Como solicitar ou renovar o visto de esposa na Inglaterra

Meses atrás, escrevi um post que falava sobre alguns detalhes do processo para renovação do visto e teve muita gente que ficou chocada com tamanha burocracia. Mesmo já acostumada com as regras, confesso que, solicitar ou renovar visto é sempre estressante. Aquela insegurança do tipo “será que está tudo certinho?” é a pior coisa.

Então decidi compartilhar por aqui o ­processo que estou passando para renovar meu visto e como fiz para conseguir o meu primeiro visto de esposa. Lembrando que tudo o que eu falar vale para quem é casada com britânico – visto para esposa de europeu é uma história totalmente diferente. Claro que a regra é a mesma se você é brasileiro e casada com uma britânica. Só vou me referir ao meu esposo por ser a minha experiência. Ah, também lembrando que não sou especialista em imigração, por isso entrevistei a Laura Morales, da Morales Advisory Services, para me ajudar a escrever esse texto. Mesmo assim, é necessário checar as informações no site do Home Office antes de solicitar o seu visto pois as regras sempre mudam.

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Formulário de aplicação: páginas e mais páginas…
  1. Quem pode solicitar o spouse visa?

Além de ser casada com uma pessoa que nasceu ou se naturalizou cidadã do Reino Unido, existe uma série de exigências básicas para solicitar o visto. A solicitação é dividida em três partes: familiar, financeira e residencial. Vocês precisam provar que: são um casal de verdade, têm condições financeiras para se sustentarem, têm um lugar para morar ou que já moram juntos.

  1. De onde é feita a solicitação?

Você pode solicitar o visto no Reino Unido ou no Brasil. Quem veio para o Reino Unido com visto de noiva e casou aqui, pode solicitar o visto de esposa sem sair do país. O visto será válido por 30 meses. No meu caso, como eu casei no Brasil, tive de solicitar de lá mesmo; meu visto é de 33 meses. Depois desse período, você renova o visto para ficar por mais 2 anos e meio no país até que o tempo total de permanência com o visto seja de cinco anos.

  1. Quais os documentos necessários?

– Certidão de casamento e tradução juramentada (caso esteja em português): É obrigatório ter um tradutor juramentado para fazer a tradução, caso o casamento tenha sido no Brasil.

– Holerites e extrato bancário da conta do seu esposo dos últimos seis meses antes da data da solicitação: Os documentos devem provar a renda mínima necessária que seu marido deve ganhar, que é de 18.600 libras por ano. Caso tenha mais algum dependente, o valor aumenta. Além dos holerites, é sempre bom mandar uma carta do empregador de vocês confirmando que tal pessoa trabalha em tal empresa e recebe o salário X.

– Comprovante de endereço dos últimos seis meses: Se for seu primeiro visto, o comprovante de endereço do seu esposo já vale. Se for renovar o visto, é necessário mandar comprovante de endereço em seu nome também para provar que vocês moram juntos. Contrato de aluguel, contas de água, luz, carta de banco, de hospital, do HMRC -Her Majesty’s Revenue and Customs (Departamento não ministerial do governo britânico) e de outras insituições “oficiais” são aceitos. Durante minha consulta na Morales Advisory Services, peguei uma dica importante: a de mandar comprovante não só dos últimos seis meses, mas de todo o período que morei no país tendo o visto, ou seja, quase dois anos e meio. Cinco comprovantes de cada ano já são suficientes. Além, claro, de um para cada mês pelos últimos seis meses. Se não tiver, vá até o seu banco e peça para eles imprimirem algumas correspondências antigas. Mas se ainda faltar um tempo para a sua solicitação, um conselho: comece a guardar cartas que recebe desde já!

– Passaporte: Original, tanto o seu quanto o do seu marido. Se ele não puder enviar o original, mande a cópia de todas a páginas e explique o motivo.

– 2 fotos de passaporte: O item mais simples de todos!

– Certificado de inglês para provar que vocês podem se comunicar um com o outro: O certificado não precisa ser de um nível avançado, mas é necessário. No site do Home Office tem todos os centros autorizados onde você pode marcar sua prova.

– Qualquer prova extra do relacionamento de vocês: Outra dica da Laura, da Morales Advisory Services, é: “sempre tente acrescentar alguma prova extra do relacionamento do casal, como fotos, especialmente para quem casou recentemente”. O Home Office quer provas de que a união não se trata de uma fraude. No nosso caso, pedimos para nossos amigos e parentes escreverem uma carta alegando tal fato, mandei fotos da cerimônia de casamento, fotos da lua de mel, fotos nossas em família, conversas no WhatsApp e também e-mails.

  1. Quanto custa?

Solicitações feitas do Reino Unido:

£ 811 – taxa de solicitação

£ 500 –  taxa do NHS, serviço nacional de saúde – essa taxa é paga no momento da solicitação

£ 500 – serviço premium (caso queira receber o visto no mesmo dia)

£ 19,20 – exame biométrico (feito nos correios)

Solicitações feitas do Brasil:

£ 1.195 – taxa de solicitação

£ 600 – taxa do NHS

£ 500 – serviço premium

  1. Quanto tempo leva?

Solicitações feitas no Reino Unido: em média, oito semanas. Com o serviço premium, o visto sai no mesmo dia e você entrega a documentação pessoalmente.

Solicitações feitas no Brasil: até três meses, sendo que o serviço premium diminui o tempo de espera para três semanas.

  1. Como solicitar?

Agora que já sabe dos custos e da documentação necessária, entre no site do Home Office (links abaixo) e baixe o formulário de solicitação. No mesmo site você deve pagar a taxa do NHS. Preencha todos os dados do formulário e junte todos os documentos, que devem ser originais. Quando eu solicitei do Brasil, marquei um horário pelo site e fui até o escritório do Home Office entregar toda a papelada e tirar as impressões digitais. Semanas depois, o meu passaporte chegou em casa junto com os meus documentos de volta.

Desta vez, irei mandar tudo pelo correio e semanas depois devo receber uma carta me pedindo para ir ao Post Office tirar as impressões digitais. E aí é só aguardar! Quem quiser também pode pagar a mais para ter o serviço mais rápido e ir até um Premium Service Centre entregar sua documentação. Veja mais informações nos links abaixo:

Solicitando o visto pela primeira vez

Renovando o visto

Lista com locais para fazer o teste de inglês

Taxa do NHS

Premium service centres (tempo de espera reduzido)

Espero ter ajudado e se tiver mais alguma dúvida, escreva para mim nos comentários que com certeza tentarei responder!

Texto originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo.

Dia histórico (e triste) na Inglaterra

O Reino Unido está fora da União Europeia, e o que isso muda na minha vida? Em um primeiro momento, nada. Ao mesmo tempo, muita coisa. Nada porque como não tenho passaporte europeu, já enfrento as rígidas regras de imigração para morar aqui. Para mim, não vai ser novidade o UK tentar fechar as portas na minha cara. Já lido com isso desde 2014, quando apliquei para o meu visto de esposa.

Mas, como eu disse, ao mesmo tempo, muda muita coisa. Esse talvez seja o post mais pessoal que eu já escrevi aqui, mas sinto que se eu não falar nada, vou explodir! De choque, de indignação, de tristeza mesmo. Desde que eu mudei para o UK eu sempre brinco com a minha família que “a rainha não me quer aqui, mas vai ter de me engolir”, em tom de brincadeira mesmo. Claro que estou me referindo ao Home Office e às centenas de páginas de documentos (e de libras) que preciso juntar para ter o direito de morar aqui. Mas digamos que esse é um jeito engraçadinho que encontrei de dizer para os meus avós, por exemplo, que sim, existem dificuldades ao morar longe do Brasil.

Até então, era o governo me dizendo que eu não era bem-vinda. E fazendo as regras de imigração cada vez mais difíceis de se cumprir. Para vocês terem uma ideia, estou prestes a renovar o meu visto de esposa por mais dois anos e meio e isso me custará:

£ 811 – taxa da aplicação para eles analisarem meus documentos e renovarem o visto.

£ 500 de taxa do NHS – o Sistema de saúde público daqui, que agora pede que imigrantes paguem uma taxa para usarem o serviço que é PÚBLICO. Sim, eu tenho de pagar essa taxa mesmo já pagando imposto normalmente como qualquer inglês. Pago duas vezes.

£400 – se eu quiser fazer a aplicação pessoalmente ao invés de pelo correio (o que talvez vou precisar, porque preciso do meu passaporte para ir para o Brasil no Natal).

£ 150 – para fazer uma prova oral de inglês e “provar” (a prova só dura 10 minutos) que eu consigo me comunicar com o meu marido. Mesmo eu trabalhando em uma empresa internacional e eles sabendo disso. Mesmo eu tendo feito uma prova de inglês avançado da Universidade de Cambridge e ter passado, apenas três anos atrás. Acho que eles acreditam que é possível desaprender uma língua em três anos mesmo morando e trabalhando no país!

£19 – tirar impressões digitais no correio

£ indefinido – uma porcentagem do valor aplicação paga ao correio para eles mandarem uma ordem de pagamento para o Home Office. O formulário dá a opção de pagar por cartão de crédito e você preenche os dados do cartão e eles lá fazem o pagamento. MAS a pessoa que está me ajudando com o visto disse que já viu vários casos em que os dados do cartão não eram aceitos e eles devolviam a aplicação para a pessoa fazer de novo. E se o visto já tivesse expirado, a pessoa tinha que voltar para o país de origem e aplicar de lá. Claro que não quero correr o risco e vamos pagar para o correio mandar a tal ordem de pagamento.

Enfim, o objetivo do post não é falar das regras do meu visto, que ainda incluem documentos para provar que nosso casamento não é uma fraude, que o Ben ganha o suficiente para me sustentar e abrir mão dos direitos dele como cidadão inglês por ser casado com uma brasileira, entre outras coisas. Como dá pra ver, para eu conseguir ter o direito de morar aqui já é um sufoco para nós. E por isso eu dou risada quando amigos comentam: nossa, eu achava que por vocês serem casados você não precisava de nada disso!

Então por que o Brexit me deixou tão triste? Em poucas palavras, porque antes era o governo me falando que eu não era bem-vinda. Agora são as pessoas. 52% da população do Reino Unido votou para que o país deixasse a Uniao Europeia e apesar das questões econômicas envolvidas, o foco da campanha era a imigração. Existem muitos europeus morando aqui e os ingleses reclamam que eles roubam as vagas de emprego e usam os hospitais e as escolas e etc.

Então, meu amigo, se ontem pessoas por Londres tinham adesivinhos colados na roupa dizendo “I’m in!” e o clima era de que poderíamos vencer essa, hoje o clima é de ressaca. Muita gente me disse “o problema não é você, você é bem vinda aqui”, mas ao mesmo tempo reclamam do tanto de europeu que mora aqui. Uma coisa que eles não entendem é: estamos todos no mesmo barco. O Brexit me afetando ou não, sou imigrante e sinto que o país escolheu virar as costas para mim. E para todos os meus amigos europeus e brasileiros com passaporte europeu. Vamos todos nos dar um abraço? 🙁

Sem contar os problemas econômicos que isso pode trazer – não sou especialista, mas de tudo o que li, as previsões não são boas. Tenho medo ainda de o país ficar mais vulnerável ao terrorismo. Posso estar exagerando aqui,  mas li uma matéria na BBC semanas atrás que questionava a mesma coisa. E para quem convive com a ideia de que o alerta de terrorismo no país está em um nível super alto, escolher ficar sozinho não me parece uma boa ideia. Ainda que seja uma questão econômica. Ainda que existam organizações para ajudar o país caso algo aconteça, ainda que isso ou aquilo. Ainda que não tenha nada a ver, ainda acredito que juntos somos mais fortes, que pena que mais da metade da população não pensa assim.

Também é triste pensar na separação do Reino Unido como um todo. Inglaterra e País de Gales queriam sair, Escócia (que já pediu para sair do Reino Unido) e Irlanda do Norte queriam ficar. Começam a surgir comentários de que quem tem universidade votou para ficar, quem não tem tantos privilégios votou para sair. Ouvi no metrô alguém dizendo que “basicamente, todo mundo que lê o The Sun votou para sair”. Começam os julgamentos, os comentários, as análises…e até isso é triste.

E agora, como fica o futuro do país que se mostra tão dividido? Por enquanto não há respostas, só perguntas e um futuro incerto. No fim das contas, o sentimento é o mesmo de quando Temer assumiu o poder no Brasil: não podia ser verdade, não podia ser possível, até que uma hora foi. Não podia ser verdade que a Inglaterra iria dar esse passo para trás. Não podia ser possível que um país que tem Londres como sua capital, a cidade mais cosmopolita do mundo, iria passar uma mensagem de intolerência. Não podia, mas foi. Que dia triste para se morar na Inglaterra.

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A temida imigração da Inglaterra

Hoje faz uma semana que embarquei com destino ao Reino Unido e tem tanta coisa para falar que fiquei pensando sobre o que escrever. Aí me dei conta de que a primeira coisa que me perguntam é se foi tudo bem na imigração. E também me dei conta de que foi por conta da bendita que eu vim para em Londres (sim, acreditem!). Ok, imigração it is then.


Posso dizer que a da Inglaterra é bem chata. Mas pode ser bem legal também. Aliás, como eu disse, eu vim para Inglaterra por causa da imigração. O meu plano A era ir para os Estados Unidos mas perderia muito tempo até que eu conseguisse juntar toda a documentação necessária para aplicar para o visto. Mesma coisa com o Canadá (que era uma opção mais barata e, na época, cogitável, digamos assim). Aí eu fui na agência de intercâmbio de uma conhecida e ela me perguntou: “por que você não vai para Londres? Lá não precisa de visto”. Foi com exatamente estas palavras que ela fez a sugestão que iria mudar minha vida.

Para vir para Londres, realmente, você pode não precisar de um visto. Tudo depende do tempo de permanência no país. Turistas e estudantes visitantes podem ficar no Reino Unido por até 6 meses e recebem o visto quando chegam no aeroporto. Isso é bom e ruim. Bom porque não tem a burocracia toda do visto e ruim porque nada garante que o oficial da imigração vai deixar você entrar no país.

Fato é que em comparação com outros países da Europa que visitei, os ingleses são bem chatos. Eles pedem documentos, querem ver se você tem a passagem de volta para casa, dinheiro, onde ficar, etc, etc…Na França eles só estamparam meu passaporte sem o oficial nem olhar para minha cara direito.

No Reino Unido eu entrei como estudante visitante por duas vezes – a primeira vez foi ok, a segunda nem tanto (eles implicaram comigo na entrevista e me deram um tempo menor de permanência). E agora que vim pela terceira vez tenho o visto de esposa, então foi bem mais tranquilo.

Em meio a todas estas experiências imigratórias, ouvi casos de familiares de brasileiros que moram aqui e foram barrados, pessoas que vieram para cá demonstrando que não tinha nada que as prendesse no Brasil, ou que não tinham dinheiro suficiente para se manterem como turista em uma cidade tão cara.

Assim como presenciei um caso no aeroporto de Heatrow de uma mulher cuja os oficiais não foram muito com a cara. Eu inclusive estava ajudando-a na tradução da conversa com um jovem oficial que estava sendo treinado por sua supervisora. O cara era simpático e estava tentando ser gentil, já a mulher ficou irritada porque a brasileira não tinha os documentos em mãos, só entregou o passaporte para o oficial da imigração e disse algumas coisas em português esperando que isso bastasse.

Então, depois de sentir na pele o que é a imigração inglesa e de ouvir tantas histórias, só posso dizer que tentar manter a calma e estar preparado e ter os documentos organizados é o ideal, além de ser muito, mas muito educado. Não tente fazer piadinha com o oficial nem banque o esperto. Entregue tudo o que tiver para provar que tem como se manter enquanto estiver em Londres (comprovante de dinheiro e hospedagem) e também que vai voltar para o Brasil (passagem de volta, comprovante de emprego, etc). Responda apenas o que lhe for perguntado e não tente falar em português com o oficial da imigração esperando que ele entenda. Faça algum sinal de que não entende inglês e eles irão arranjar algum funcionário ou alguém que está na fila para te ajudar.

Do mais, keep calm e aproveite a viagem!