Entrevista: Ernani Lemos, jornalista e escritor

screenshot_20161201-201120Quando conheci o Ernani, me surpreendi pela sua simpatia. Aliás, a dele e a de sua mulher, a Juliana. Os dois são jornalistas, trabalham na Globo aqui em Londres. Ernani lançou um livro de crônicas recentemente, chamado Sobre os Outros, da Chiado Editora.

E olha só que engraçado: fiquei sabendo pelo Instagram da Juliana (aliás, como tenho conhecido gente bacana por lá!) e logo de cara perguntei se ele toparia me dar uma entrevista. Detalhe: conheci o perfil da Juliana, meses atrás, pelo Instagram da Karine, do blog Ká entre nós, com quem eu nunca falei mas sei muito sobre por ser leitora do blog.

E dias depois dessas conexões malucas (e deliciosas) que a internet nos traz, estávamos ali, no Made in Brasil Boteco, batendo papo. Era o lançamento do livro do Ernani e nem o tempo chuvoso impediu o público de lotar a casa. A entrevista ficou para a semana seguinte, e nos cinquenta minutos de conversa, refleti sobre essa coisa louca que é amar escrever, sobre a vida aqui em Londres e, claro, sobre os outros…..Afinal, é neles que podemos nos conhecer melhor. 

O resultado da nossa conversa está na página 10 da edição de dezembro do jornal Brasil Observer. 

Me diz o que achou depois. E, ah, se tiver a chance de ler, o livro é realmente muito bom!

Harry Potter and the Cursed Child – a peça! 

​Nunca achei que 11 meses de espera valeriam tanto a pena. Comprei ingressos para ver Harry Potter and the Cursed Child em outubro de 2015 e dia 13 de novembro do ano seguinte seria o tão esperado dia.

Dia de se emocionar e relembrar momentos dessa história que me acompanha desde que eu tinha 10 anos. Algumas coisas a gente leva com a gente não pela história ou personagens em si, mas pelas pessoas que dividiram aquela fase com você.

Impossível não lembrar dos meus amigos da época do colegial ou das tardes que passei com minha irmã assistindo os filmes. Mais impossível ainda não amar a peça que conta a história de Harry, 19 anos depois do final do último livro/filme. 

Com cinco horas de duração, a peça é dividida em duas partes. Há um break de quase 3 horas entre elas ou você pode ver em dias alternados. 

Não vou contar aqui a história, aliás tem até uma hashtag para isso, a #keepthesecrets, que faz parte do roteiro e também já  dá a dica para quem viu ficar quieto e não estragar para quem ainda vai ver. Só posso dizer que sim, a produção é surpreendente!  Cheia de suspense e humor, J.K. Rowling conseguiu de novo encantar a menina de 10 anos, quase 19 anos depois. 

Ah, e o melhor: dia  22 de novembro eles vão começar a vender ingresso para mais uma temporada, em 2017. Além disso, às sextas as 13h são disponibilizados ingressos por £40 – difícil de conseguir, mas vale a tentativa já que por esse preço você tem acesso acesso a ótimos lugares. 

Se você estiver por Londres, não perca a chance de ver! Confira mais informações no site oficial da peça e veja algumas fotos abaixo: 

Chegando ao teatro às 12h! Tickets em mãos!
Bar todo decorado dentro do teatro
Melhor relógio! ♡
Vista do nosso assento: ótima pelo preço que pagamos (apenas £30). Fotos da peça eram proibidas.
Harry por todos os lados dentro do teatro
Indo embora do teatro às 9h da noite, feliz da vida!

A realidade londrina

Quem está cansado de Londres, está cansado da vida, pois há em Londres tudo o que a vida pode oferecer”. A frase do escritor Samuel Johnson é uma das mais conhecidas e usadas pelos apaixonados por Londres.

Já me perguntaram muitas vezes se aqui é realmente o destino perfeito para um intercâmbio ou para se morar de vez. Depende do que cada um espera, e o que pode ser perfeito para mim não é perfeito para todo mundo. Londres é mesmo uma cidade incrível – mas é sempre bom ressaltar que não acredito em destino perfeito, ou melhor, em uma vida perfeita em qualquer cidade que seja. Achar que tudo será um mar de rosas só porque se está saindo do Brasil pode causar decepções e tornar a adaptação (que já não é fácil) ainda mais difícil.

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É claro, a grama do vizinho sempre parece mais verde e na onda das redes sociais, a vida parece mesmo um conto de fadas. A foto mais curtida no meu Instagram, por exemplo, é uma em que estou em um banco olhando para o Big Ben. Curiosamente, foi tirada em um dos meus piores dias desde que cheguei aqui em 2012. Há bastidores da vida real que, muitas vezes, quem está de fora não vê.  E a vida em Londres não foge à essa regra.

Claro que sempre recomendo qualquer um a vir para cá  – afinal, eu mesma fiz essa escolha. Hoje, quase cinco anos depois, vejo que quando cheguei não sabia de quase nada da vida na cidade. Por isso, venho contar um pouco sobre as “verdades” que só quem mora na cidade conhece bem de perto. Quer vir pra Londres? Então confira o que o espera na sua chegada. Spoiler: a cidade vai muito além da pompa da família real, do sotaque britânico e do Big Ben.

 1) Prepare o bolso

Não poderia começar com outro item que não fosse o custo da moradia. É muito caro! E todo mundo sabe disso. Uma pesquisa feita pela Homelete, empresa especializada no mercado imobiliário, mostrou que o aluguel em Londres chega a ser até duas vezes mais caro do que em outras cidades da Inglaterra. Um apartamento de um quarto custa £1.200, em média. A solução que muitos encontram é morar mais distante do centro. Esteja preparado também para alugar uma quitinete ou dividir casa com amigos (ou com estranhos mesmo).

2) Não espere encontrar só ingleses

Justamente por conta do valor dos imóveis, muitos ingleses não moram em Londres. Existem, sim, muitos que moram na cidade mas não se engane achando que você vai chegar aqui e só vai ter contato com os locais. Londres é a capital do mundo. Garanto que você vai ver muito mais estrangeiros do que ingleses por aqui. Na minha opinião, é isso que torna a cidade tão atraente.

3) Transporte público funciona, mas é caro

Assim como moradia, o transporte público também é bem caro. Para circular nas áreas mais centrais (zonas 1 e 2), o valor é de £124,50 por mês. A vantagem é que funciona e as áreas são bem conectadas. Mas, é claro, hora de rush existe em qualquer lugar e aqui não é diferente. Prepare-se para viajar em um metrô lotado e contar com atrasos; quando chove ou neva, por exemplo, a cidade praticamente para.

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4) Ônibus: você vai precisar muito dele

Quem nunca voltou do mercado carregando a compra do mês no ônibus que atire a primeira pedra! Londres não é uma cidade feita para quem tem o costume de usar o carro até para ir à padaria. O glamour da vida na Europa que pouca gente vê é sair do mercado com mil sacolas e tem que pegar o ônibus lotado para chegar em casa. Dá para comprar online, mas eles cobram a entrega se o valor da compra não é tão alto.

5) Acostume-se com o frio

Londres não é tão cinza quanto dizem, acho uma injustiça a cidade ter essa fama. Há dias lindos e ensolarados por aqui também – muitos. Mas verdade seja dita: o tempo aqui não é estável; o sol nunca é garantido (nem no verão). Durante o outono e, especialmente no inverno, escurece às três e meia da tarde, sem exageros. Você passa dias, às vezes semanas, sem ver a luz do sol. É depressivo, é ruim, até os ingleses que estão acostumados reclamam. Você provavelmente vai reclamar – mas também vai se acostumar.

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6) Não espere adquirir o sotaque dos ingleses

A não ser que você tenha uma habilidade muito boa com pronúncia, seu sotaque não será britânico. Se você passar seis meses ou um ano aqui, irá sim aprender o inglês. E algumas palavras podem até soar mais como os britânicos mesmo. Mas não vai ser do dia pra noite que você vai adquirir o sotaque britânico. Se este é realmente seu interesse, existem escolas especializadas em pronúncia. Mas posso falar? Aposto que depois de um tempo morando aqui você não vai ligar para isso. Afinal, é a diversidade de sotaques e culturas que faz a cidade ser tão única como é.

Espero que os tópicos acima não tenham feito você desistir de vir para Londres – essa não foi nem um pouco a intenção. Recomendo a todos que tem a chance de conhecer esse destino maravilhoso, afinal, em Londres há mesmo tudo o que a vida pode oferecer.

E você? Tinha alguma impressão sobre Londres e quando chegou aqui viu que as coisas eram diferentes? Já cogitou morar ou vir estudar aqui? Escreva nos comentários!

Texto originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo.

Conheça Bruges, terra do chocolate e da cerveja

Quando tive a ideia de viajar para Bruges, uma cidadezinha no norte da Bélgica, não imaginei que a cidade me encantaria tanto. Aliás, a ideia inicial era ir para a capital, Bruxelas, e de lá fazer uma viagem de um dia para Bruges. Mas pra todo mundo que eu falava da ideia a reação era sempre a mesma: “faça o contrário!” Passe mais tempo em Bruges. E foi assim que fui passar dois dias imersa naquela atmosfera que parece ter sido tirada de contos de fadas: ruazinhas de paralelepípedo, a beleza do canal e seus barquinhos, as casas no estilo medieval. Impossível não se apaixonar!

Chegar em Bruges foi fácil: saímos de Londres em uma quinta à noite, pegamos o Eurostar na estação de London St Pancras. Escolhemos o ticket que servia para qualquer estação da Bélgica, ao invés da opção que só te permite ir até Bruxelas. Pouco mais de duas horas de viagem até Bruxelas, é hora de fazer a baldeação para Bruges.

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Chegamos no hotel (Hotel Academie) e ficamos super felizes com a escolha. Serviço de primeira e quando reservamos os tickets do trem com a Eurostar tivemos desconto para reservar hotéis também, maravilha! Saímos para dar uma volta na cidade e comer alguma coisa, isso eram 22h30, mas estava tudo fechado – até a cozinha do hotel. Já fica a dica: se for chegar em Bruges tarde, coma antes. Tínhamos comido alguma coisinha no trem e foi isso que nos salvou – nosso jantar mesmo foi amendoim do bar do hotel.Na sexta, pegamos um mapa no hotel mesmo e saímos andando sem rumo. Bruges tem o centro velho e o novo e é possível explorar a cidade a pé, tudo é muito perto. Logo ali na saída do nosso hotel passamos pelo lago da cidade cheio de cisnes ao redor, um encanto.

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Poucos minutos depois estávamos na área de Béguinage, que nos anos de 1200 era onde as Beguines, ou beatas, viviam. Hoje em dia o local é um convento e um dos cartões postais da cidade, com suas casinhas brancas e seu lindo jardim.

Caminhar pela cidade não é problema, além de ser uma delícia. A não ser que você queira pagar 50 euros por um passeio de charrete, se peder por aquelas ruazinhas, dar de cara com uma paisagem cenográfica, tudo isso faz parte da experiência!

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Não fizemos o passeio de charrete (achamos muito caro), mas fizemos o de barco. E esse foi um dos destaques da nossa viagem. Sim, é cheio de tursita, tem fila e parece meio clichê. Mas tem que ir! Aliás, acho que tem gente que se preocupa demais em não fazer algumas coisas porque é “de turista” – eu quando estou viajando sou turista então faço tudo que tenho direito mesmo.

Voltando ao barco…não é caro e se o tempo estiver bom, vale muuuuuito a pena. Tem diversos pontos de embarque pela cidade, é só comprar o ticket (8 euros por pessoa) e embarcar. O guia ainda falava português e foi conversando com a gente, super simpático. A ideia era ser um passeio mais romântico, pois nesse dia a gente estava comemorando nossos 4 anos juntos, mas não tinha como ter o barco só para o casal então fomos com a turistada toda mesmo! E foi muito gostoso…adoro essa coisa de canal que tem aqui na Europa, uma delícia passear de barco pelas cidades, acho o máximo. Fizemos o passeio de gôndola também em Veneza e apesar de ter sido bem mais romântico porque estávamos só em dois, o de Bruges não deixou nada a desejar.

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Os chocolates

Saindo do barquinho, fomos direto atrás do famoso chocolate belga que ainda não tínhamos provado por lá. Lembrei muito da época em que eu trabalhava em revista de culinária e sempre ouvia falar desse tal de chocolate belga, na época em que os brigadeiros gourmet ainda nem existiam. E agora, anos depois, eu estava na Bélgica, então tinha que aproveitar! Passamos os dois dias comendo chocolate de diferentes chocolaterias, um melhor que o outro.

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A mais conhecida na cidade, no entanto, é a The Chocolate Line. Lá você pode ver a produção dos chocolates e encontrar sabores exóticos que com certeza nunca viu  (chocolate com sabor de bacon, alguém?). Eles tem um livrinho com os sabores de cada um para ajudar você a escolher. Escolhemos alguns e entre eles o “brasileiro” que era de capirinha…muito bom!

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Depois dos chocolates, era a hora de experimentar as cervejas. Eu nunca gostei de cerveja, ainda não gosto, mas a que provei lá não achei tão amargas. Fomos na The Beer Wall, que é literalmente uma parede de cervejas com uma infinidade de tipos. O The Beer Wall tem uma área externa, o 2be Bar, onde você fica à beira do canal só apreciando a vista.

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Paramos em outros bares e pub mas um que com certeza vale a visita é esse aqui da foto, o Brugs Beertje. A seleção de cervejas é enorme, com muitas cervejas tipo cider, com sabor de frutas.

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Segundo dia

No dia seguinte fomos explorar o centro novo da cidade. Andamos por uns 15 minutos e lá estávamos, na principal praça de Bruges – a Praça Markt  – com o Palácio Provincial ao redor e a torre Belfry, que guardava os documentos públicos da cidade durante a Idade Média e é o principal monumento da cidade. Sentamos em um dos bancos da praça, fomos até um mercado ali perto comprar uma bebida (recomendo a da foto abaixo, é bem levinha e tem um gostinho de limão muito bom) e uns snacks e ficamos por ali só observando tudo ao nosso redor. Amo bater perna nas viagens, mas também adoro sentar e só observar o lugar.

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Por recomendação de uma amiga, fomos à Basílica of the Hooly Blood, que guarda um tubo com o sangue de Jesus Cristo.  A relíquia foi achada em uma cruzada para Jerusalém no século XII e pode ser vista em horários determinados para visita. Fotos no interior da igreja eram proibidas.

Saindo de lá, encontramos por acaso um café brasileiro – Brazila. Adoro encontrar cantinhos que me lembrem do meu país nos lugares mais inusitados. Nem preciso falar que para quem gosta de café lá é parada obrigatória!

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Com tantos momentos incríveis em apenas dois dias, vocês já podem imaginar que não queríamos ir embora. Acordamos no domingo ainda querendo passear mais por Bruges, mas ainda tinha Bruxelas para visitar e nosso trem de volta para Londres partia de lá. Pegamos nossas malas e fomos. Passamos uma tarde em Bruxelas mas já estávamos apaixonados por Bruges, que não tinha como ter a mesma sensação por Bruxelas. Acho que se tívessemos ido para Bruxelas antes de Bruges depois talvez teríamos gostado mais de Bruxelas. Em todo caso, valeu a experiência, como qualquer viagem. Voltamos para casa já com saudades de Bruges e alguns chocolates na mala para nos ajudar na volta à rotina!

Para quem quiser saber mais:

The Beer Wall e 2be Bar: http://www.2-be.biz/

The Basilica of Holly Blood: www.holyblood.com

Torre Belfry: https://bezoekers.brugge.be/en/belfort-belfry

The Chocolate Line: www.thechocolateline.be/

Hotel Academie: http://www.hotelacademie.be/en/

 

Bate e volta na fofa cidade de Canterbury

Acabou o verão e também a temporada de casamentos. O último casório que fomos foi em Canterbury e em plena segunda-feira. Oportunidade perfeita para chegar um dia antes e explorar a cidade. 

Chegar até foi super fácil: trem direto saindo de London St Pancras, em pouco menos de uma hora de viagem já estávamos em Canterbury west, a estação de trem central.

Reservamos um hotel perto da estação e andamos menos do que cinco minutos para chegar. O hotel era bem simpático, com um bar e um restaurante, música ao vivo e tudo mais. Só ficamos hospedados na cidade porque tínhamos um casamento no dia seguinte, Canterbury é um destino perfeito para um bate e volta. 

Como o tempo era curto, decidimos focar no que queríamos ver: a famosa Catedral, os jardins à beira rio e o castelo, ou o que sobrou dele. 

Logo na frente do jardim, vimos a empresa de barco que nos levaria em um passeio a dois. Algumas outras empresas fazem um tour histórico que leva mais tempo e você vai com um grupo de pessoas. Queríamos algo mais rápido e optamos por esse tour e foi ótimo! Um passeio de 35 minutos pelo canal saiu por £9 cada, bem barato para quem está acostumado com o preço das atrações turísticas em Londres. Eles mesmo conduzem o barco e você só tem que relaxar e aproveitar a vista:

Saindo de lá, fomos andar pelo jardim que tínhamos visto do barco e apesar de ser menor do que eu imaginava, é super bem cuidado e bonito, vale a pena.  

Saindo dali, visitar a Catedral e sua impressionante arquitetura foi um dos pontos altos da viagem. Patrimônio histórico da Unesco, realmente faz valer a fama. Aliás, se Canterbury é uma das principais cidades do Cristianismo na Inglaterra se deve à chegada do arcebispo Santo Agostinho no ano de 579. Ele foi o primeiro arcebispo da igreja  (no hall tem um mural com todos os nomes dos mais de arcebispos que a Catedral já teve). 

Não ficamos muito tempo lá dentro pois aos domingos a igreja é fechada para visitação – há missas o dia inteiro. Entramos apenas no hall principal – que diga-se de passagem já valeu a pena!

Estava quase na hora de voltar para o hotel, mas ainda faltava ver o castelo. Andamos uns 10 minutos na direção oposta ao centro para chegar lá. Notei que não tinha muito movimento no caminho e realmente chegando lá não tinha quase ninguém. O castelo na verdade não existe mais, a maior parte dele foi demolida, ficando só a base. Pode ser não um castelo grande e pomposo, mas só de estar dentro e pensar na história da construção vale a visita.

Ainda deu tempo de ficar andando sem rumo pela cidade no final das contas, passando por uma casinha construída em 1500 e que abrigou tecelãs que escapavam de perseguições religiosas na França naquela época.  Hoje o local funciona com um pub/restaurante.  

Realmente, Canterbury com todo seu estilo medieval faz você sentir que voltou no tempo. Me senti a um mundo de distância de Londres, mesmo estando perto. Passeio bate e volta que com certeza vai render boas memórias! 

Como solicitar ou renovar o visto de esposa na Inglaterra

Meses atrás, escrevi um post que falava sobre alguns detalhes do processo para renovação do visto e teve muita gente que ficou chocada com tamanha burocracia. Mesmo já acostumada com as regras, confesso que, solicitar ou renovar visto é sempre estressante. Aquela insegurança do tipo “será que está tudo certinho?” é a pior coisa.

Então decidi compartilhar por aqui o ­processo que estou passando para renovar meu visto e como fiz para conseguir o meu primeiro visto de esposa. Lembrando que tudo o que eu falar vale para quem é casada com britânico – visto para esposa de europeu é uma história totalmente diferente. Claro que a regra é a mesma se você é brasileiro e casada com uma britânica. Só vou me referir ao meu esposo por ser a minha experiência. Ah, também lembrando que não sou especialista em imigração, por isso entrevistei a Laura Morales, da Morales Advisory Services, para me ajudar a escrever esse texto. Mesmo assim, é necessário checar as informações no site do Home Office antes de solicitar o seu visto pois as regras sempre mudam.

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Formulário de aplicação: páginas e mais páginas…
  1. Quem pode solicitar o spouse visa?

Além de ser casada com uma pessoa que nasceu ou se naturalizou cidadã do Reino Unido, existe uma série de exigências básicas para solicitar o visto. A solicitação é dividida em três partes: familiar, financeira e residencial. Vocês precisam provar que: são um casal de verdade, têm condições financeiras para se sustentarem, têm um lugar para morar ou que já moram juntos.

  1. De onde é feita a solicitação?

Você pode solicitar o visto no Reino Unido ou no Brasil. Quem veio para o Reino Unido com visto de noiva e casou aqui, pode solicitar o visto de esposa sem sair do país. O visto será válido por 30 meses. No meu caso, como eu casei no Brasil, tive de solicitar de lá mesmo; meu visto é de 33 meses. Depois desse período, você renova o visto para ficar por mais 2 anos e meio no país até que o tempo total de permanência com o visto seja de cinco anos.

  1. Quais os documentos necessários?

– Certidão de casamento e tradução juramentada (caso esteja em português): É obrigatório ter um tradutor juramentado para fazer a tradução, caso o casamento tenha sido no Brasil.

– Holerites e extrato bancário da conta do seu esposo dos últimos seis meses antes da data da solicitação: Os documentos devem provar a renda mínima necessária que seu marido deve ganhar, que é de 18.600 libras por ano. Caso tenha mais algum dependente, o valor aumenta. Além dos holerites, é sempre bom mandar uma carta do empregador de vocês confirmando que tal pessoa trabalha em tal empresa e recebe o salário X.

– Comprovante de endereço dos últimos seis meses: Se for seu primeiro visto, o comprovante de endereço do seu esposo já vale. Se for renovar o visto, é necessário mandar comprovante de endereço em seu nome também para provar que vocês moram juntos. Contrato de aluguel, contas de água, luz, carta de banco, de hospital, do HMRC -Her Majesty’s Revenue and Customs (Departamento não ministerial do governo britânico) e de outras insituições “oficiais” são aceitos. Durante minha consulta na Morales Advisory Services, peguei uma dica importante: a de mandar comprovante não só dos últimos seis meses, mas de todo o período que morei no país tendo o visto, ou seja, quase dois anos e meio. Cinco comprovantes de cada ano já são suficientes. Além, claro, de um para cada mês pelos últimos seis meses. Se não tiver, vá até o seu banco e peça para eles imprimirem algumas correspondências antigas. Mas se ainda faltar um tempo para a sua solicitação, um conselho: comece a guardar cartas que recebe desde já!

– Passaporte: Original, tanto o seu quanto o do seu marido. Se ele não puder enviar o original, mande a cópia de todas a páginas e explique o motivo.

– 2 fotos de passaporte: O item mais simples de todos!

– Certificado de inglês para provar que vocês podem se comunicar um com o outro: O certificado não precisa ser de um nível avançado, mas é necessário. No site do Home Office tem todos os centros autorizados onde você pode marcar sua prova.

– Qualquer prova extra do relacionamento de vocês: Outra dica da Laura, da Morales Advisory Services, é: “sempre tente acrescentar alguma prova extra do relacionamento do casal, como fotos, especialmente para quem casou recentemente”. O Home Office quer provas de que a união não se trata de uma fraude. No nosso caso, pedimos para nossos amigos e parentes escreverem uma carta alegando tal fato, mandei fotos da cerimônia de casamento, fotos da lua de mel, fotos nossas em família, conversas no WhatsApp e também e-mails.

  1. Quanto custa?

Solicitações feitas do Reino Unido:

£ 811 – taxa de solicitação

£ 500 –  taxa do NHS, serviço nacional de saúde – essa taxa é paga no momento da solicitação

£ 500 – serviço premium (caso queira receber o visto no mesmo dia)

£ 19,20 – exame biométrico (feito nos correios)

Solicitações feitas do Brasil:

£ 1.195 – taxa de solicitação

£ 600 – taxa do NHS

£ 500 – serviço premium

  1. Quanto tempo leva?

Solicitações feitas no Reino Unido: em média, oito semanas. Com o serviço premium, o visto sai no mesmo dia e você entrega a documentação pessoalmente.

Solicitações feitas no Brasil: até três meses, sendo que o serviço premium diminui o tempo de espera para três semanas.

  1. Como solicitar?

Agora que já sabe dos custos e da documentação necessária, entre no site do Home Office (links abaixo) e baixe o formulário de solicitação. No mesmo site você deve pagar a taxa do NHS. Preencha todos os dados do formulário e junte todos os documentos, que devem ser originais. Quando eu solicitei do Brasil, marquei um horário pelo site e fui até o escritório do Home Office entregar toda a papelada e tirar as impressões digitais. Semanas depois, o meu passaporte chegou em casa junto com os meus documentos de volta.

Desta vez, irei mandar tudo pelo correio e semanas depois devo receber uma carta me pedindo para ir ao Post Office tirar as impressões digitais. E aí é só aguardar! Quem quiser também pode pagar a mais para ter o serviço mais rápido e ir até um Premium Service Centre entregar sua documentação. Veja mais informações nos links abaixo:

Solicitando o visto pela primeira vez

Renovando o visto

Lista com locais para fazer o teste de inglês

Taxa do NHS

Premium service centres (tempo de espera reduzido)

Espero ter ajudado e se tiver mais alguma dúvida, escreva para mim nos comentários que com certeza tentarei responder!

Texto originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo.

O dia em que toquei violão no Central Perk (ou quase!)

Quando eu fiquei sabendo que o Friends Fest viria novamente a Londres, não consegui controlar a ansiedade e o desespero a vontade de garantir meu ingresso. Se você é fã de Friends (leia-se: o melhor seriado da história) você provavelmente irá me entender! Só tinha um problema: os ingressos começariam a ser vendidos bem no dia que eu tinha uma consulta médica. Resultado: fui de ônibus para a consulta (no metrô daqui não tem sinal!) pois sabia que não poderia perder a chance dessa vez.  Depois de muito F5 no site, consegui! Eu iria sentar no sofá do Central Perk!

No dia do evento, postei várias fotos pelo Instagram e fiz uns vídeos também para compartilhar tudo – eu sabia que teria alguns fãs de Friends que ficariam felizes em ver, nem que fosse pelo celular, um pouco mais do cenário onde as gravações aconteceram.

Algumas pessoas comentaram o tanto que queriam estar lá e eu entendi exatamente esse sentimento. Da primeira vez que o evento aconteceu em Londres eu só fiquei sabendo quando a coisa já tava rolando e não tinha mais chance de ir. Tentei participar de sorteios pelo Twitter – até reativei a minha conta na época, mas nada. Então assinei a newsletter do evento e esperei que eles voltassem. Também passei a acompanhar a página do The Londonist que sempre fala dos eventos legais na cidade. Mais de um ano depois, vi sobre o evento no Facebook e recebi o tão esperado e-mail. O resto vocês já sabem e as fotos podem contar um pouco mais:

 

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Bate e volta na Itália: fim de semana em Cinque Terre

Quando uma amiga que mora no Brasil disse que iria passar um mês na Itália, eu sabia que tinha que dar um jeito de ir encontrá-la. Uma porque era mais uma desculpa para viajar, outra porque ter alguém do Brasil visitando é como ter perto de você um pedacinho de tudo aquilo que faz falta no dia-a-dia.

O desafio: não tínhamos mais dias de férias para tirar esse ano (passamos cinco semanas no Brasil em janeiro…oh delícia). O jeito foi ir e voltar em um final de semana. Pegar um vôo no sábado de manhã e voltar na segunda de manhã, vindo direto do aeroporto para o escritório. Parecia loucura? Um pouco. Estaríamos super cansados com duas noites madrugando para ir para o aeroporto? Sim. Valeria a pena? Com certeza!

A aventura

O encontro que inicialmente aconteceria em Milão aconteceu em Cinque Terre. E a escolha não poderia ter sido melhor! Para ser sincera, até a minha amiga me mostrar o roteiro dela com o nome ‘Cinque Terre’, eu nunca tinha ouvido falar do lugar. Aparentemente, não era tão popular até poucos anos atrás e depois li algumas matérias que se referiam às terres como o “paraíso escondido da Itália”. E que paraíso!

As Cinque Terre são cinco vilas (terres) à beira-mar, patrimônios históricos da Unesco, com trilhas que ligam as vilas umas às outras – carros são proibidos por lá, mas tem trem. Andar por essas vilas faz você se sentir perdido lá atrás no meio da história. A vila mais antiga, Monterosso, foi fundada no ano de 643, para se ter uma ideia.  Os outros quatro vilarejos são Riomaggiore, Vernazza, Corniglia e Manarola.  Como só tínhamos um dia por lá, pesquisei bastante e decidi que três delas não poderiam ficar de fora do dia: Monterosso, Vernazza e Manarola.

Mesmo com o tempo curto, conseguimos aproveitar bem. Nosso passeio aconteceu em um domingo de sol (23 graus, um luxo para primavera!). Tínhamos chegado em Pisa no dia anterior, depois de uma viagem super cansativa em que ficamos das 5h30 da manhã até às 12h esperando para embarcar em um vôo mega atrasado (Ryanair fail!).

Decidimos ir para Pisa porque é um dos destinos com aeroporto mais perto de Cinque Terre. Da estação central de trem de Pisa você pode fazer o trajeto de trem para Cinque Terre. Depois de pouco mais de uma hora de viagem, você estará em  La Spezia, cidadezinha de onde sai o trem que passa por todos os cinco vilarejos.  Passamos o sábado em Pisa, o que foi legal pois assim visitamos a famosa Torre de Pisa, e tivemos tempo de andar pela cidade. O tempo que passamos lá foi na medida certa.

No domingo pegamos o trem para La Spezia. De lá, compramos o ticket que dá direito a pegar os trens que circulam entre as terres (custa 12 euros por pessoa e  tem que validar em uma máquina que fica na estação, ou então pode ter de pagar uma multa de 50 euros por pessoa). Claro que como bons turistas, não validamos o nosso e por sorte o fiscal que checou nossos tickets era gente boa e não nos multou. Embarcamos no trem com destino à primeira terre: Monterosso. Chegamos lá e demos de cara com essa vista:

Depois de validar o bendito ticket, encontramos nossa amiga e fomos explorar o vilarejo. Andamos uma hora por lá, e estávamos os três sem palavras para descrever o lugar. Nessas horas o que você faz? Compra um gelato, óbvio!

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O primeiro gelato em Cinque Terre a gente nunca esquece
Fim de semana na Italia_Cinque Terre (1)
Vista surreal, mas existe tá?

Algumas fotos tiradas depois, embarcamos no trem novamente com direção à quinta terre, a de Manarola. Diferente da primeira, Manarola tinha uma área de praia mais extensa, aliás, bem extensa. Várias pessoas sentadas nas pedrinhas fazendo piquenique, restaurantes e bares à beira-mar…o povo ali sabe aproveitar a vida! Andamos também pela cidadezinha de Manarola, com suas casinhas antigas e lojinhas vendendo limão siciliano por toda a parte.

Estávamos no começo de uma trilha que nos levaria à Vernazza quando ouvimos por acaso um grupo de brasileiras falando que “ah não, duas horas de trilha não dá”. Oi? Duas horas?. Checamos um mapinha no local e realmente era uma caminhada. Já era quase fim da tarde e não quisemos gastar todo esse tempo caminhando para chegar a outra terre, sendo que em 15 minutos de trem estaríamos lá. Acabamos deixando a trilha pra lá e pegamos o trem para Vernazza – um pouco contrariados, pois queríamos aquela vista do alto que a gente vê quando busca por Cinque Terra noGoogle. E sabíamos que tínhamos de estar no alto para ter aquela vista.

Vernazza logo nos impressionou (como se ainda fosse possível) pela sua beleza. Com certeza a mais bonita das terres que visitamos e acho que a mais bonitas de todas as terres. Ainda mais colorida, com um píer com bares e restaurantes, além de barcos que enfeitavam a paisagem. Do lado de fora das janelas das casas cheias de cor, varais com roupas penduradas, um contraste incrível.

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Vernazza e suas roupas brancas penduradas no varal 
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Píer em Vernazza com barquinhos e restaurantes

Mas a melhor surpresa, foi ver, entre as estreitas ruas próximas ao pier, uma escadinha de pedras que dava acesso à uma trilha. Dez minutos depois, lá estávamos nós, no topo de Vernazza (e com a vista que tinha nos levado a visitar as Cinque Terre).

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Vista do alto de Vernazza tão esperada!
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Dia delícia com a amiga e o marido que topa todas minhas aventuras! 

Depois disso, eu não precisava de mais nada! Sei que há a opção de visitar uma sexta terre em um passeio de barco que depois passa pelas outras terres. Sei também que as trilhas entre as terres devem render vistas incríveis, mas para quem passou pouco mais de oito horas no lugar, eu estava completamente satisfeita. Até hoje lembro da sensação de estar, em um domingo à noitinha, naquele pír em Vernazza, de frente para o mar, comendo uma lasanha deliciosa e apreciando um vinho local. Um cenário completamente diferente…Em poucas horas eu teria de estar em Londres trabalhando, mas naquele momento a realidade era um mero detalhe….

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Melhor lasanha da vida!
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Até agora não acredito que não trouxe um vinho desse pra casa!

Você já faz uma viagem curta mas que valeu a pena? Tem alguma história pra contar? Ficou com vontade de conhecer o lugar? Veja mais  informações no site oficial da Cinque Terre ou escreva para mim nos comentários. Ciao Bella!

Nota: texto originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo.

 

 

 

 

 

Pela desvirtualização das amizades

Mudei para Londres tem mais de quatro anos. E já tive a oportunidade de conhecer várias pessoas por aqui, algumas marcam mais o nosso caminho, outras menos. Mas até o ano passado nunca tinha conhecido ao vivo pessoas com quem tinha contato apenas nas mídias sociais.

Sim, não sei se aí no Brasil rola muito disso,  mas aqui em Londres parece que tem uma comunidade que se fala/comenta nas fotos/curte as fotos uns dos outros pelo Instagram (e agora o contato começou a ficar mais “real” com o Snapchat também).

Muitas vezes a gente não se conhece, mas rola aquela afinidade mesmo que sendo apenas por meio de fotos e vídeos. Estranho? Talvez, mas quem não tem os amigos de infância/ faculdade e etc por perto sempre dá um jeito de conhecer pessoas novas. Afinal, morar fora é sair da sua zona de conforto. Até nos pequenos detalhes.

Quem tem blog, até mesmo um blog que luta para sobreviver em meio a milhões de compromissos, como o meu, ainda recebe os comentários dos leitores e está sempre acompanhando os outros blogueiros também. Então o relacionamento online nesse sentido sempre existe. E é muito bacana ter contato com pessoas assim.

Depois de ontem, diria que mais bacana ainda é conhecê-las pessoalmente! Eu que sempre tive vergonha de ir a encontros e eventos do tipo, fui a um encontro de brasileiros em novembro do ano passado e acabei conhecendo pessoas tão, mas tão queridas, que pena mesmo foi não ter ido aos encontros antes! Ontem foi a despedida de solteira de uma delas – e eu não teria feito parte desse momento tão importante na vida de uma pessoa tão bacana se não tivesse saído do mundo virtual para o mundo real.

Então, sim, por relacionamentos com mais encontros face to face e menos mensagens no direct do Instagram!  E que venha o casório! #BrasileirosemLondres

Despedida de solteira

 

 

Dia histórico (e triste) na Inglaterra

O Reino Unido está fora da União Europeia, e o que isso muda na minha vida? Em um primeiro momento, nada. Ao mesmo tempo, muita coisa. Nada porque como não tenho passaporte europeu, já enfrento as rígidas regras de imigração para morar aqui. Para mim, não vai ser novidade o UK tentar fechar as portas na minha cara. Já lido com isso desde 2014, quando apliquei para o meu visto de esposa.

Mas, como eu disse, ao mesmo tempo, muda muita coisa. Esse talvez seja o post mais pessoal que eu já escrevi aqui, mas sinto que se eu não falar nada, vou explodir! De choque, de indignação, de tristeza mesmo. Desde que eu mudei para o UK eu sempre brinco com a minha família que “a rainha não me quer aqui, mas vai ter de me engolir”, em tom de brincadeira mesmo. Claro que estou me referindo ao Home Office e às centenas de páginas de documentos (e de libras) que preciso juntar para ter o direito de morar aqui. Mas digamos que esse é um jeito engraçadinho que encontrei de dizer para os meus avós, por exemplo, que sim, existem dificuldades ao morar longe do Brasil.

Até então, era o governo me dizendo que eu não era bem-vinda. E fazendo as regras de imigração cada vez mais difíceis de se cumprir. Para vocês terem uma ideia, estou prestes a renovar o meu visto de esposa por mais dois anos e meio e isso me custará:

£ 811 – taxa da aplicação para eles analisarem meus documentos e renovarem o visto.

£ 500 de taxa do NHS – o Sistema de saúde público daqui, que agora pede que imigrantes paguem uma taxa para usarem o serviço que é PÚBLICO. Sim, eu tenho de pagar essa taxa mesmo já pagando imposto normalmente como qualquer inglês. Pago duas vezes.

£400 – se eu quiser fazer a aplicação pessoalmente ao invés de pelo correio (o que talvez vou precisar, porque preciso do meu passaporte para ir para o Brasil no Natal).

£ 150 – para fazer uma prova oral de inglês e “provar” (a prova só dura 10 minutos) que eu consigo me comunicar com o meu marido. Mesmo eu trabalhando em uma empresa internacional e eles sabendo disso. Mesmo eu tendo feito uma prova de inglês avançado da Universidade de Cambridge e ter passado, apenas três anos atrás. Acho que eles acreditam que é possível desaprender uma língua em três anos mesmo morando e trabalhando no país!

£19 – tirar impressões digitais no correio

£ indefinido – uma porcentagem do valor aplicação paga ao correio para eles mandarem uma ordem de pagamento para o Home Office. O formulário dá a opção de pagar por cartão de crédito e você preenche os dados do cartão e eles lá fazem o pagamento. MAS a pessoa que está me ajudando com o visto disse que já viu vários casos em que os dados do cartão não eram aceitos e eles devolviam a aplicação para a pessoa fazer de novo. E se o visto já tivesse expirado, a pessoa tinha que voltar para o país de origem e aplicar de lá. Claro que não quero correr o risco e vamos pagar para o correio mandar a tal ordem de pagamento.

Enfim, o objetivo do post não é falar das regras do meu visto, que ainda incluem documentos para provar que nosso casamento não é uma fraude, que o Ben ganha o suficiente para me sustentar e abrir mão dos direitos dele como cidadão inglês por ser casado com uma brasileira, entre outras coisas. Como dá pra ver, para eu conseguir ter o direito de morar aqui já é um sufoco para nós. E por isso eu dou risada quando amigos comentam: nossa, eu achava que por vocês serem casados você não precisava de nada disso!

Então por que o Brexit me deixou tão triste? Em poucas palavras, porque antes era o governo me falando que eu não era bem-vinda. Agora são as pessoas. 52% da população do Reino Unido votou para que o país deixasse a Uniao Europeia e apesar das questões econômicas envolvidas, o foco da campanha era a imigração. Existem muitos europeus morando aqui e os ingleses reclamam que eles roubam as vagas de emprego e usam os hospitais e as escolas e etc.

Então, meu amigo, se ontem pessoas por Londres tinham adesivinhos colados na roupa dizendo “I’m in!” e o clima era de que poderíamos vencer essa, hoje o clima é de ressaca. Muita gente me disse “o problema não é você, você é bem vinda aqui”, mas ao mesmo tempo reclamam do tanto de europeu que mora aqui. Uma coisa que eles não entendem é: estamos todos no mesmo barco. O Brexit me afetando ou não, sou imigrante e sinto que o país escolheu virar as costas para mim. E para todos os meus amigos europeus e brasileiros com passaporte europeu. Vamos todos nos dar um abraço? 🙁

Sem contar os problemas econômicos que isso pode trazer – não sou especialista, mas de tudo o que li, as previsões não são boas. Tenho medo ainda de o país ficar mais vulnerável ao terrorismo. Posso estar exagerando aqui,  mas li uma matéria na BBC semanas atrás que questionava a mesma coisa. E para quem convive com a ideia de que o alerta de terrorismo no país está em um nível super alto, escolher ficar sozinho não me parece uma boa ideia. Ainda que seja uma questão econômica. Ainda que existam organizações para ajudar o país caso algo aconteça, ainda que isso ou aquilo. Ainda que não tenha nada a ver, ainda acredito que juntos somos mais fortes, que pena que mais da metade da população não pensa assim.

Também é triste pensar na separação do Reino Unido como um todo. Inglaterra e País de Gales queriam sair, Escócia (que já pediu para sair do Reino Unido) e Irlanda do Norte queriam ficar. Começam a surgir comentários de que quem tem universidade votou para ficar, quem não tem tantos privilégios votou para sair. Ouvi no metrô alguém dizendo que “basicamente, todo mundo que lê o The Sun votou para sair”. Começam os julgamentos, os comentários, as análises…e até isso é triste.

E agora, como fica o futuro do país que se mostra tão dividido? Por enquanto não há respostas, só perguntas e um futuro incerto. No fim das contas, o sentimento é o mesmo de quando Temer assumiu o poder no Brasil: não podia ser verdade, não podia ser possível, até que uma hora foi. Não podia ser verdade que a Inglaterra iria dar esse passo para trás. Não podia ser possível que um país que tem Londres como sua capital, a cidade mais cosmopolita do mundo, iria passar uma mensagem de intolerência. Não podia, mas foi. Que dia triste para se morar na Inglaterra.

brexit