Como alugar uma casa em Londres

Alugar casa em Londres é uma missão. Não impossível, mas que exige muita procura, paciência e, às vezes, sorte. Depois de alguns anos de experiência, decidi fazer este post em formato de guia e compartilhar algumas dicas com quem está na procura. Começando pelo básico (custos, tipos de casas e áreas) até como negociar o valor do aluguel e aumentar as chances de ter sua oferta aprovada. Vamos lá?

1) Defina o orçamento
Parece óbvio, mas por ser Londres, uma cidade em que o aluguel é tão caro, esse é o primeiro passo. Seja realista e pense não só no que você quer, mas no quanto pode pagar. Existem vários sites de busca de imóveis (no final do texto vou deixar alguns links) que são um bom ponto de partida para você ter uma ideia de preços. De maneira geral, um apartamento de um quarto, na zona 2, não sai por menos de 1,200 libras o aluguel, mais as contas. Lembre-se que no primeiro mês você tem que pagar o aluguel adiantado e depósito (geralmente seis semanas).

Está fora do seu alcance? Você não está sozinho. Há muitas pessoas, muitas mesmo, que começam a vida na cidade morando em casas compartilhadas – você tem seu próprio quarto, mas divide a cozinha e a sala, às vezes, até o banheiro. Não é o ideal, mas é mais barato, especialmente porque quase sempre as contas já estão inclusas no valor do aluguel do quarto. Um quarto duplo, na zona 2 custa em média 900 libras por mês.

2) Qual a melhor área?
De uma maneira beeem generalizada, a zona oeste de Londres é mais residencial, no norte estão as áreas mais caras, enquanto o sul e o leste tendem a ser mais em conta e mais agitados, o leste principalmente é ótimo para um público mais jovem.

Mas a área em que você vai morar depende do seu orçamento e necessidade. Quanto mais perto da zona 1 você estiver, mais caro vai pagar. E menores os imóveis tendem a ser. Minha dica é colocar na balança os custos e os benefícios. Lembre-se que não só o aluguel será mais caro nas zonas centrais, mas o imposto (council tax) também. Por outro lado, se você trabalha no centro, vai gastar menos com o metrô já que Londres é dividida em zonas (1 a 6) e quantos mais zonas você atravessa para chegar ao centro, mais caro é. É tudo questão de colocar os gastos na ponta do lápis.

3) Explore novos bairros 
Não tenha medo de sair explorando por aí. Em sites como Rightmove, você pode colocar o valor que pode pagar, a área que deseja e terá todos os imóveis listados. Mas não se limite a isso. Você também pode pesquisar pela distância que a casa deve ser do seu trabalho, em tempo de viagem no metrô, por exemplo. Expandir suas possibilidades aumenta as chances de encontrar algo bacana.

4) Não se assuste com o que encontrar
O mercado imobiliário de Londres é uma loucura. Tem muita opção. Muita coisa boa, muita coisa que nem de graça você aceitaria. Sem exageros! Já fui visitar um “apartamento” que o aluguel era 1,000 libras por mês. Parecia um achado! Chegando lá, era uma garagem, literalmente, transformada em um quarto com uma cozinha minúscula. Foi a primeira e a última vez que marquei uma visita sem ver fotos antes. Tem também aqueles imóveis que na foto parecem lindos, você chega lá e está caindo aos pedaços, além de ser bem sujo. Prepare-se para encontrar muita coisa ruim até achar seu lar doce lar. Pode ser (e eu espero!) que você dê sorte, mas é cada coisa que a gente vê por aí…

5) Marcando sua primeira visita
Depois de algumas horas de busca online, você achou algo bacana e liga para uma imobiliária para marcar de ir ver. É aí que começa a segunda parte da aventura. Corretor aqui tem fama de ser o tipo de pessoa em que você não confia. Que me desculpem os certinhos, mas a fama muita vezes é justa. Principalmente com a dificuldade de marcar um horário para ver imóveis. Se eles tem um cliente em potencial, não vão te dar muita bola. Dizem que vão retornar a ligação para marcar um horário, mas nem sempre ligam. Não espere pela boa vontade alheia. Fique no pé se realmente tiver gostado do imóvel e não quiser perder para outra pessoa. Quanto antes você visitar o lugar, mais chances tem de fazer uma oferta na frente e alugar antes de outra pessoa. Já aconteceu de eu marcar uma visita e ter mais casais visitando a casa na mesma hora. Não achei muito legal, mas aparentemente aqui é até que comum.

6) Vi um imóvel, gostei e fiz a oferta. Já é meu?
Nem sempre. Depois da visita, é normal te falarem que tem mais gente interessada na mesma casa. Muitas vezes é verdade, aliás, tem muita gente procurando casa por aqui. Mas também pode ser papo furado só para te fazer oferecer um valor maior no aluguel. É comum haver uma negociação. Dica de quem já passou por isso: estabeleça um limite máximo que você pode pagar, mas nunca fale para o corretor o real valor. Sempre fale um pouco menos. Assim você tem como negociar. Ah, e desconfie se a negociação virar um “leilão”, em que sempre tem alguém oferecendo mais do que você. Lembre-se que o corretor está ali para fazer você pagar o máximo pelo imóvel. Se for pagar um depósito para segurar o imóvel até que sua oferta seja aceita, certifique-se que poderá ter o valor de volta caso a proposta não seja aprovada. Se isso acontecer, é hora de começar a busca tudo de novo…Caso a oferta seja aprovada, pule para o próximo tópico!

7) Quase lá…
Oferta aprovada, é hora de checar suas referências e seu crédito (o famoso credit check). Basicamente, a imobiliária quer saber se você pode pagar o aluguel, se está em situação legal no país, entre outras coisas. Mande todos os documentos para aumentar as chances de ter a oferta aprovada. Você paga uma taxa para eles verificarem suas referências e, se der tudo, certo, é só assinar o contrato e preparar a mudança.

Sites de busca:

  • Zoopla e Rightmove – Os mais tradicionais. Tem muitos imóveis, você pode salvar suas buscas e ter o aplicativo no celular também.
  • Find Properly – É mais focado para quem é novo em Londres ou não sabe a área que quer morar. Mostra os mercados que tem no bairro, por exemplo.
  • Open Rent  – Esse é bem legal porque você não paga as taxas da imobiliária, já que faz tudo direto com o landlord, ou seja, o dono do imóvel. Porém, não tem tantas opções como os outros acima.
  • Spare Room – O mais tradicional para achar quartos em casas compartilhadas

Espero ter ajudado com alguma informação e qualquer dúvida é só deixar nos comentários. E se eu puder te dar um último conselho: não desanime por conta dos preços ou do mercado competitivo. Londres vale a pena!

Post publicado originalmente no site Brasileiras pelo Mundo, para o qual colaboro mensalmente.

Como mudei de área de trabalho ao vir morar em Londres

Hoje vou falar sobre um assunto bem popular aqui no blog, que envolve o mercado de trabalho para jornalistas fora do Brasil. Ou, melhor dizendo, como eu ganhei uma nova profissão quando vim morar em Londres.

Muitas pessoas da área me perguntam se tem oportunidades para jornalistas aqui e sempre escrevo uma resposta gigante explicando o que eu faço agora, então decidi que seria mais prático criar um post. Pois é, recebo um número considerável de mensagens, o que também me surpreende, uma vez que, como vocês podem ver, não tenho tempo de postar sempre e não sei mesmo como as pessoas ainda acham meu blog, que nem está tão otimizado para SEO assim. Eu poderia fazer muito mais…começar no mínimo com uma pesquisa de palavras-chave, entrar no Google Analytics para analisar o tráfico e a CTR, buscar backlinks…

Não tem ideia do que eu estou falando? Rá! Chegamos no assunto do post: como deixei o jornalismo “de lado” para entrar para a área de marketing digital, mais especificamente, para trabalhar como especialista de SEO (Search Engine Optimisation). Antes de falar um pouco dessa área, vamos voltar um pouco a fita.

Cheguei aqui mal sabendo entender o inglês britânico, estudei e cheguei até ter um nível de idioma legal para começar a procurar emprego na área – quem trabalha com comunicação precisa saber se comunicar.

Ainda assim, não sentia que meu inglês era super top para conseguir escrever laudas e laudas para um jornal / revista em tempo recorde (só quem trabalhou em uma redação sabe a pressão que é, o tempo é sempre curto e por aí vai). Não me sentia preparada e, para ser bem sincera, já estava cansada de redação – trabalhar muito, ganhar pouco, etc. Então quando me perguntam se tem bastante vaga para jornalista aqui, a verdade é que eu não sei porque nem procurei!

Saí do Brasil com a ideia de mudar de área. Jornalismo sempre será a minha profissão, mas eu queria algo novo. Algo mais estável, algo que envolvesse online, que fosse mais moderno…mas ainda não sabia o que era esse algo. Comecei com market research (pesquisa de mercado) e apesar de achar a área interessante, não era para mim. Precisava escrever, é o que me dá prazer em fazer. E uma carreira analisando tendências de mercado não me apateceu.

Foi pesquisando na internet sobre áreas que envolvessem conteúdo e o universo online que cheguei na área de marketing digital, que é bem ampla, mas cheguei na área de SEO. Search Engine Optimization trabalha com a otimização de sites para a ferramentas de busca, no caso, o Google. Dentro de SEO temos a parte técnica e a parte de conteúdo. A última é bem importante, já que um dos principais critérios para ter um bom desempenho no Google é ter um conteúdo de qualidade. Era isso!

Algo que envolvesse online + escrita + estabilidade (e também mais dinheiro). A partir daí, fiz meu currículo voltado para essa área, pesquisei muito na internet sobre o básico de SEO (tem muito curso online de graça) e fui à luta. Acho que uns dois meses depois, procurando em um site para estágio em Londres, consegui um estágio em SEO em uma agência de marketing digital que atendia o mercado brasileiro – difícil começar do zero depois de cinco anos de carreira, mas isso é assunto para outro post. Escrevia textos em português para nossos clientes focando em SEO, basicamente, utilizando palavras-chave e seguindo as boas práticas do Google para ter resultados nos rankings. Meu background em jornalismo me ajudou muito nessa minha nova profissão porque o Google não quer que você escreva para ele, mas, sim, para seus usuários.

Nunca fiz um curso nessa área, mas a agência em que trabalhei como estagiária foi a minha escola. Eles tinham muitos treinamentos internos (até prova a gente tinha que fazer). Fui aprendendo, indo em eventos, lendo sobre o assunto e gostando cada vez mais dessa área.

Já faz mais de dois anos que deixei o estágio para trabalhar como especialista em SEO na área de conteúdo para a IKEA, uma loja de móveis e acessórios para casa diferente de tudo que existe no Brasil – é mundialmente conhecida, infelizmente não ainda no Brasil. Cuido do mercado do Reino Unido e da Irlanda analisando as tendências de buscas no Google, dando ideias e produzindo conteúdo para os sites da empresa. Trabalho com uma equipe onde tenho não colegas, mas amigos. E aprendo muito a cada dia. Enfim, não me arrependo da mudança que fiz. O jornalismo? Fica para os meus freelancers, que sempre tô fazendo aqui e ali.

O que quero falar com tudo isso é que a área de marketing digital é bem vasta e tem muitas oportunidades para quem está disposto a aprender e topa dar uns passos para trás na carreira para depois progredir. Com paciência, dedicação e muito trabalho a gente chega lá. Espero que tenha esclarecido um pouco mais sobre essa área, mas se ainda resta alguma dúvida me deixe um comentário que terei o maior prazer em ajudar.

Ah, quer saber um pouco mais sobre SEO mas não tem ideia por onde começar? Comece por aqui: Moz – Beginners guide to SEO.

Natal em Londres e as tradições inglesas

Faz tempo que não passo por aqui (culpe os milhares de eventos de final de ano). Mas não poderia deixar de falar sobre Natal aqui no blog! Na verdade eu, particularmente, estou falando de Natal desde o fim de outubro! Acho que é um dos meus feriados favoritos.

Claro que, para quem mora fora, pode ser uma época ainda mais complicada no quesito saudade, por estar longe da família. Mas, mesmo assim, o que não pode faltar é vontade de comemorar. Ainda mais que Londres tem uma atmosfera mágica no período das festas. Faço questão de ir aos eventos natalinos e no ano em que fiquei aqui, durante as festas, pude conhecer mais de perto como os ingleses comemoram a data.

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Luzes na Oxford Street: como não amar?

Se este é seu primeiro Natal aqui ou se você pensa em vir para cá um dia nesta época, vai encontrar muitas tradições parecidas, mas algumas são diferentes; às vezes, nos pequenos detalhes. Reuni neste post as principais diferenças para você já ir preparando as comemorações:

Contando os dias

O calendário do advento é muito comum aqui. Provavelmente você vai ganhar um (ou vai comprar para si mesmo). Os mais populares são os com chocolates dentro, em que você abre o seu chocolate, a cada dia, a partir do dia 1 de dezembro, até o dia do Natal. Há alguns com cosméticos e produtinhos de beleza, mas se você me perguntar, o de chocolate é bem mais interessante! Só não vale comer mais do que um por dia.

Amigo secreto, literalmente

Um detalhe importante que, se você não souber, corre o risco de pagar mico – aqui a ideia de ter um amigo secreto, é secreto mesmo. Você coloca o nome da pessoa que tirou na embalagem do presente e o coloca em uma pilha junto com outros presentes. Então uma pessoa do grupo se encarrega de entregá-los, e assim, você não sabe quem te tirou e nem precisa falar quem era o seu amigo secreto. Eu não sabia disso e na hora da brincadeira, acabei contando quem eu tinha tirado – até um cartão eu tinha feito, poxa! Os gringos acharam que eu não sabia brincar, e eu achei a brincadeira do jeito deles sem graça!

Entrando no clima

Como já sabemos, é inverno na Europa em dezembro. E se a gente parar para pensar, o clima influencia muito na comida, hábitos e até no nosso humor. Aqui o Natal é para ser curtido dentro de casa, em um ambiente bem aconchegante, perto de uma lareira se possível e usando um Christmas jumper, que nada mais é que um moletom ou blusa de lã com uma estampa natalina – tem até competição de quem tem o Christmas jumper mais criativo. Na hora do jantar, até rola dar uma produzida no look, mas nada comparado ao que fazemos no Brasil.

Esqueça a véspera

Natal na Inglaterra se comemora dia 25 de dezembro. Nada de ceia no dia 24 – aliás, quando eu explico sobre a nossa ceia eles acham o fato de a gente esperar meia-noite para cear super estranho! Aqui dia 24 é dia de você ir para o pub e balada com seus amigos. Dia 25 e 26 são os dias com a família. O dia 26 é o Boxing Day, uma continuação do feriado e dia em que acontecem as mega liquidações por aqui. Para quem vai às compras, é um prato cheio.

O jantar de Natal

A ceia geralmente é servida no período da tarde do dia 25. O peru ainda é tradicional, juntamente com a carne de carneiro. São ingredientes dos típicos roast dinner – um assado com legumes, yorkshire pudding e molho gravy – prato principal das ceias natalinas.

É uma delícia, mas pode melhorar com um toque abrasileirado. Quando fui passar o Natal na casa da sogra, não queria cozinhar porque não tenho a menor vocação para a coisa, mas queria um prato que me lembrasse o Brasil. Apostei na farofa! Eles nem sabiam o que era, mas adoraram. Fica a dica para quem quiser levar um pouco de Brasil para sua família gringa.

Outra dica é não se afobar na hora de comer. Como muita coisa na Inglaterra, tem todo um protocolo para a ceia. Algo bem informal, claro, mas que ninguém come sem fazer antes, é abrir o seu cracker, uma embalagem de papel com estampa natalina, que mais parece um bombom gigante (ok, essa descrição não foi a melhor possível – veja foto abaixo), em que você puxa as pontas para abrir, sempre cruzando os braços com a pessoa que está ao seu lado na mesa.

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Prometo tirar fotos melhores na ceia de Natal na casa da sogra no ano que vem!

Dentro do cracker tem um presentinho, um papel com charadas/piadas e uma coroa de papel. Agora me fala se no Brasil você já ceou com uma coroa de papel na cabeça? Mas a diferença nas tradições está mesmo é nos detalhes, lembra?

E você? Acrescentaria alguma tradição diferente do Brasil ao comemorar o Natal no país em que vive? Tem alguma dica para quem passa a data longe da família? Compartilhe nos comentários!

*Texto originalmente publicado no Brasileiras pelo Mundo.

Harry Potter and the Cursed Child – a peça! 

Nunca achei que 11 meses de espera valeriam tanto a pena. Comprei ingressos para ver Harry Potter and the Cursed Child em outubro de 2015 e dia 13 de novembro do ano seguinte seria o tão esperado dia.

Dia de se emocionar e relembrar momentos dessa história que me acompanha desde que eu tinha 10 anos. Algumas coisas a gente leva com a gente não pela história ou personagens em si, mas pelas pessoas que dividiram aquela fase com você.

Impossível não lembrar dos meus amigos da época do colegial ou das tardes que passei com minha irmã assistindo os filmes. Mais impossível ainda não amar a peça que conta a história de Harry, 19 anos depois do final do último livro/filme.

Com cinco horas de duração, a peça é dividida em duas partes. Há um break de quase 3 horas entre elas ou você pode ver em dias alternados.

Não vou contar aqui a história, aliás tem até uma hashtag para isso, a #keepthesecrets, que faz parte do roteiro e também já  dá a dica para quem viu ficar quieto e não estragar para quem ainda vai ver. Só posso dizer que sim, a produção é surpreendente!  Cheia de suspense e humor, J.K. Rowling conseguiu de novo encantar a menina de 10 anos, quase 19 anos depois.

Ah, e o melhor: dia  22 de novembro eles vão começar a vender ingresso para mais uma temporada, em 2017. Além disso, às sextas as 13h são disponibilizados ingressos por £40 – difícil de conseguir, mas vale a tentativa já que por esse preço você tem acesso acesso a ótimos lugares.

Se você estiver por Londres, não perca a chance de ver! Confira mais informações no site oficial da peça e veja algumas fotos abaixo:

Chegando ao teatro às 12h! Tickets em mãos!
Bar todo decorado dentro do teatro
Melhor relógio! ♡
Vista do nosso assento: ótima pelo preço que pagamos (apenas £30). Fotos da peça eram proibidas.
Harry por todos os lados dentro do teatro
Indo embora do teatro às 9h da noite, feliz da vida!

O dia em que toquei violão no Central Perk (ou quase!)

Quando eu fiquei sabendo que o Friends Fest viria novamente a Londres, não consegui controlar a ansiedade e o desespero a vontade de garantir meu ingresso. Se você é fã de Friends (leia-se: o melhor seriado da história) você provavelmente irá me entender! Só tinha um problema: os ingressos começariam a ser vendidos bem no dia que eu tinha uma consulta médica. Resultado: fui de ônibus para a consulta (no metrô daqui não tem sinal!) pois sabia que não poderia perder a chance dessa vez.  Depois de muito F5 no site, consegui! Eu iria sentar no sofá do Central Perk!

No dia do evento, postei várias fotos pelo Instagram e fiz uns vídeos também para compartilhar tudo – eu sabia que teria alguns fãs de Friends que ficariam felizes em ver, nem que fosse pelo celular, um pouco mais do cenário onde as gravações aconteceram.

Algumas pessoas comentaram o tanto que queriam estar lá e eu entendi exatamente esse sentimento. Da primeira vez que o evento aconteceu em Londres eu só fiquei sabendo quando a coisa já tava rolando e não tinha mais chance de ir. Tentei participar de sorteios pelo Twitter – até reativei a minha conta na época, mas nada. Então assinei a newsletter do evento e esperei que eles voltassem. Também passei a acompanhar a página do The Londonist que sempre fala dos eventos legais na cidade. Mais de um ano depois, vi sobre o evento no Facebook e recebi o tão esperado e-mail. O resto vocês já sabem e as fotos podem contar um pouco mais:

 

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Pela desvirtualização das amizades

Mudei para Londres tem mais de quatro anos. E já tive a oportunidade de conhecer várias pessoas por aqui, algumas marcam mais o nosso caminho, outras menos. Mas até o ano passado nunca tinha conhecido ao vivo pessoas com quem tinha contato apenas nas mídias sociais.

Sim, não sei se aí no Brasil rola muito disso,  mas aqui em Londres parece que tem uma comunidade que se fala/comenta nas fotos/curte as fotos uns dos outros pelo Instagram (e agora o contato começou a ficar mais “real” com o Snapchat também).

Muitas vezes a gente não se conhece, mas rola aquela afinidade mesmo que sendo apenas por meio de fotos e vídeos. Estranho? Talvez, mas quem não tem os amigos de infância/ faculdade e etc por perto sempre dá um jeito de conhecer pessoas novas. Afinal, morar fora é sair da sua zona de conforto. Até nos pequenos detalhes.

Quem tem blog, até mesmo um blog que luta para sobreviver em meio a milhões de compromissos, como o meu, ainda recebe os comentários dos leitores e está sempre acompanhando os outros blogueiros também. Então o relacionamento online nesse sentido sempre existe. E é muito bacana ter contato com pessoas assim.

Depois de ontem, diria que mais bacana ainda é conhecê-las pessoalmente! Eu que sempre tive vergonha de ir a encontros e eventos do tipo, fui a um encontro de brasileiros em novembro do ano passado e acabei conhecendo pessoas tão, mas tão queridas, que pena mesmo foi não ter ido aos encontros antes! Ontem foi a despedida de solteira de uma delas – e eu não teria feito parte desse momento tão importante na vida de uma pessoa tão bacana se não tivesse saído do mundo virtual para o mundo real.

Então, sim, por relacionamentos com mais encontros face to face e menos mensagens no direct do Instagram!  E que venha o casório! #BrasileirosemLondres

Despedida de solteira

 

 

Sobre o primeiro dia do verão

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Em um dia que o assunto oficial é o tempo…escrever é um bom exercício de aceitação.

Sejamos sinceros: Londres nunca prometeu tempo bom. Se tivesse, os dias de sol e quentes não seriam tão comemorados e aproveitados até o último segundo.

A gente vive à espera de um dia de céu azul (e que não seja frio, porque aí não vale). E quando ele não vem, aprender a lidar com a chuva lá fora no primeiro dia do verão é um exercício que requer paciência e uma dose de otimismo: é o tal do olhar por um outro ângulo.

É como se a cidade estivesse dizendo: já tenho tudo, não preciso te oferecer dias de sol também.

No meu primeiro ano aqui pensava comigo que se o sol e calor gostassem mais de Londres, aqui seria o lugar perfeito. Mas ao longo dos anos você aprende que a perfeição é também uma questão de ponto de vista. E que amar a cidade onde se vive depende de uma série de fatores. Então a escolha no fim das contas é nossa.

Pode-se viver reclamando ou fazer da situação uma piada, afinal, não há dia de chuva que uma dose de bom humor não seja capaz de melhorar. Happy Summer (sim, porque ele ainda virá!)

Emprego em Londres: por onde começar a procurar

Não tem jeito. Se você mora no exterior e faz parte da maioria da população que precisa trabalhar para pagar as contas, uma hora você vai ter de arranjar um emprego. Mas será que tem como trabalhar em um país estrangeiro, onde o idioma oficial nem é sua primeira língua? Será que as empresas contratam imigrantes ou dão preferência para os nativos? São muitas as dúvidas mas a resposta é uma só: estar preparado é a melhor forma para chegar lá.

Emprego em Londres (Custom)

Quando comecei a procurar trabalho em Londres passei dois meses mandando currículos para qualquer coisa que tivesse a ver com a minha área, que é a de comunicação. Eu tinha experiência em redações de jornais e revista no Brasil e já sabia que não queria fazer a mesma coisa aqui. Queria algo novo, de preferência que envolvesse marketing e online. Mas ainda queria escrever.

Comecei a pensar e a pesquisar mais o que eu poderia fazer e achei a área de digital marketing, o que algumas empresas também chamam de online marketing. Definir a área que eu queria foi o primeiro passo para ir atrás de uma vaga. Eu já estava trabalhando em um emprego meio nada a ver em uma agência de pesquisa de mercado, mas foi dessa vez que a busca por emprego na minha área (ou nova área) começou.

O segundo passo foi montar meu currículo com todas as informações em inglês, revisadas por um nativo. Não tenha vergonha de pedir para alguém revisar para você. Uma vez ouvi um consultor de RH dizendo em uma palestra que eles levam 10 segundos para ler um currículo. Imagina logo de cara um deles acha um erro de gramática no seu? Outra dica, falar não só das experiências, mas colocar exemplos de contribuições para as empresas em que trabalhou.

Também muito importante aqui é a carta de apresentação. Ela deve ser a melhor parte do seu currículo, falar sobre você e sua experiência e mostrar para a empresa que suas qualidades combinam com o que eles estão procurando. Por isso mesmo, não é legal mandar uma carta de apresentação para todas as vagas. Cada vaga é diferente. Dá mais trabalho, mas no fim das contas aquela dose extra de esforço pode ser o que te garante uma entrevista.

Primeiros passos

Currículo e carta de apresentação em mãos, é hora de ir à procura. Mas por onde começar? Recebo mensagens e também ouço de amigos que quem chegou aqui recentemente não sabe por onde começar. É normal mesmo. Mas pelo menos para empregos em escritório, você faz mais ou menos tudo igual como faria no Brasil. Tem que pesquisar, correr atrás, ouvir muitos “nãos”, até dar certo.

Use a internet para achar sites de busca de emprego, com certeza vai ter um monte (vou listar alguns dos maiores aqui no Reino Unido no final do post). Passe horas ou dias cadastrando em vários desses sites. Crie uma conta no Linkedin e capriche na hora de montar seu perfil – talvez essa seja a maior diferença em relação ao Brasil, pois aqui as empresas usam o Linkedin e muito! Aliás, muitas empresas postam vagas no Linkedin primeiro e depois nesses sites de emprego.

Outra coisa que me ajudou bastante foi ir em eventos da área. Aqui na Inglaterra temos o site chamado Eventbrite  que tem evento de tudo o quanto é tipo. Desde grupos de conversação para treinar o inglês (olha outra dica aí) até eventos para quem está procurando emprego. E foi em um desses eventos que eu conheci um site do qual nunca tinha ouvido falar. Um site de busca de emprego voltado para estudantes universitários. Ou seja, um site para encontrar um estágio. Foi a minha luz no fim do túnel.

Ser estagiária depois de cinco anos de profissão no Brasil ou continuar em um emprego que eu não gostava? Escolhi a primeira opção e talvez essa seja a dica mais importante: esteja preparado para recomeçar do zero. Sim, enquanto isso seus amigos no Brasil estão sendo promovidos a cargos de gerência, mas morar fora às vezes requer paciência. Você pode ter um currículo bacana e ser contratado para um emprego bacana. Como também pode ser que não encontre uma oportunidade, ou encontre em um cargo mais baixo, e aí é questão de trabalhar duro para fazer acontecer.

No meu caso, trabalhar duro  e ganhar pouco, diga-se de passagem. Estágio aqui na maioria das vezes não é remunerado ou só pagam as despesas com transporte. Eu só procurei por estágios remunerados e acabei encontrando um que pagava mais ou menos. Fiquei oito meses trabalhando para uma agência de marketing digital e escrevendo textos para sites brasileiros – marketing e online, como eu queria, desde o começo.

Aprendi muito, muito mesmo. Estava trabalhando em um país diferente e em uma área diferente também. Ganhei experiência e conhecimento que mais tarde foram indispensáveis para eu conseguir o emprego que tenho hoje.

Ah, então o segredo é começar tudo de novo e procurar estágio? Não! Pode ser que você não queira mudar de área e aí acredito que seja mais fácil. O importante mesmo é estar preparado para novas possibilidades, com aquela mesma vontade de fazer dar certo de quando você deixou o Brasil.

E vocês, quais dificuldades tiveram na hora de procurar emprego? Ainda estão à procura? Escreva nos comentários, vou adorar saber!

Sites de buscas de empregos no Reino Unido

 

***Esse texto foi originalmente publicado no portal Brasileiras Pelo Mundo

 

Como Londres irá comemorar o aniversário da rainha

A rainha Elizabeth completou 90 anos no dia 21 de abril. E as comemorações prometem ser dignas de realeza por aqui. Aquela história de ‘só um bolinho’ para os mais chegados não combina com a rainha com o reinado mais longo da história do país. A rainha vai ter toda a pompa, cavalos, carruagens, tudo conforme manda o figurino. E nós vamos estar lá para cantar parabéns para ela! Ok, quase isso… Se você também não faz parte da família real mas quer festejar, confira direitinho o que vai rolar para não ficar de fora:

12 a 15 de maio, em Windsor

Festa de 90 anos da rainha

É a primeira celebração oficial do aniversário da rainha Elizabeth. O evento vai acontecer entre os dias 12 e 15 de maio, em Windsor, mas a rainha só vai estar lá mesmo para a última noite. Durante uma hora e meia, 900 cavalos e mais de 1.500 pessoas irão fazer parte da cerimônia que irá contar a história da rainha, desde seu nascimento, passando pela Segunda Guerra Mundial, seu casamento, coroação e outros momentos importantes. Os ingressos se esgotaram rapidamente e os organizadores também fizeram um sorteio para quem quisesse acompanhar a chegada dos convidados no tapete vermelho. Eu me inscrevi, mas não ganhei, então vou acompanhar a festa pela ITV, que vai mostrar o espetáculo do dia 15 de maio ao vivo.

Junho, em Londres

Dia 10 de junho, St Paul’s Cathedral e pubs

Haverá uma missa de ação de graças que é apenas para convidados, na St Paul’s Cathedral. Na sexta à noite, os ingleses vão poder comemorar a ocasião com os pubs abertos por duas horas a mais. Geralmente, os pubs fecham à uma da manhã. A mesma regra vale para o sábado, quando os pubs também fecharão mais tarde.

Dia 11 de junho, House Guards Parade

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Dia de ver a Trooping the Colour, na House Guards Parade. A rainha e outros membros da família Real desfilam em carruagens pelo The Mall e depois aparecem na varanda do Palácio de Buckingham. Eu nunca assisti, mas esse ano quero muito ir. Imagino que o The Mall vai estar mega lotado e preciso chegar bem cedo se quiser ter chances de ver a rainha! Se você não quiser encarar, a BBC vai mostrar o evento ao vivo a partir das 10h da manhã.

Quem quiser ver o ensaio do desfile, tem um no dia 28 de maio (gratauito) e outro no dia 4 de junho (£10). Claro, rainha é diva e não precisa de ensaio, portanto, não espere vê-la por lá.

A Trooping the Colour acontece todo ano para celebrar o aniversário da rainha e a tradição vem de reinados passados, começou lá no ano de 1748. É sempre no verão pois é quando as chances de ter um dia de sol e agradável são maiores.

Dia 12 de junho, The Patron’s Lunch

Foto 3

Uma série de festas de rua devem acontecer por todo o país. As pessoas são incentivadas a fecharem a rua onde moram (com autorização prévia), chamar os vizinhos e os amigos e almoçarem juntas. A maior festa, The Patron´s Lunch, acontecerá no The Mall. Todos os 10 mil ingressos já foram vendidos, mas dá para assistir tudo ao vivo pelos telões no Green Park e St Jame’s Park. Os parques devem lotar de pessoas espalhadas pelo gramado fazendo piquenique. Uma ótima pedida para o verão. E então, bora festejar?

Curiosidades:

  • Para quem quiser saber mais sobre a vida da rainha Elizabeth, este ano os autores Mark Greene e Catherine Butcher lançaram um livro em homenagem aos 90 anos de vida da monarca. “The Servant Queen e the King she serves” (A Rainha Serva e o Rei que ela serve, em português) fala sobre sua história e sua fé cristã.
  • A BBC produziu o documentário “Elizabeth at 90 — A Family Tribute”, que também narra sua história e ainda traz entrevistas de outros membros da família real.

Curiosidade 2 (e novidade também!): Esse texto foi originalmente publicado no portal Brasileiras Pelo Mundo, do qual a partir desse mês sou colunista 🙂 O link para quem quiser conferir é esse aqui: http://www.brasileiraspelomundo.com/inglaterra-como-londres-ira-celebrar-o-aniversario-da-rainha-061433979

 

All you need is love: por dentro dos casamentos ingleses

Levando em conta os recentes acontecimentos da minha vida, decidi que o blog precisava de um post sobre….casamento! E parei para pensar no quanto as tradições daqui são parecidas e ao mesmo tempo diferentes com as do Brasil.

Aqui na Inglaterra a maioria dos casórios acontecem no verão – esse anos temos cinco para ir, entre junho e agosto.  Geralmente, o evento dura o fim de semana inteiro, os convidados chegam na sexta à noite, o casamento é no sábado e no domingo sempre tem alguma atividade com os noivos – pode ser um churrasco, um picnic ou apenas um dia com todos na praia. Todo mundo hospedado pela região, vira uma mini férias! 

Parece que é uma mega festa, né? Sim! Festa em castelo (de verdade) não é algo incomum. Mas tem o outro lado. Falando por experiência própria, o evento como um todo é mais relax, tudo com mais naturalidade, mais íntimo e em menor escala do que no Brasil – principalmente na parte da decoração e no look da noiva. A regra do menos é mais predomina. Até na lista de convidados. Uma festa dentro dos padrões comuns aqui não passa de 100 pessoas, considerado mini-wedding no Brasil!

Outra diferença é que o “faça você mesmo” é muito forte. As pessoas gostam de colocar a mão na massa, não porque elas não podem pagar para alguém fazer, mas porque elas querem ter algo feito por elas no dia. Aliás, essa coisa de pagar pra alguém fazer é coisa de brasileiro – empregada, manicure, etc…aqui é você mesmo que se vira – falo mais sobre isso em um futuro post!

Aqui já vi padrinho ajudando a recepcionar os convidados, dando uma de DJ na cerimônia, tudo na maior naturalidade. Natural também é você não ser chamado para a cerimônia e para o jantar e só para a festa. É super normal.O evento é dividido em duas partes e a lista de convidados também.

Casamentos são longos, duram por volta de doze horas – geralmente do meio dia à meia noite. Apenas as pessoas mais próximas são convidadas para o dia todo, que começa com a cerimônia.

Nas próximas duas ou três horas acontecem as fotos, os convidados se servem de champanhe e canapés até que chega a hora do jantar, que é seguido pelo discurso, momento mais importante depois da cerimônia. Pai da noiva, noivo e padrinhos tem a responsabilidade de não entendiar divertir os convidados e homenagear os noivos. Durante cerca de uma hora, todos ficam sentados prestando atenção. Quem está discursando só é interrompido por risadas e brindes de viva aos noivos! Quando anoitece, chegam os convidados da “reception”, da recepção, que é a parte da festa.

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Foto do nosso casamento no Brasil (não resisti!)

Abre parênteses para um mico dos meus primeiros meses de vida londrina: no primeiro casamento que fui, fomos convidados só para a recepção. Só que até então eu não sabia dessa divisão. Chegando ao lugar, não tinha muita comida, só uns salgadinhos típicos ingleses e as pessoas estavam comentando como o casamento tinha sido lindo. Lembro que só conseguia pensar: 1. como assim uma festa em um lugar chique desse só tem isso pra comer? 2. nunca me atrasei tanto para uma festa na vida! Fecha parênteses. 

Hoje que já sei do esquema acho bem a cara dos ingleses: prático e do tipo “o que vale é a consideração”. O que vale é o casal ter a consideração de te chamar para dividir esse momento com eles. Seja o dia inteiro ou a recepção. Sem contar que a parte da festa é muito divertida. Tem a dança dos noivos, o corte do bolo (sempre de verdade, nunca cenográfico) e a pista de dança – que sempre fica vazia no começo.  É que quase sempre inglês para dançar já tem que ter tomado umas pints. Repare em uma pista de dança no começo de uma festa de casamento e no final: TOTALMENTE diferente. 

Por falar em bar, se um dia for a um casamento na Inglaterra é provável que você tenha que pagar por sua bebida. Pois é, por aqui seria o cúmulo da falta de educação “passar a gravata”, mas é totalmente aceitável que o convidado pague pelas  bebidas no bar do casamento. Não é regra, mas pode acontecer. Afinal, bancar a conta de um bar para tantas pessoas (melhor, tantos ingleses!) exige muita grana.

O que você investe no bar economiza em presente – isso porque, na maioria das vezes, o casal já mora junto há anos, às vezes até já compraram sua própria casa. Não precisam de geladeira e fogão e nem presente caro. Por isso, um cartão com dinheiro em espécie é a forma mais comum de se presentear. E não é todo mundo que dá presente, mas é todo mundo que dá um cartão desejando felicidades aos noivos. Por que  o que vale é a consideração, lembra?