O dia em que toquei violão no Central Perk (ou quase!)

Quando eu fiquei sabendo que o Friends Fest viria novamente a Londres, não consegui controlar a ansiedade e o desespero a vontade de garantir meu ingresso. Se você é fã de Friends (leia-se: o melhor seriado da história) você provavelmente irá me entender! Só tinha um problema: os ingressos começariam a ser vendidos bem no dia que eu tinha uma consulta médica. Resultado: fui de ônibus para a consulta (no metrô daqui não tem sinal!) pois sabia que não poderia perder a chance dessa vez.  Depois de muito F5 no site, consegui! Eu iria sentar no sofá do Central Perk!

No dia do evento, postei várias fotos pelo Instagram e fiz uns vídeos também para compartilhar tudo – eu sabia que teria alguns fãs de Friends que ficariam felizes em ver, nem que fosse pelo celular, um pouco mais do cenário onde as gravações aconteceram.

Algumas pessoas comentaram o tanto que queriam estar lá e eu entendi exatamente esse sentimento. Da primeira vez que o evento aconteceu em Londres eu só fiquei sabendo quando a coisa já tava rolando e não tinha mais chance de ir. Tentei participar de sorteios pelo Twitter – até reativei a minha conta na época, mas nada. Então assinei a newsletter do evento e esperei que eles voltassem. Também passei a acompanhar a página do The Londonist que sempre fala dos eventos legais na cidade. Mais de um ano depois, vi sobre o evento no Facebook e recebi o tão esperado e-mail. O resto vocês já sabem e as fotos podem contar um pouco mais:

 

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Bate e volta na Itália: fim de semana em Cinque Terre

Quando uma amiga que mora no Brasil disse que iria passar um mês na Itália, eu sabia que tinha que dar um jeito de ir encontrá-la. Uma porque era mais uma desculpa para viajar, outra porque ter alguém do Brasil visitando é como ter perto de você um pedacinho de tudo aquilo que faz falta no dia-a-dia.

O desafio: não tínhamos mais dias de férias para tirar esse ano (passamos cinco semanas no Brasil em janeiro…oh delícia). O jeito foi ir e voltar em um final de semana. Pegar um vôo no sábado de manhã e voltar na segunda de manhã, vindo direto do aeroporto para o escritório. Parecia loucura? Um pouco. Estaríamos super cansados com duas noites madrugando para ir para o aeroporto? Sim. Valeria a pena? Com certeza!

A aventura

O encontro que inicialmente aconteceria em Milão aconteceu em Cinque Terre. E a escolha não poderia ter sido melhor! Para ser sincera, até a minha amiga me mostrar o roteiro dela com o nome ‘Cinque Terre’, eu nunca tinha ouvido falar do lugar. Aparentemente, não era tão popular até poucos anos atrás e depois li algumas matérias que se referiam às terres como o “paraíso escondido da Itália”. E que paraíso!

As Cinque Terre são cinco vilas (terres) à beira-mar, patrimônios históricos da Unesco, com trilhas que ligam as vilas umas às outras – carros são proibidos por lá, mas tem trem. Andar por essas vilas faz você se sentir perdido lá atrás no meio da história. A vila mais antiga, Monterosso, foi fundada no ano de 643, para se ter uma ideia.  Os outros quatro vilarejos são Riomaggiore, Vernazza, Corniglia e Manarola.  Como só tínhamos um dia por lá, pesquisei bastante e decidi que três delas não poderiam ficar de fora do dia: Monterosso, Vernazza e Manarola.

Mesmo com o tempo curto, conseguimos aproveitar bem. Nosso passeio aconteceu em um domingo de sol (23 graus, um luxo para primavera!). Tínhamos chegado em Pisa no dia anterior, depois de uma viagem super cansativa em que ficamos das 5h30 da manhã até às 12h esperando para embarcar em um vôo mega atrasado (Ryanair fail!).

Decidimos ir para Pisa porque é um dos destinos com aeroporto mais perto de Cinque Terre. Da estação central de trem de Pisa você pode fazer o trajeto de trem para Cinque Terre. Depois de pouco mais de uma hora de viagem, você estará em  La Spezia, cidadezinha de onde sai o trem que passa por todos os cinco vilarejos.  Passamos o sábado em Pisa, o que foi legal pois assim visitamos a famosa Torre de Pisa, e tivemos tempo de andar pela cidade. O tempo que passamos lá foi na medida certa.

No domingo pegamos o trem para La Spezia. De lá, compramos o ticket que dá direito a pegar os trens que circulam entre as terres (custa 12 euros por pessoa e  tem que validar em uma máquina que fica na estação, ou então pode ter de pagar uma multa de 50 euros por pessoa). Claro que como bons turistas, não validamos o nosso e por sorte o fiscal que checou nossos tickets era gente boa e não nos multou. Embarcamos no trem com destino à primeira terre: Monterosso. Chegamos lá e demos de cara com essa vista:

Depois de validar o bendito ticket, encontramos nossa amiga e fomos explorar o vilarejo. Andamos uma hora por lá, e estávamos os três sem palavras para descrever o lugar. Nessas horas o que você faz? Compra um gelato, óbvio!

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O primeiro gelato em Cinque Terre a gente nunca esquece
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Vista surreal, mas existe tá?

Algumas fotos tiradas depois, embarcamos no trem novamente com direção à quinta terre, a de Manarola. Diferente da primeira, Manarola tinha uma área de praia mais extensa, aliás, bem extensa. Várias pessoas sentadas nas pedrinhas fazendo piquenique, restaurantes e bares à beira-mar…o povo ali sabe aproveitar a vida! Andamos também pela cidadezinha de Manarola, com suas casinhas antigas e lojinhas vendendo limão siciliano por toda a parte.

Estávamos no começo de uma trilha que nos levaria à Vernazza quando ouvimos por acaso um grupo de brasileiras falando que “ah não, duas horas de trilha não dá”. Oi? Duas horas?. Checamos um mapinha no local e realmente era uma caminhada. Já era quase fim da tarde e não quisemos gastar todo esse tempo caminhando para chegar a outra terre, sendo que em 15 minutos de trem estaríamos lá. Acabamos deixando a trilha pra lá e pegamos o trem para Vernazza – um pouco contrariados, pois queríamos aquela vista do alto que a gente vê quando busca por Cinque Terra noGoogle. E sabíamos que tínhamos de estar no alto para ter aquela vista.

Vernazza logo nos impressionou (como se ainda fosse possível) pela sua beleza. Com certeza a mais bonita das terres que visitamos e acho que a mais bonitas de todas as terres. Ainda mais colorida, com um píer com bares e restaurantes, além de barcos que enfeitavam a paisagem. Do lado de fora das janelas das casas cheias de cor, varais com roupas penduradas, um contraste incrível.

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Vernazza e suas roupas brancas penduradas no varal 
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Píer em Vernazza com barquinhos e restaurantes

Mas a melhor surpresa, foi ver, entre as estreitas ruas próximas ao pier, uma escadinha de pedras que dava acesso à uma trilha. Dez minutos depois, lá estávamos nós, no topo de Vernazza (e com a vista que tinha nos levado a visitar as Cinque Terre).

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Vista do alto de Vernazza tão esperada!
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Dia delícia com a amiga e o marido que topa todas minhas aventuras! 

Depois disso, eu não precisava de mais nada! Sei que há a opção de visitar uma sexta terre em um passeio de barco que depois passa pelas outras terres. Sei também que as trilhas entre as terres devem render vistas incríveis, mas para quem passou pouco mais de oito horas no lugar, eu estava completamente satisfeita. Até hoje lembro da sensação de estar, em um domingo à noitinha, naquele pír em Vernazza, de frente para o mar, comendo uma lasanha deliciosa e apreciando um vinho local. Um cenário completamente diferente…Em poucas horas eu teria de estar em Londres trabalhando, mas naquele momento a realidade era um mero detalhe….

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Melhor lasanha da vida!
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Até agora não acredito que não trouxe um vinho desse pra casa!

Você já faz uma viagem curta mas que valeu a pena? Tem alguma história pra contar? Ficou com vontade de conhecer o lugar? Veja mais  informações no site oficial da Cinque Terre ou escreva para mim nos comentários. Ciao Bella!

Nota: texto originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo.

 

 

 

 

 

Pela desvirtualização das amizades

Mudei para Londres tem mais de quatro anos. E já tive a oportunidade de conhecer várias pessoas por aqui, algumas marcam mais o nosso caminho, outras menos. Mas até o ano passado nunca tinha conhecido ao vivo pessoas com quem tinha contato apenas nas mídias sociais.

Sim, não sei se aí no Brasil rola muito disso,  mas aqui em Londres parece que tem uma comunidade que se fala/comenta nas fotos/curte as fotos uns dos outros pelo Instagram (e agora o contato começou a ficar mais “real” com o Snapchat também).

Muitas vezes a gente não se conhece, mas rola aquela afinidade mesmo que sendo apenas por meio de fotos e vídeos. Estranho? Talvez, mas quem não tem os amigos de infância/ faculdade e etc por perto sempre dá um jeito de conhecer pessoas novas. Afinal, morar fora é sair da sua zona de conforto. Até nos pequenos detalhes.

Quem tem blog, até mesmo um blog que luta para sobreviver em meio a milhões de compromissos, como o meu, ainda recebe os comentários dos leitores e está sempre acompanhando os outros blogueiros também. Então o relacionamento online nesse sentido sempre existe. E é muito bacana ter contato com pessoas assim.

Depois de ontem, diria que mais bacana ainda é conhecê-las pessoalmente! Eu que sempre tive vergonha de ir a encontros e eventos do tipo, fui a um encontro de brasileiros em novembro do ano passado e acabei conhecendo pessoas tão, mas tão queridas, que pena mesmo foi não ter ido aos encontros antes! Ontem foi a despedida de solteira de uma delas – e eu não teria feito parte desse momento tão importante na vida de uma pessoa tão bacana se não tivesse saído do mundo virtual para o mundo real.

Então, sim, por relacionamentos com mais encontros face to face e menos mensagens no direct do Instagram!  E que venha o casório! #BrasileirosemLondres

Despedida de solteira

 

 

Dia histórico (e triste) na Inglaterra

O Reino Unido está fora da União Europeia, e o que isso muda na minha vida? Em um primeiro momento, nada. Ao mesmo tempo, muita coisa. Nada porque como não tenho passaporte europeu, já enfrento as rígidas regras de imigração para morar aqui. Para mim, não vai ser novidade o UK tentar fechar as portas na minha cara. Já lido com isso desde 2014, quando apliquei para o meu visto de esposa.

Mas, como eu disse, ao mesmo tempo, muda muita coisa. Esse talvez seja o post mais pessoal que eu já escrevi aqui, mas sinto que se eu não falar nada, vou explodir! De choque, de indignação, de tristeza mesmo. Desde que eu mudei para o UK eu sempre brinco com a minha família que “a rainha não me quer aqui, mas vai ter de me engolir”, em tom de brincadeira mesmo. Claro que estou me referindo ao Home Office e às centenas de páginas de documentos (e de libras) que preciso juntar para ter o direito de morar aqui. Mas digamos que esse é um jeito engraçadinho que encontrei de dizer para os meus avós, por exemplo, que sim, existem dificuldades ao morar longe do Brasil.

Até então, era o governo me dizendo que eu não era bem-vinda. E fazendo as regras de imigração cada vez mais difíceis de se cumprir. Para vocês terem uma ideia, estou prestes a renovar o meu visto de esposa por mais dois anos e meio e isso me custará:

£ 811 – taxa da aplicação para eles analisarem meus documentos e renovarem o visto.

£ 500 de taxa do NHS – o Sistema de saúde público daqui, que agora pede que imigrantes paguem uma taxa para usarem o serviço que é PÚBLICO. Sim, eu tenho de pagar essa taxa mesmo já pagando imposto normalmente como qualquer inglês. Pago duas vezes.

£400 – se eu quiser fazer a aplicação pessoalmente ao invés de pelo correio (o que talvez vou precisar, porque preciso do meu passaporte para ir para o Brasil no Natal).

£ 150 – para fazer uma prova oral de inglês e “provar” (a prova só dura 10 minutos) que eu consigo me comunicar com o meu marido. Mesmo eu trabalhando em uma empresa internacional e eles sabendo disso. Mesmo eu tendo feito uma prova de inglês avançado da Universidade de Cambridge e ter passado, apenas três anos atrás. Acho que eles acreditam que é possível desaprender uma língua em três anos mesmo morando e trabalhando no país!

£19 – tirar impressões digitais no correio

£ indefinido – uma porcentagem do valor aplicação paga ao correio para eles mandarem uma ordem de pagamento para o Home Office. O formulário dá a opção de pagar por cartão de crédito e você preenche os dados do cartão e eles lá fazem o pagamento. MAS a pessoa que está me ajudando com o visto disse que já viu vários casos em que os dados do cartão não eram aceitos e eles devolviam a aplicação para a pessoa fazer de novo. E se o visto já tivesse expirado, a pessoa tinha que voltar para o país de origem e aplicar de lá. Claro que não quero correr o risco e vamos pagar para o correio mandar a tal ordem de pagamento.

Enfim, o objetivo do post não é falar das regras do meu visto, que ainda incluem documentos para provar que nosso casamento não é uma fraude, que o Ben ganha o suficiente para me sustentar e abrir mão dos direitos dele como cidadão inglês por ser casado com uma brasileira, entre outras coisas. Como dá pra ver, para eu conseguir ter o direito de morar aqui já é um sufoco para nós. E por isso eu dou risada quando amigos comentam: nossa, eu achava que por vocês serem casados você não precisava de nada disso!

Então por que o Brexit me deixou tão triste? Em poucas palavras, porque antes era o governo me falando que eu não era bem-vinda. Agora são as pessoas. 52% da população do Reino Unido votou para que o país deixasse a Uniao Europeia e apesar das questões econômicas envolvidas, o foco da campanha era a imigração. Existem muitos europeus morando aqui e os ingleses reclamam que eles roubam as vagas de emprego e usam os hospitais e as escolas e etc.

Então, meu amigo, se ontem pessoas por Londres tinham adesivinhos colados na roupa dizendo “I’m in!” e o clima era de que poderíamos vencer essa, hoje o clima é de ressaca. Muita gente me disse “o problema não é você, você é bem vinda aqui”, mas ao mesmo tempo reclamam do tanto de europeu que mora aqui. Uma coisa que eles não entendem é: estamos todos no mesmo barco. O Brexit me afetando ou não, sou imigrante e sinto que o país escolheu virar as costas para mim. E para todos os meus amigos europeus e brasileiros com passaporte europeu. Vamos todos nos dar um abraço? 🙁

Sem contar os problemas econômicos que isso pode trazer – não sou especialista, mas de tudo o que li, as previsões não são boas. Tenho medo ainda de o país ficar mais vulnerável ao terrorismo. Posso estar exagerando aqui,  mas li uma matéria na BBC semanas atrás que questionava a mesma coisa. E para quem convive com a ideia de que o alerta de terrorismo no país está em um nível super alto, escolher ficar sozinho não me parece uma boa ideia. Ainda que seja uma questão econômica. Ainda que existam organizações para ajudar o país caso algo aconteça, ainda que isso ou aquilo. Ainda que não tenha nada a ver, ainda acredito que juntos somos mais fortes, que pena que mais da metade da população não pensa assim.

Também é triste pensar na separação do Reino Unido como um todo. Inglaterra e País de Gales queriam sair, Escócia (que já pediu para sair do Reino Unido) e Irlanda do Norte queriam ficar. Começam a surgir comentários de que quem tem universidade votou para ficar, quem não tem tantos privilégios votou para sair. Ouvi no metrô alguém dizendo que “basicamente, todo mundo que lê o The Sun votou para sair”. Começam os julgamentos, os comentários, as análises…e até isso é triste.

E agora, como fica o futuro do país que se mostra tão dividido? Por enquanto não há respostas, só perguntas e um futuro incerto. No fim das contas, o sentimento é o mesmo de quando Temer assumiu o poder no Brasil: não podia ser verdade, não podia ser possível, até que uma hora foi. Não podia ser verdade que a Inglaterra iria dar esse passo para trás. Não podia ser possível que um país que tem Londres como sua capital, a cidade mais cosmopolita do mundo, iria passar uma mensagem de intolerência. Não podia, mas foi. Que dia triste para se morar na Inglaterra.

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Sobre o primeiro dia do verão

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Em um dia que o assunto oficial é o tempo…escrever é um bom exercício de aceitação.

Sejamos sinceros: Londres nunca prometeu tempo bom. Se tivesse, os dias de sol e quentes não seriam tão comemorados e aproveitados até o último segundo.

A gente vive à espera de um dia de céu azul (e que não seja frio, porque aí não vale). E quando ele não vem, aprender a lidar com a chuva lá fora no primeiro dia do verão é um exercício que requer paciência e uma dose de otimismo: é o tal do olhar por um outro ângulo.

É como se a cidade estivesse dizendo: já tenho tudo, não preciso te oferecer dias de sol também.

No meu primeiro ano aqui pensava comigo que se o sol e calor gostassem mais de Londres, aqui seria o lugar perfeito. Mas ao longo dos anos você aprende que a perfeição é também uma questão de ponto de vista. E que amar a cidade onde se vive depende de uma série de fatores. Então a escolha no fim das contas é nossa.

Pode-se viver reclamando ou fazer da situação uma piada, afinal, não há dia de chuva que uma dose de bom humor não seja capaz de melhorar. Happy Summer (sim, porque ele ainda virá!)

Emprego em Londres: por onde começar a procurar

Não tem jeito. Se você mora no exterior e faz parte da maioria da população que precisa trabalhar para pagar as contas, uma hora você vai ter de arranjar um emprego. Mas será que tem como trabalhar em um país estrangeiro, onde o idioma oficial nem é sua primeira língua? Será que as empresas contratam imigrantes ou dão preferência para os nativos? São muitas as dúvidas mas a resposta é uma só: estar preparado é a melhor forma para chegar lá.

Emprego em Londres (Custom)

Quando comecei a procurar trabalho em Londres passei dois meses mandando currículos para qualquer coisa que tivesse a ver com a minha área, que é a de comunicação. Eu tinha experiência em redações de jornais e revista no Brasil e já sabia que não queria fazer a mesma coisa aqui. Queria algo novo, de preferência que envolvesse marketing e online. Mas ainda queria escrever.

Comecei a pensar e a pesquisar mais o que eu poderia fazer e achei a área de digital marketing, o que algumas empresas também chamam de online marketing. Definir a área que eu queria foi o primeiro passo para ir atrás de uma vaga. Eu já estava trabalhando em um emprego meio nada a ver em uma agência de pesquisa de mercado, mas foi dessa vez que a busca por emprego na minha área (ou nova área) começou.

O segundo passo foi montar meu currículo com todas as informações em inglês, revisadas por um nativo. Não tenha vergonha de pedir para alguém revisar para você. Uma vez ouvi um consultor de RH dizendo em uma palestra que eles levam 10 segundos para ler um currículo. Imagina logo de cara um deles acha um erro de gramática no seu? Outra dica, falar não só das experiências, mas colocar exemplos de contribuições para as empresas em que trabalhou.

Também muito importante aqui é a carta de apresentação. Ela deve ser a melhor parte do seu currículo, falar sobre você e sua experiência e mostrar para a empresa que suas qualidades combinam com o que eles estão procurando. Por isso mesmo, não é legal mandar uma carta de apresentação para todas as vagas. Cada vaga é diferente. Dá mais trabalho, mas no fim das contas aquela dose extra de esforço pode ser o que te garante uma entrevista.

Primeiros passos

Currículo e carta de apresentação em mãos, é hora de ir à procura. Mas por onde começar? Recebo mensagens e também ouço de amigos que quem chegou aqui recentemente não sabe por onde começar. É normal mesmo. Mas pelo menos para empregos em escritório, você faz mais ou menos tudo igual como faria no Brasil. Tem que pesquisar, correr atrás, ouvir muitos “nãos”, até dar certo.

Use a internet para achar sites de busca de emprego, com certeza vai ter um monte (vou listar alguns dos maiores aqui no Reino Unido no final do post). Passe horas ou dias cadastrando em vários desses sites. Crie uma conta no Linkedin e capriche na hora de montar seu perfil – talvez essa seja a maior diferença em relação ao Brasil, pois aqui as empresas usam o Linkedin e muito! Aliás, muitas empresas postam vagas no Linkedin primeiro e depois nesses sites de emprego.

Outra coisa que me ajudou bastante foi ir em eventos da área. Aqui na Inglaterra temos o site chamado Eventbrite  que tem evento de tudo o quanto é tipo. Desde grupos de conversação para treinar o inglês (olha outra dica aí) até eventos para quem está procurando emprego. E foi em um desses eventos que eu conheci um site do qual nunca tinha ouvido falar. Um site de busca de emprego voltado para estudantes universitários. Ou seja, um site para encontrar um estágio. Foi a minha luz no fim do túnel.

Ser estagiária depois de cinco anos de profissão no Brasil ou continuar em um emprego que eu não gostava? Escolhi a primeira opção e talvez essa seja a dica mais importante: esteja preparado para recomeçar do zero. Sim, enquanto isso seus amigos no Brasil estão sendo promovidos a cargos de gerência, mas morar fora às vezes requer paciência. Você pode ter um currículo bacana e ser contratado para um emprego bacana. Como também pode ser que não encontre uma oportunidade, ou encontre em um cargo mais baixo, e aí é questão de trabalhar duro para fazer acontecer.

No meu caso, trabalhar duro  e ganhar pouco, diga-se de passagem. Estágio aqui na maioria das vezes não é remunerado ou só pagam as despesas com transporte. Eu só procurei por estágios remunerados e acabei encontrando um que pagava mais ou menos. Fiquei oito meses trabalhando para uma agência de marketing digital e escrevendo textos para sites brasileiros – marketing e online, como eu queria, desde o começo.

Aprendi muito, muito mesmo. Estava trabalhando em um país diferente e em uma área diferente também. Ganhei experiência e conhecimento que mais tarde foram indispensáveis para eu conseguir o emprego que tenho hoje.

Ah, então o segredo é começar tudo de novo e procurar estágio? Não! Pode ser que você não queira mudar de área e aí acredito que seja mais fácil. O importante mesmo é estar preparado para novas possibilidades, com aquela mesma vontade de fazer dar certo de quando você deixou o Brasil.

E vocês, quais dificuldades tiveram na hora de procurar emprego? Ainda estão à procura? Escreva nos comentários, vou adorar saber!

Sites de buscas de empregos no Reino Unido

 

***Esse texto foi originalmente publicado no portal Brasileiras Pelo Mundo

 

Combo perfeito: Kingston Upon Thames e Hampton Court

 

Uma das coisas que eu talvez mais goste em Londres é o fato de que sempre tem alguma coisa nova para fazer. Mesmo depois de quatro anos morando na cidade, ainda tem dias que saio por aí explorando uma região diferente da onde eu moro e sempre volto para casa como se tivesse feito uma viagem naquele dia, de tanto lugar novo que conheci. Minha última aventura foi em Kingston Upon Thames, no sudoeste de Londres. A town é a principal do Royal Borough de Kingston Upon Thames, um dos quatro royal boroughs da capital britânica.

Estar em uma região tão tranquila, com muito verde e repleta de casinhas às margens do rio Tâmisa é uma verdadeira terapia – bem diferente do ritmo frenético do centro de Londres.  Chegar até lá é fácil: 30 minutos de trem partindo de Waterloo Station. Os trens da South West são talvez os mais confortáveis da cidade, e durante o caminho você pode ouvir conversas no próprio estilo posh, em um sotaque mais britânico impossível.

Desça na estação de Kingston e vá em direção a Old London Road para conhecer um dos cartões postais do local:  a instalação de arte Out of Order, popularmente conhecida como as cabines de telefone vermelhas tombando umas sobre as outras. A instalação é do artista David Mach e as doze cabines foram colocadas ali ainda no ano de 1989. Em 2001, passou por uma renovação e segue intacta, sem grafites e com muitos turistas em volta tirando fotos.

Kingston phone boxes

Depois de ver as cabines, é hora de explorar o lado oposto do centrinho da região. Ande em direção ao Tâmisa para passar pelo Ancient Market Place, que acontece em uma praça bem charmosa todos os dias da semana, das 10h às 17h. Passeie por ali observando as barraquinhas e a sua diversidade na culinária internacional. Que tal uma famosa torta inglesa? Ou ainda um delicioso wrap marroquino? Prefere um sushi ou comida francesa? Sem problemas. Tem comida para tudo quanto é gosto. Além de barracas com frutas, vegetais, peixes e pães.

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Mas se você quiser um almoço com uma vista incrível, resista às tentações do mercado e ande mais um pouco até chegar à High Street. Ali você irá encontrar vários restaurantes, alguns com uma fachada bem estreitinha e tímida, mas não se engane: a maioria deles tem uma área externa à beira do rio Tâmisa. O Stein’s Kingston chamou a atenção pela pequena fila na porta e a pequena espera valeu a pena, comida e cerveja alemã deliciosas.

Enquanto olha para o rio e admira a beleza do lugar, você provavelmente se dará conta que está no meio do seu passeio, que pode continuar pela região de Kingston Upon Thames ou pode se estender um pouquinho até o Hampton Court Palace. Se optar pela segunda opção, com certeza não irá se arrepender.

Hampton Court Palace e seus jardins

Pegar um ônibus ou fazer uma caminhada de cerca de 40 minutos são algumas das formas de se chegar ao palácio. Mas o mais gostoso mesmo é o passeio de barco, que dura cerca de 20 minutos e por onde você pode ver casas e pescadores à beira rio. Se tiver um tempo bom, o passeio é um ponto alto do dia. O ticket custa £8 ida e volta ou £6,50 só ida. Os barcos funcionam até determinado horário, geralmente param à tardezinha. Se quiser ficar até mais tarde, compre o bilhete só de ida. E não se preocupe em como voltar para casa, pois a estação de trem de Hampton Court fica a poucos minutos do palácio e de lá saem trens de volta para Waterloo Station.

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Porém, acredite em mim quando digo que a última coisa que você vai pensar quando chegar ali é em voltar para casa! A visita ao Hampton Court Palace vale cada centavo dos £21 que se paga para entrar (£19, se for sem a taxa de doação).  O gramado da área externa já impressiona, mas há muito mais para ser visto.

Explore o interior do palácio, que serviu de residência para o rei Henrique VIII, mas reserve bastante tempo para visitar os jardins, além de um tempinho para tentar encontrar a saída do famoso labirinto do palácio. Pegue um mapa e não deixe de visitar o The Great Fountain Garden, que parece ter sido tirado de um filme de contos de fadas.

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Na época da primavera, as flores deixam o jardim todo colorido, um colírio para os olhos. Caminhe pelos jardins até chegar a videira, que foi plantada em 1768 especialmente para o rei Henrique VII e já entrou para o Guiness Book of World Records como a maior videira do mundo.

Depois da visita, a sensação é de não querer ir embora. Caminhe pela beira do rio, sente no gramado na área externa ou vá a um pub local para terminar o passeio nesse lugar tão tranquilo, que nem parece estar tão perto do centro de Londres.

Brasil Observer

Motivo de alegria: voltei a escrever para o jornal Brasil Observer, que eu conheço desde que mudei para cá em 2012. Parei por um tempo, mas nunca deixei de ter o jornal como um parceiro querido e o melhor de tudo foi que no meio disso tudo ainda fiz amigos. 

Esse texto que você acabou de ler está na página 28 desta edição, então passa lá para ver mais fotos e aproveita para ler o jornal que está lindão e com um conteúdo super bacana! Leitura obrigatória se você quer saber mais do que rola por aqui e saber mais das notícias do Brasil que estão rolando pelo mundo. O jornal é distrubuído em vários pontos em Londres, mas você também pode ficar por dentro das notícias seguindo o perfil do BO no  Facebook e Instagram

 

Como Londres irá comemorar o aniversário da rainha

A rainha Elizabeth completou 90 anos no dia 21 de abril. E as comemorações prometem ser dignas de realeza por aqui. Aquela história de ‘só um bolinho’ para os mais chegados não combina com a rainha com o reinado mais longo da história do país. A rainha vai ter toda a pompa, cavalos, carruagens, tudo conforme manda o figurino. E nós vamos estar lá para cantar parabéns para ela! Ok, quase isso… Se você também não faz parte da família real mas quer festejar, confira direitinho o que vai rolar para não ficar de fora:

12 a 15 de maio, em Windsor

Festa de 90 anos da rainha

É a primeira celebração oficial do aniversário da rainha Elizabeth. O evento vai acontecer entre os dias 12 e 15 de maio, em Windsor, mas a rainha só vai estar lá mesmo para a última noite. Durante uma hora e meia, 900 cavalos e mais de 1.500 pessoas irão fazer parte da cerimônia que irá contar a história da rainha, desde seu nascimento, passando pela Segunda Guerra Mundial, seu casamento, coroação e outros momentos importantes. Os ingressos se esgotaram rapidamente e os organizadores também fizeram um sorteio para quem quisesse acompanhar a chegada dos convidados no tapete vermelho. Eu me inscrevi, mas não ganhei, então vou acompanhar a festa pela ITV, que vai mostrar o espetáculo do dia 15 de maio ao vivo.

Junho, em Londres

Dia 10 de junho, St Paul’s Cathedral e pubs

Haverá uma missa de ação de graças que é apenas para convidados, na St Paul’s Cathedral. Na sexta à noite, os ingleses vão poder comemorar a ocasião com os pubs abertos por duas horas a mais. Geralmente, os pubs fecham à uma da manhã. A mesma regra vale para o sábado, quando os pubs também fecharão mais tarde.

Dia 11 de junho, House Guards Parade

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Dia de ver a Trooping the Colour, na House Guards Parade. A rainha e outros membros da família Real desfilam em carruagens pelo The Mall e depois aparecem na varanda do Palácio de Buckingham. Eu nunca assisti, mas esse ano quero muito ir. Imagino que o The Mall vai estar mega lotado e preciso chegar bem cedo se quiser ter chances de ver a rainha! Se você não quiser encarar, a BBC vai mostrar o evento ao vivo a partir das 10h da manhã.

Quem quiser ver o ensaio do desfile, tem um no dia 28 de maio (gratauito) e outro no dia 4 de junho (£10). Claro, rainha é diva e não precisa de ensaio, portanto, não espere vê-la por lá.

A Trooping the Colour acontece todo ano para celebrar o aniversário da rainha e a tradição vem de reinados passados, começou lá no ano de 1748. É sempre no verão pois é quando as chances de ter um dia de sol e agradável são maiores.

Dia 12 de junho, The Patron’s Lunch

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Uma série de festas de rua devem acontecer por todo o país. As pessoas são incentivadas a fecharem a rua onde moram (com autorização prévia), chamar os vizinhos e os amigos e almoçarem juntas. A maior festa, The Patron´s Lunch, acontecerá no The Mall. Todos os 10 mil ingressos já foram vendidos, mas dá para assistir tudo ao vivo pelos telões no Green Park e St Jame’s Park. Os parques devem lotar de pessoas espalhadas pelo gramado fazendo piquenique. Uma ótima pedida para o verão. E então, bora festejar?

Curiosidades:

  • Para quem quiser saber mais sobre a vida da rainha Elizabeth, este ano os autores Mark Greene e Catherine Butcher lançaram um livro em homenagem aos 90 anos de vida da monarca. “The Servant Queen e the King she serves” (A Rainha Serva e o Rei que ela serve, em português) fala sobre sua história e sua fé cristã.
  • A BBC produziu o documentário “Elizabeth at 90 — A Family Tribute”, que também narra sua história e ainda traz entrevistas de outros membros da família real.

Curiosidade 2 (e novidade também!): Esse texto foi originalmente publicado no portal Brasileiras Pelo Mundo, do qual a partir desse mês sou colunista 🙂 O link para quem quiser conferir é esse aqui: http://www.brasileiraspelomundo.com/inglaterra-como-londres-ira-celebrar-o-aniversario-da-rainha-061433979

 

Passeio pelo Maltby Street Market

Uma das coisas que eu mais gosto em Londres é que tudo que pareceria estranho em qualquer outro lugar, aqui vira cool. Uma amiga empreendedora diz que aqui em Londres, mais do que em qualquer outra cidade, você pode criar qualquer negócio e sempre vai ter público. E, olha, às vezes eu acho que ela está certa. O que parece estranho aqui é normal. Um dos exemplos é o Maltby Street Market.

Domingo, estávamos procurando um lugar para comer que fosse aberto, pois a temperatura estava acima dos 15 graus, um luxo para abril. Sugeri a ideia de um street market mas com a condição de não ser o Borough Market, afinal, já fomos lá muitas vezes e queria algo diferente.

E lá fomos nós atrás do nosso street market e suas comidas deliciosas. Chegando perto do local, pensei: só em Londres! Vi um monte de gente sentada na calçada, perto de uma ponte por onde passam trilhos de trem. Já comecei a duvidar que aquela tinha sido uma boa escolha. Chegando mais perto, vi que tinha um túnel bem sinistro, pelo qual não queria passar,  mas para a minha sorte gastronômica o tal do street market (que, em tempo, é uma feirinha com barraquinhas de comida) era em uma ruazinha bem estreita antes do túnel.

Foi só entrar por essa ruazinha para esquecer dos arredores: dezenas de barracas de comida, de todos os lugares que se possa imaginar. França, México, Vietnã, Alemanha, Inglaterra, Jamaica e também Brasil (acabamos comendo um wrap de picanha delicioso!)

E como não poderia faltar, muitas opções de bebidas – degustação de vinho, cerveja de mel entre outras opções. Um dos lugares mais movimentados era um bar com drinks à base de gin em copos no estilo retrô.

Foi um passeio super agradável, com direito à sobremesas variadas – um brownie de salted caramel que foi eleito o melhor brownie de Londres e um doce típico do Taiwan – uma massa que parecia de panqueca em formato de ovinho, com nutella e amendoim por cima. Detalhe para o amendoim que é raspado de uma peça gigante do doce, ali na hora.

Comemos e bebemos felizes – por pouco mais de 20 libras – e voltamos para a casa com a certeza que ainda voltaremos lá outras vezes. Tem muita coisa ainda para ser experimentada naquele lugar….

Separei algumas fotos que não me deixam mentir…

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Maltby Street Market
Ropewalk, London SE1 3PA
www.maltby.st

All you need is love: por dentro dos casamentos ingleses

Levando em conta os recentes acontecimentos da minha vida, decidi que o blog precisava de um post sobre….casamento! E parei para pensar no quanto as tradições daqui são parecidas e ao mesmo tempo diferentes com as do Brasil.

Aqui na Inglaterra a maioria dos casórios acontecem no verão – esse anos temos cinco para ir, entre junho e agosto.  Geralmente, o evento dura o fim de semana inteiro, os convidados chegam na sexta à noite, o casamento é no sábado e no domingo sempre tem alguma atividade com os noivos – pode ser um churrasco, um picnic ou apenas um dia com todos na praia. Todo mundo hospedado pela região, vira uma mini férias! 

Parece que é uma mega festa, né? Sim! Festa em castelo (de verdade) não é algo incomum. Mas tem o outro lado. Falando por experiência própria, o evento como um todo é mais relax, tudo com mais naturalidade, mais íntimo e em menor escala do que no Brasil – principalmente na parte da decoração e no look da noiva. A regra do menos é mais predomina. Até na lista de convidados. Uma festa dentro dos padrões comuns aqui não passa de 100 pessoas, considerado mini-wedding no Brasil!

Outra diferença é que o “faça você mesmo” é muito forte. As pessoas gostam de colocar a mão na massa, não porque elas não podem pagar para alguém fazer, mas porque elas querem ter algo feito por elas no dia. Aliás, essa coisa de pagar pra alguém fazer é coisa de brasileiro – empregada, manicure, etc…aqui é você mesmo que se vira – falo mais sobre isso em um futuro post!

Aqui já vi padrinho ajudando a recepcionar os convidados, dando uma de DJ na cerimônia, tudo na maior naturalidade. Natural também é você não ser chamado para a cerimônia e para o jantar e só para a festa. É super normal.O evento é dividido em duas partes e a lista de convidados também.

Casamentos são longos, duram por volta de doze horas – geralmente do meio dia à meia noite. Apenas as pessoas mais próximas são convidadas para o dia todo, que começa com a cerimônia.

Nas próximas duas ou três horas acontecem as fotos, os convidados se servem de champanhe e canapés até que chega a hora do jantar, que é seguido pelo discurso, momento mais importante depois da cerimônia. Pai da noiva, noivo e padrinhos tem a responsabilidade de não entendiar divertir os convidados e homenagear os noivos. Durante cerca de uma hora, todos ficam sentados prestando atenção. Quem está discursando só é interrompido por risadas e brindes de viva aos noivos! Quando anoitece, chegam os convidados da “reception”, da recepção, que é a parte da festa.

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Foto do nosso casamento no Brasil (não resisti!)

Abre parênteses para um mico dos meus primeiros meses de vida londrina: no primeiro casamento que fui, fomos convidados só para a recepção. Só que até então eu não sabia dessa divisão. Chegando ao lugar, não tinha muita comida, só uns salgadinhos típicos ingleses e as pessoas estavam comentando como o casamento tinha sido lindo. Lembro que só conseguia pensar: 1. como assim uma festa em um lugar chique desse só tem isso pra comer? 2. nunca me atrasei tanto para uma festa na vida! Fecha parênteses. 

Hoje que já sei do esquema acho bem a cara dos ingleses: prático e do tipo “o que vale é a consideração”. O que vale é o casal ter a consideração de te chamar para dividir esse momento com eles. Seja o dia inteiro ou a recepção. Sem contar que a parte da festa é muito divertida. Tem a dança dos noivos, o corte do bolo (sempre de verdade, nunca cenográfico) e a pista de dança – que sempre fica vazia no começo.  É que quase sempre inglês para dançar já tem que ter tomado umas pints. Repare em uma pista de dança no começo de uma festa de casamento e no final: TOTALMENTE diferente. 

Por falar em bar, se um dia for a um casamento na Inglaterra é provável que você tenha que pagar por sua bebida. Pois é, por aqui seria o cúmulo da falta de educação “passar a gravata”, mas é totalmente aceitável que o convidado pague pelas  bebidas no bar do casamento. Não é regra, mas pode acontecer. Afinal, bancar a conta de um bar para tantas pessoas (melhor, tantos ingleses!) exige muita grana.

O que você investe no bar economiza em presente – isso porque, na maioria das vezes, o casal já mora junto há anos, às vezes até já compraram sua própria casa. Não precisam de geladeira e fogão e nem presente caro. Por isso, um cartão com dinheiro em espécie é a forma mais comum de se presentear. E não é todo mundo que dá presente, mas é todo mundo que dá um cartão desejando felicidades aos noivos. Por que  o que vale é a consideração, lembra?