo fora de uma cidade vai ter que reconstruir sua vida do zero. Mandar currículo, ir em entrevistas, pedir indicações e tal… Tudo bonitinho como manda o figurino. A não ser que você seja O TOP na sua profissão a ponto de poder ligar na BBC e dizer que começa na segunda, rs. Mas eu com cinco anos de carreira nem tive tempo para chegar lá (e nem quero trabalhar na BBC anyway…). A pergunta nada mais é do que um sinal de preocupação, o que é fofo vai? 😉

Acho que estas três são as que mais me chamaram atenção e elas demonstram, na verdade, a curiosidade que algumas pessoas tem sobre a vida fora do Brasil. Mais um motivo para eu criar este blog. Só tenho a agradecer pela insipiração!